Política

Minas vira desafio para Lula e Flávio na definição de palanques para 2026

Fernando Henrique - Estágio DM

Publicado em 9 de junho de 2026 às 08:11 | Atualizado há 4 horas

Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do Brasil, tornou-se peça central nas articulações de Lula e Flávio Bolsonaro para as eleições de 2026 | Foto: Montagem/Ricardo Stuckert/PR/Zeca Ribeiro/Agencia Camara
Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do Brasil, tornou-se peça central nas articulações de Lula e Flávio Bolsonaro para as eleições de 2026 | Foto: Montagem/Ricardo Stuckert/PR/Zeca Ribeiro/Agencia Camara

Considerado um estado decisivo para as eleições presidenciais, Minas Gerais se tornou o principal desafio do PT e do PL na montagem de palanques estaduais para o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato à Presidência.

A dois meses do prazo final para as convenções partidárias, Lula e Flávio ainda não conseguiram definir quem serão seus candidatos a governador no segundo maior colégio eleitoral do país e, agora, testam nomes que antes apareciam como plano B.

Impasse no campo bolsonarista

Flávio queria cumprir a agenda da semana passada em Minas -que vinha sendo planejada há mais de um mês-, ao lado de seu candidato ao governo, mas a ideia acabou frustrada em meio a impasse com o senador Cleitinho (Republicanos).

Integrantes do PL afirmam que o apoio a Cleitinho é hoje a principal aposta do partido e admitem que a candidatura do empresário Flávio Roscoe (PL), recém-filiado, só deve ser lançada caso o senador decida não concorrer.

Um dos articuladores do palanque do PL em Minas, o deputado federal Zé Vitor (PL-MG) diz que não foi possível definir o candidato a governador a tempo do giro de Flávio Bolsonaro pelo estado, mas nega haver prejuízos para a campanha.

“O foco agora é estar em Minas, sentir Minas. Este momento exige escuta, presença e construir algo sólido para o país a partir de Minas Gerais”, diz, acrescentando que a chapa de Flávio pode ser lançada futuramente em um bom evento.

Flávio visitou a Megaleite, feira voltada para produtores rurais, foi homenageado pela Câmara Municipal de Belo Horizonte e participou de um encontro com pré-candidatos do PL mineiro na terça-feira (2).

Na quarta (3), Flávio visitou as obras do Aeroporto de Betim, na região metropolitana, e seguiu para Patos de Minas, no interior do estado, onde acontece a Festa Nacional do Milho, Fenamilho.

Cleitinho ficou em Brasília e não participou da agenda do pré-candidato a presidente. Pessoas próximas ao senador afirmam que, apesar do favoritismo, ele está inclinado a não concorrer. Quando questionado, diz que a decisão será anunciada até julho.

Associado a dois outros pré-candidatos a presidente, o governador Mateus Simões (PSD) foi descartado no mês passado pela campanha de Flávio. Simões foi vice-governador de Romeu Zema (Novo) e é do partido de outro postulante ao Palácio do Planalto, Ronaldo Caiado (PSD).

Minas é prioridade para PT e PL

Integrantes do PT e do PL em Brasília hoje admitem que a prioridade dos dois partidos não é governar o estado, mas sim construir um bom palanque para Lula e Flávio, respectivamente.

Em 2024, quando o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) atualizou os números para as eleições municipais, Minas Gerais tinha 16 milhões de eleitores, atrás apenas de São Paulo, com 33 milhões.

Além disso, tradicionalmente o candidato a presidente mais votado em Minas é vitorioso também no cômputo nacional. A última exceção ocorreu em 1950 -com Getúlio Vargas.

PT busca alternativas após recusa de Pacheco

Lula gostaria de inaugurar mais obras em Minas, mas tem evitado viagens ao estado diante da falta de uma aliança consolidada. Há o receio de declarações ou gestos do petista afastarem grupos políticos que ainda poderiam se associar à candidatura dele à reeleição.

O chefe do governo alimentou por meses a ideia de lançar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) como candidato a governador. Pacheco não só não aceitou disputar o cargo, como também decidiu encerrar sua carreira política.

Após sua recusa, o senador chegou a defender o nome do ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares (PSB) como candidato a governador. O movimento incomodou uma ala do PT.

O presidente da República passou a cogitar lançar a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), pré-candidata ao Senado, como candidata a governadora.

O diretório do partido em Minas defende uma candidatura própria no estado. Marília Campos, porém, prefere ser candidata ao Senado e aparece nas pesquisas com boas chances de vitória. Diante desse cenário, parte dos aliados do presidente avalia que ele poderá não forçar a candidatura de Marília ao governo.

Para esse grupo, é possível que o candidato lulista a governador seja o empresário Josué Gomes da Silva. Ele é filho do ex-vice-presidente José Alencar, é próximo de Lula e se filiou ao PSB a tempo de concorrer. Ele teve uma conversa preliminar com o presidente do PT, Edinho Silva, na semana passada.

Aliados do presidente da República em Minas ponderam, no entanto, que os negócios poderão demandar a atenção de Josué e atrapalhar uma eventual candidatura. Ele é dono da Coteminas, empresa têxtil que entrou em recuperação judicial. Além disso, há o receio de que a situação atual da companhia seja usada em discursos de adversários políticos para tentar desqualificá-lo perante o eleitorado.

Kalil entra no radar das negociações

Uma outra possibilidade seria uma aliança com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), pré-candidato a governador. O pedetista, porém, tem demonstrado resistência a uma chapa com Lula.

Kalil foi candidato em 2022 pelo PSD e apoiou o petista. Depois, afastou-se do presidente e se sentiu preterido por ele nos anos seguintes. Também fez uma série de críticas ao PT e ganhou a antipatia dos integrantes do partido no estado.

No fim de semana, o pré-candidato a governador discutiu o assunto com Edinho -responsável por negociar alianças políticas em nome de Lula. Interlocutores relataram à reportagem que a conversa melhorou o clima das negociações, mas foi inconclusiva. Kalil disse a Edinho que, se não for possível uma aliança no primeiro turno, apoiaria Lula no segundo turno contra Flávio.

O ex-prefeito planeja se colocar como uma terceira via na disputa pelo governo estadual. A cúpula do PDT, porém, trabalha para que a aliança com Lula seja concretizada. A avaliação é de que o país está polarizado e que uma terceira via ficaria esmagada entre o lulismo e o bolsonarismo.

De acordo com petistas a par das conversas, há dois principais obstáculos para a aliança. Primeiro, a preferência inicial de Lula por Pacheco teria aprofundado em Kalil a percepção de que foi preterido. Segundo, porque agora o tempo até as convenções partidárias, quando as candidaturas são definidas, está ficando curto.

Em reuniões com petistas, Edinho tem insistido para que se considere uma aliança com Kalil, sob o argumento de que a rivalidade com bolsonarismo fará com que se reaproximem.

Internamente, Marília Campos tem defendido uma chapa com o pré-candidato a governador e ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB). Azevedo e Edinho conversaram sobre a possibilidade de aliança na última semana. (Thaísa Oliveira/Caio Spechoto/Catia Seabra/FOLHAPRESS)


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