Política

Maguito: PMDB erra se apoiar impeachment

Redação DM

Publicado em 18 de julho de 2015 às 01:07 | Atualizado há 11 anos

O prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, advertiu ontem o PMDB nacional para que não embarque no “movimento golpista” que visa destituir Dilma Rousseff do cargo de presidente da República. “Se o PMDB embarcar nesta onda, será o maior erro na história do partido.”

Maguito Vilela disse espera das lideranças maiores do PMDB, principalmente os presidentes Renan Calheiros e Eduardo Cunha, do Senado e da Câmara Federal, respectivamente, “posição firme” na defesa das instituições e da democracia. “Não acredito que o PMDB fará qualquer papel na direção do golpismo. A dupla Dilma/Michel foi eleita para governar por quatro anos e não havendo comprovação de qualquer ato que a comprometa, terá que cumprir o mandato até o fim.”

Para o ex-governador, impeachment é um instrumento previsto na Constituição para afastar o presidente da República que, comprovadamente, tenha praticado “crime de responsabilidade”, o que não é o caso de Dilma Rousseff. “Ela é uma pessoa honesta, bem intencionada e que não praticou qualquer ato que a desabonasse. Tem trabalhado muito em favor do povo brasileiro, é séria.”

Maguito Vilela diz que todas as acusações feitas à presidente Dilma Rousseff não a atingem. “Pedaladas fiscais? Qual é o governador e o prefeito neste País que não remaneja verbas de uma área para outra? Maquiagem fiscal não é dolo, não é ato de corrupção, não é improbidade administrativa.”

O prefeito peemedebista foi incisivo: “Não há nenhum ato de governo, praticado por Dilma, que possa ser caracterizado como crime de responsabilidade, como ato de corrupção. Portanto, não há base para impeachment da presidente. O que se vê é tentativa de golpe, o que a população brasileira não aceita.”

Em entrevista à Rádio 730/AM, Maguito Vilela, afirmou que a presidente Dilma Rousseff tem “atuado muito e cumprido os compromissos” com a população brasileira. “Só em Aparecida de Goiânia, em seis anos e meio, já investimos R$ 1 bilhão de recursos do governo federal, em obras nas áreas de educação, saúde, meio ambiente, infraestrutura, esporte e lazer.”

 

EXPURGO

Mais uma vez, o prefeito de Aparecida de Goiânia condenou a decisão do PMDB goiano de expulsar o empresário José Batista Júnior, o Júnior Friboi, e de promover expurgo de prefeitos que não participaram da campanha do partido em 2014. “Sou contra perseguir, expurgar, punir e excluir quem quer que seja. O cidadão, a liderança política, tem a liberdade de se posicionar como achar que deve nas campanhas eleitorais.”

Na defesa de Júnior Friboi, Maguito Vilela disse que o empresário não teve força política suficiente para mudar os rumos da sucessão estadual, ano passado. “A vitória de Marconi sobre Iris não teve influência de Júnior Friboi. Foi um erro do PMDB a sua expulsão e também agora a de não conceder legenda aos prefeitos que estiveram ausentes da campanha do partido na disputa pelo governo do Estado.”

O ex-governador ressaltou que o PMDB, depois de cinco derrotas consecutivas para o governo de Goiás, precisa se modernizar-se e buscar quadros políticos novos para as futuras disputas eleitorais. “Ao ficar voltado para o passado, o PMDB de Goiás precisa estabelecer estratégias que contribuíam com o seu crescimento e sua maior sintonia com a vontade da população.”

 

Parceria com Marconi

“Críticas medíocres”, assim definiu Maguito Vilela aos peemedebistas que condenam a parceria administrativa que ele faz com o governo Marconi Perillo. “Não se governa uma prefeitura sem buscar recursos financeiros junto aos governos federal e estadual. As alianças políticas são feitas pelos partidos durante as eleições. O que fazemos, depois das eleições, é governar, buscar parcerias com as demais instâncias de poder para realizar as obras prometidas à comunidade.”

O prefeito peemedebista vê como “positiva” a decisão do prefeito Paulo Garcia (PT) de firmar parcerias administrativas com o governador Marconi Perillo (PSDB), visando a realização de obras na Capital. “Paulo Garcia esperou dois anos e meio para iniciar as parcerias. Falta um ano e meio para concluir o seu mandato e ainda há tempo para realizar novas obras, com apoio do governo do Estado.”

Aliança com PT

Maguito Vilela disse que o PMDB deve atuar para preservar a aliança com o PT na disputa pela Prefeitura de Goiânia, em 2016. “Se estamos unidos no governo federal, com Dilma Rousseff presidente e Michel Temer na vice, é natural que devemos manter a aliança em Goiás e Goiânia.”

O prefeito é de opinião que, na Capital, se o PMDB tiver que fazer opção entre o PT de Paulo Garcia e o DEM de Ronaldo Caiado, “é evidente que os seguidores de Dilma e Lula têm maior força eleitoral, a começar pelo tempo na propaganda de rádio e televisão.”

 

Eleições em 2018

Cogitado para disputar novamente mandato de governador ou senador em 2018, Maguito Vilela, mais uma vez, foi claro: não pretende buscar cargo eletivo. “Vou encerrar a minha atuação, como candidato a cargo eletivo, em dezembro de 2016, ao concluir o mandato de prefeito de Aparecida de Goiânia.”

O prefeito disse que, a partir de agora, caberá ao seu filho, deputado federal Daniel Vilela, buscar voos mais altos na política estadual, como candidatura ao governo de Goiás. “Não há espaço para nós dois em relação a cargos majoritários. Vou afastar-me para deixar que Daniel Vilela prossiga com a sua trajetória política, ele que já foi vereador em Goiânia, deputado estadual e agora exerce mandato de deputado federal.”

 

Prefeito diz que nome em Aparecida “sairá da vontade da população”

DA REDAÇÃO

Já reeleito e, portanto, impedido de concorrer novamente em Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela afirmou que o candidato do PMDB e aliados à prefeitura será resultado do “consenso das forças políticas e da vontade da população”. E justificou: “Não vou impor nome algum, não vou escolher candidato. Vamos ouvir os partidos aliados, os vereadores, as associações de moradores, a sociedade em geral e definir por um nome que possa representar bem Aparecida de Goiânia, como prefeito, no próximo mandato”.

Maguito lembrou que, na base de sustentação de seu governo, existem “bons nomes” para representar as forças políticas como candidato a prefeito. Os mais citados são: os vereadores Gustavo Mendanha, Ezízio Barbosa e Edilson Ferreira, todos do PMDB; secretários Jório Rios, Valéria Pettersen, Euler Morais, Adriano Montovani, Mário Vilela e Rodrigo Caldas; vice-prefeito Ozair José; e o empresário Oswaldo Zilli (presidente da Aciag).

Questionado se a aliança PMDB/PT será mantida em Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela disse que, se depender dele, os dois partidos permanecerão juntos. “Temos que manter as alianças e buscar novas coligações. Só se ganha eleições com amplas alianças partidárias e o que iremos fazer em relação às eleições do ano que vem.”

Indagado se tinha incentivado o lançamento da candidatura do secretário Adriano Montovani (Trabalho) à sucessão em Aparecida de Goiânia, Maguito confirmou que respaldou o projeto do petista. “É um jovem, idealista, sonhador, trabalhador e que vem contribuindo com o desenvolvimento da cidade. É natural que ele participe também do processo de escolha e definição dos candidatos às eleições de Aparecida.”

Maguito admitiu que convidou o vice-prefeito Ozair José, hoje no PT, a filiar-se ao PMDB. “Ozair é um político experiente, já exerceu vários cargos públicos. É mais um quadro importante que poderá integrar o PMDB.”

Para o prefeito, a definição dos nomes que concorrerão aos cargos de prefeito e vice, pela base de sustentação de seu governo, só deverá ocorrer em 2016. “Não estamos preocupados em escolher nome. Queremos concluir o nosso programa de governo, realizar as obras que prometemos à população. Na hora certa, os candidatos serão definidos, não por mim, mas pela população.”

 

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia