Política

Lula diz que vai conversar com Trump e pede reunião para buscar fim de conflitos

Léo Carvalho

Publicado em 6 de agosto de 2026 às 12:01 | Atualizado há 1 hora

Lula afirmou que pretende conversar com Donald Trump após já ter tratado do tema com Xi Jinping e Vladimir Putin | Foto: Daniel Torok/Casa Branca
Lula afirmou que pretende conversar com Donald Trump após já ter tratado do tema com Xi Jinping e Vladimir Putin | Foto: Daniel Torok/Casa Branca

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (5) que pretende conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para defender a realização de uma reunião entre os líderes das principais potências mundiais com o objetivo de buscar uma solução negociada para os conflitos internacionais.

A declaração foi dada durante entrevista ao canal Os Três Elementos, um dia após o governo norte-americano revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. Na mesma entrevista, Lula classificou a decisão dos Estados Unidos como “irresponsável” e “impensada”.

Ao comentar o cenário internacional, o presidente disse que já manteve conversas com o presidente da China, Xi Jinping, e com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e que pretende fazer o mesmo com Trump.

“Na semana passada, liguei para o Xi Jinping para falar da necessidade do Conselho de Segurança se reunir. Ontem falei com meu amigo Putin para eles se reunirem e vou falar com o Trump também”, afirmou.

Lula defendeu que os integrantes permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas retomem o diálogo para buscar alternativas diplomáticas aos conflitos em andamento.

“São cinco pessoas, se reúnam, tomem um café, um vinho, um uísque, qualquer coisa. Você não tem, a nível internacional, uma esfera para discutir isso e chamar a negociação. Eu falei para o Putin e para o Xi Jinping e vou falar para o Trump: se reúnam, pelo amor de Deus. São os membros mais importantes do Conselho de Segurança, as três maiores potências. Se reúnam e coloquem fim nesse conflito”, declarou.

A fala ocorre em meio ao agravamento da crise diplomática entre Brasília e Washington. Na segunda-feira (3), os Estados Unidos anunciaram a revogação do visto de Maria Luiza Viotti, primeira mulher a chefiar a Embaixada do Brasil em Washington.

Segundo o Departamento de Estado, a medida poderá ser revista caso o governo brasileiro conceda o agrément — autorização diplomática necessária para o exercício da função — ao indicado de Trump para a embaixada norte-americana em Brasília, Daniel Perez.

O governo brasileiro rejeita essa interpretação. Lula afirmou que os Estados Unidos tentam pressionar o Brasil a acelerar um processo que, pelas normas diplomáticas, não possui prazo definido. O presidente também lembrou que o próprio governo norte-americano permaneceu por mais de um ano sem um embaixador efetivamente em exercício no Brasil e classificou a decisão como desproporcional.

Durante a entrevista, Lula também afirmou ter solicitado a Trump que permitisse a entrada nos Estados Unidos de 11 autoridades brasileiras impedidas de viajar ao país, mas disse que o pedido não foi atendido.

Em seguida, o presidente afirmou que o Itamaraty agiu corretamente ao barrar a entrada de funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Segundo informações publicadas pelo Washington Post, integrantes do governo Trump pretendiam enviá-los ao Brasil para levantar questionamentos sobre a integridade do processo eleitoral brasileiro.

As relações entre Lula e Trump alternaram momentos de aproximação e tensão desde o retorno do republicano à Casa Branca. Após meses de divergências envolvendo tarifas comerciais e críticas públicas ao Brasil, os dois presidentes se encontraram pela primeira vez em setembro de 2025, durante a Assembleia-Geral da ONU, em Nova York.

A aproximação avançou em maio deste ano, quando Lula foi recebido por Trump na Casa Branca. Na ocasião, os presidentes discutiram temas como comércio, segurança, minerais críticos e cooperação bilateral. Ao final da reunião, ambos afirmaram haver disposição para ampliar o diálogo entre os dois países e anunciaram a criação de um canal permanente de negociação entre seus governos.

Apesar da iniciativa, as negociações posteriores sobre temas comerciais e diplomáticos não produziram avanços duradouros, e as relações voltaram a se deteriorar nas semanas seguintes.


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