Lula reencontra Jaques Wagner em agenda na Bahia após crise no governo
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 1 de julho de 2026 às 10:02 | Atualizado há 1 hora
Lula participa de agenda oficial na Bahia ao lado de Jaques Wagner em meio às investigações da Polícia Federal | Foto: Pedro Ladeira/Folhapress
Uma semana após afastar o senador Jaques Wagner (PT-BA) do cargo de líder do governo no Senado, o presidente Lula (PT) desembarca na Bahia nesta quarta-feira (1º) para uma maratona de inaugurações.
Será o primeiro ato público do presidente ao lado do aliado e amigo de mais de quatro décadas, que foi alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de ter recebido pagamentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Lula participa de agendas do governo nas cidades de Alagoinhas, Vera Cruz e Salvador, mas não permanece na capital baiana no dia seguinte para o cortejo do 2 de Julho, data que marca a expulsão dos portugueses em 1823 e a consolidação da independência do Brasil na Bahia.
O presidente foi desaconselhado a participar do cortejo este ano por recomendações médicas, já que passou nos últimos meses por sessões de radioterapia após a retirada de um câncer de pele.
Será a primeira vez em quatro anos que o presidente vai faltar ao evento. Ele participou do ato cívico de 2022 a 2025, quando desfilou em carro aberto na festa marcada por forte participação popular.
Reencontro ocorre em meio à investigação
O reencontro de Lula com Jaques Wagner acontece em meio a tensões internas dentro do PT após a operação da Polícia Federal. Mas colaboradores diretos do presidente apostam em um esforço por um clima de normalidade durante os eventos.
Um aliado de Lula afirma que deverá prevalecer nele o sentimento de amizade entre os dois. Segundo relatos, na conversa em que foi selada a destituição de Wagner da liderança, o presidente manifestou confiança em sua inocência, ressaltando a necessidade de comprová-la.
Alguns petistas não descartam a hipótese de o presidente fazer uma deferência, possibilidade vista, no entanto, como mais remota.
Uma ala governista defendeu o afastamento de Jaques Wagner da liderança por temer que os estilhaços do caso Master afetem a imagem do presidente. Por outro lado, setores do partido argumentam que o senador deve ser fortalecido, de forma a não abalar a força do palanque de Lula na Bahia.
O estado foi fundamental para a vitória do presidente em 2022 ao garantir uma frente de quatro milhões de votos em relação a Jair Bolsonaro (PL).
Caso envolvendo Eduardo Sodré gera desconforto
Outro foco de controvérsias na Bahia é a situação de Eduardo Sodré, enteado de Jaques Wagner que foi alvo da Polícia Federal. Os investigadores identificaram um pagamento de R$ 3,5 milhões da PLK One, firma vinculada à operação Credcesta, para uma empresa da esposa dele, Bonnie Bonilha.
Sodré é secretário de Meio Ambiente da Bahia desde 2023. Na segunda-feira (29), o governador Jerônimo Rodrigues (PT) garantiu a permanência do enteado do senador no cargo.
“De forma nenhuma nós vamos fazer afastamento sem qualquer tipo de motivação concreta, de provas. Eduardo é advogado, está se defendendo. Para ele, para a família, minha solidariedade”, disse o governador.
A permanência do secretário, contudo, gerou desconforto em uma parcela dos aliados de Jerônimo, que temem que o caso respingue no governador. A avaliação é que Sodré deveria tomar a iniciativa de deixar o cargo, seguindo o mesmo caminho do padrasto, que saiu da liderança do governo Lula.
Wagner retoma agenda e reforça defesa
Jaques Wagner retomou sua agenda pública na última sexta-feira (26), quando participou de uma série de atos políticos no oeste da Bahia. Na ocasião, Jerônimo Rodrigues fez uma defesa pública do aliado.
“Para além de um cargo de liderança, está o Brasil e a Bahia. E nós vamos mostrar, nós vamos provar que, se você tem um erro na vida, para eles o erro é cuidar de pobre e dedicar a sua vida. Nós confiamos em você”, afirmou o governador.
No dia seguinte, Wagner voltou a se dizer inocente e classificou como mentira as suspeitas apontadas na operação da Polícia Federal.
Em entrevista à Folha, o senador admitiu ter relação com o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Master, e afirmou desconhecer governador ou prefeito que não se relacione com empresários.
Ele também disse que reclamou com Lula sobre a atuação da Polícia Federal na operação da qual foi alvo, particularmente pela divulgação de foto com cédulas de moeda estrangeira apreendidas no apartamento onde vive em Brasília.
Agenda institucional inclui obras e evento cultural
As agendas de Lula na Bahia terão caráter institucional. O presidente participa da inauguração de um hospital em Alagoinhas, norte do estado. Depois, segue para Vera Cruz para o início da montagem da plataforma provisória para construção da megaponte de 12 quilômetros entre Salvador e a Ilha de Itaparica.
À noite, Lula vai à reinauguração do Teatro Castro Alves, em Salvador, reformado com investimento de R$ 260 milhões. A reabertura do teatro terá apresentações de Gilberto Gil, Lazzo Matumbi, Simone, Virgínia Rodrigues, Sued Nunes e Orquestra Sinfônica da Bahia. (João Pedro Pitombo/Catia Seabra/FOLHAPRESS)