Política

Marconistas se escondem entre bolsonaristas para pedir fora Caiado

Redação DM

Publicado em 20 de maio de 2020 às 19:01 | Atualizado há 6 anos

Um grupo de admiradores de apoiadores do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) criou nas redes sociais e grupos de WhatsApp perfil para o movimento “Fora Caiado”, marcado para o dia 23 de maio. Eles se infiltraram no meio de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

O grupo é composto por políticos marconistas ou ex-assessores de políticos ligados a ele, caso do deputado Lucas Calil (PSD) e partidários do PSL, mas, sobretudo, moradores do interior com interesses eleitorais nas próximas eleições. Um dos defensores do movimento se identifica como “Marconin” e tem como imagem a sigla PSDB.

Um dos organizadores, abordado por telefone, negou ao “DM” a participação, mas seu nome aparece como administrador de um dos grupos. “Ele não quer abrir nosso comércio. Vamos dar uma taca nele”, pede o empresário que diz estar indignado com o isolamento social decorrente da pandemia de coronavírus. Ele quer o impeachment de Caiado devido a quarentena, apesar desta prática ser a recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e estar em vigência na maior parte dos países com circulação do vírus.

Na prática, o grupo uniu adversários do político do DEM e politizou o debate sobre Covid-19. Glenda Aline, moradora de Uruaçu, por exemplo, diz que Caiado apoia candidato de sua cidade “que não faz nada pra população”, por isso vai participar do movimento. Para ela, Caiado tinha que “apoiar seu candidato”.

Um dos integrantes, que diz ao grupo que pode “contar pro que der e vier”, afirma ser do ramo de “academias” – representante de um dos segmentos que tenta ser reconhecido como atividade essencial para poder funcionar durante os decretos de quarentena.

Uma das participantes diz que o grupo é conduzido sem propósito definido, mas uma das vontades é “tirar Caiado do poder”. Ela diz que trabalhava “no Estado” quando o governador era Marconi Perillo e pede a volta do ex-gestor, que foi preso em 2018 pela Polícia Federal e ficou em quinto lugar nas eleições para o Senado.

Um dos participantes do grupo se identificou como organizador da carreata da última sexta-feira, que teve como uma das lideranças o youtuber Gustavo Gayer, suspeito de agredir enfermeiros no Dia do Trabalho, em Brasília, crime que está sendo investigado pela Procuradoria Geral da República (PGR). Na ocasião participaram também assessores do vereador Oséias Varão, político ligado ao segmento evangélico. “Fui um dos idealizadores da carreata junto com outros parceiros e minha esposa e estamos em várias frentes bem ativas”, diz.

Outro participante, identificado como “Pátria Amada Brasil”, diz estar no grupo, pois Caiado é “comunista e faz parte do Foro de São Paulo” – movimentos claramente contrários ao perfil do governador goiano, que sempre militou na direita, sendo um dos mais comuns representares deste perfil ideológico.

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