Lula e Flávio Bolsonaro selam acordo no TSE para abrir sigilos bancários, fiscais e telefônicos
Redação Online
Publicado em 22 de outubro de 2026 às 18:00 | Atualizado há 49 minutos
Lula e Flávio Bolsonaro formalizaram acordo para abertura recíproca de sigilos na reta final do segundo turno presidencial | Fotos: Reprodução
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversários no segundo turno, formalizaram nesta quinta-feira (22/10), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um compromisso para divulgar informações bancárias, fiscais e telefônicas. O entendimento também abrange familiares dos dois candidatos.
O presidente assinou pessoalmente o termo, enquanto Flávio foi representado por sua advogada, Maria Claudia Bucchianeri, mediante procuração. O documento estabeleceu a previsão de disponibilização pública dos registros até o fim desta quinta-feira.
Lula propôs a abertura recíproca dos dados durante o debate da Band, no domingo (18/10). A equipe de Flávio resistiu inicialmente, mas apresentou uma contraproposta com exigências adicionais. O impasse se transformou em confronto político na reta final da eleição.
A defesa de Flávio cobrou informações do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, além de registros de acesso aos palácios presidenciais. Também defendeu a ampliação do período de investigação para além dos oito anos previstos na proposta inicial do petista.
Aliados de Lula exigiram que o acordo contemplasse uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio e alvo de investigações. O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que a equipe adversária aceitou a inclusão após divergências entre os representantes das campanhas.
Maria Claudia Bucchianeri declarou que os documentos do candidato do PL somente serão apresentados após a conferência das informações fornecidas por Lula. A advogada também admitiu a possibilidade de solicitar ao TSE a revisão de pontos do compromisso.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho acusou os representantes de Flávio de criar obstáculos à transparência. Integrantes da campanha presidencial afirmaram que a assinatura representou um avanço, mas demonstraram dúvidas sobre a efetiva divulgação dos registros do adversário.
O senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), que auxiliará a equipe de Flávio na análise das informações, criticou a iniciativa petista. Segundo ele, Lula apresentou uma nova petição, e não os documentos prometidos. A declaração expôs a permanência do conflito mesmo após a assinatura.
O ministro André Mendonça ficou responsável pela relatoria do caso. A defesa de Flávio também levantou dúvidas sobre a necessidade de autorização judicial para a divulgação dos dados. Apesar do compromisso firmado, a entrega efetiva das informações ainda dependerá dos procedimentos adotados pelas partes.