Política

Medo de nova derrota faz Marconi evitar eleição municipal

Redação DM

Publicado em 21 de março de 2023 às 17:20 | Atualizado há 3 anos

Ao anunciar que não disputará eleições municipais em 2024, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) argumentou que não é “político oportunista”, que disputa eleições de dois em dois anos. Aos leitores da política, a informação oficial pode esconder um fato de bastidores: sua rejeição tem sido inviabilizadora de disputas majoritárias. E não seria estratégico perder novamente. 

Marconi perdeu duas eleições seguidas para o Senado – 2018 e 2022. E em uma delas existiam duas vagas, mas o ex-governador conseguiu figurar na quinta colocação. As derrotas foram motivadas por rejeição. A fadiga de sua imagem envolvia desde o cansaço com sua presença pública até as denúncias e prisões de tucanos acumuladas.

Ex-aliados e aliados de Marconi dizem que o ex-governador vive dias de solidão política. Mas a maioria tem evitado dar palpites, já que as más leituras das pesquisas levaram o político a dois fracassos que jogaram o PSDB goiano em seu pior momento. “É melhor deixar quieto. Ele sabe o que faz. Talvez esteja agora lendo corretamente as pesquisas”, diz um ex-deputado, amigo de primeira hora.

Marconi teria em mente dois cenários, dizem os políticos. O cenário 1: Iris Rezende perdeu as disputas de 1998 (ao governo) e 2002 (ao Senado), mas conquistou a prefeitura de Goiânia em 2004. Na sequência, Maguito Vilela se elegeu prefeito de Aparecida de Goiânia, em 2008, após perder para o governo em 2002 e 2006. 

Este cenário que ele descartou momentaneamente. Motivo de bastidores: avaliação negativa pode crescer na campanha.

Em Goiânia, a rejeição ao ex-governador é pior. Na disputa pelo Senado, Marconi obteve apenas 98.249 votos (14,11% dos válidos), atrás de Wilder Morais (PL) e Delegado Waldir Soares (União Brasil). E mesmo quando venceu as eleições estaduais de 2010 e 2014, o tucano foi ignorado na Capital.

A solução de Anápolis, reduto tucano desde Henrique Santillo, também deve ser descartada. Marconi foi decepcionante na eleição de 2022:14,28% dos votos válidos. De novo, terceiro mais votado.

A história política goiana guarda lições: em1992, Henrique Santillo, que havia sido governador dois anos antes, disputou mandato de prefeito em Anápolis.  Pois o maior líder político da cidade perdeu em casa, fechando melancolicamente sua trajetória.

O outro cenário, número 2, Marconi deixa em aberto: disputar vaga de deputado federal, senador ou governo em 2026. Precisa articular bem a legenda. E eleger prefeitos em 2024 para mostrar força será seu primeiro desafio. 

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