Mirelli Uana, a aposta da Rede na renovação parlamentar
Redação DM
Publicado em 14 de agosto de 2018 às 01:53 | Atualizado há 8 anos
A Rede Sustentabilidade chega ao final da etapa das convenções fazendo um balanço positivo de sua atuação o cenário político estadual. Aliado com o PSDB, a sigla afirma que a parceria se deu em cima “de um programa de governo onde as principais diretrizes são bandeiras primordiais da Rede, que incluem a educação, a necessidade de mais mulheres ocupando espaços na política, e o entendimento de uma governabilidade mais sustentável para o Estado”.
“O maior indicativo disso é termos a professora Raquel Teixeira como vice de José Eliton”, afirma Mirelli Uana Marques, candidata da Rede a deputada estadual.“Só ela representa a bandeira do empoderamento feminino na política ao mesmo tempo que também representa a bandeira da educação. É a única chapa no Estado com presença feminina, além de ter feito um bom trabalho à frente da pasta da educação no Estado, que trouxe inúmeras melhorias ao setor”, afirma.
“Ela agora entra para compor diretamente o alto escalão do governo, onde a educação tem a oportunidade de ter um olhar mais privilegiado em suas questões, com a sensibilidade e respaldo de uma mulher. Eu, como professora e ativista de causas que envolvem a educação e as questões da mulher, não me sentiria mais à vontade em nenhuma outra aliança, e acredito que pra Rede também não haveria outra melhor composição diante da conjuntura política estadual e suas diretrizes”, declara a candidata a deputada federal Mirelli Uana Marques.
Mirelli Uana diz que a grande chave da transformação do nosso País é priorizar e valorizar a Educação e os profissionais do setor. “É um discurso repetitivo, mas verdadeiro, e o que nos resta agora é escolher bem as pessoas que, além do discurso, dos projetos no papel, agora o colocarão à prática”.
Durante essa campanha de 2018, ela se alinha com mais alguns colegas de partido para delinear várias propostas que buscam transpor desafios e superar falsas dicotomias. Nesse sentido ela cita o também redeiro e professor Iran Teixeira, candidatoadeputadoestadualcomquem tem alinhado suas propostas visando o setor de Educação. Iran é professor da rede estadual, e afirma que, após a professora Raquel Teixeira ter assumido a pasta da Educação no Estado, “a assistência em relação à inclusão foi feita com maior atenção e carinho por parte da secretaria, apesar de ainda não ser o ideal”.
Ele salienta a necessidade de incluir na grade curricular a linguagem de sinais e também das equipes multidisciplinares nas escolas. “Essa atenção precisa ser ampliada”, diz. Para ele, “Raquel fez todo um diferencial no setor, não somente para os discentes, como para o corpo de profissionais da área. Houve uma valorização tanto para profissionais efetivos quanto para os contratos temporários”. Uma das principais lutas do professor Iran, diz, se dá na questão da inclusão social partindo do princípio da educação de qualidade para todos.
Quanto ao ensino superior, seu maior compromisso será a luta por ensino superior público, gratuito, de qualidade, nos patamares da democracia, laico, autônomo, socialmente justo, que sem dúvidas se qualifica como o maior patrimônio do povo brasileiro, precisando ser garantido, assegurado, diante dos últimos acontecimentos políticos, que coloca o caminho das universidades, campo de ensino, pesquisa e extensão no Brasil, comprometido. Mirelli cita uma das principais preocupações, visto os últimos acontecimentos e considerando a gravidade da situação, que compromete as atividades realizadas pelas instituições federais públicas, tendo em vista o orçamento da Capes (órgão que fomenta programas de formação de professores na educação básica, pós-graduação e cooperação internacional) para 2019.
Com a possibilidade eminente de corte nas verbas destinadas ao MEC para 2019, que prevê um corte na casa de 1.4 bilhão em seu orçamento, dos quais 680 milhões podem incidir sobre a Capes. O assunto tem gerado longos encontros e debates, visto que o presidente da República não sancionou a Lei das Diretrizes Orçamentarias (LDO 2019) aprovada pelo Congresso Nacional em julho, que possui regras para a composição do orçamento e, conforme o Art. 22, prevê que o orçamento para o MEC em 2019, o que inclui a Capes, deve ser o mesmo valor do orçamento de 2018, mais a correção da inflação.
A Capes enviou ofício ao MEC destacando sua preocupação com o risco de descontinuar seus programas de formação a partir de agosto de 2019, caso o orçamento da agência fosse menor que o estabelecido pela LDO. A medida impactaria diretamente 105 mil bolsistas, segundo a Capes, podendo haver uma possível suspensão do pagamento de todos os bolsistas de mestrado, doutorado e pós-doutorado, impactando mais de 93 mil discentes e pesquisadores, com a interrupção dos programas que fomentam à pós-graduação no Brasil.
Esses fatos para a candidata são um risco muito grande, visto que existem setores mais conservadores no País que defendem o fim da pós-graduação gratuita, fomentando o mercado da educação de baixíssima qualidade, e que ainda é pago, das instituições privadas. “Isso pode determinar um regresso para a educação, fazendo com que a pesquisa fique cada dia mais na mão da elite, consequentemente será o setor que fomentar a pesquisa que terá o poder de escolher os programas de pós que irão investir, direcionando de acordo seus interesses. Não existiria assim compromisso com a melhoria do País em todos os espaços, o impacto na educação seria desastroso. O ideal é que esses programas fossem expandidos, principalmente os voltados para a educação básica, são programas que ajudam a suprir as dificuldades apresentadas pelos professores que tiveram acesso aos cursos de péssima qualidade de formação de professores pelo País.”
O ministro da Educação, sr. Rossieli, afirmou em nota no dia 3 de agosto, e durante o Congresso Internacional de Jornalismo de Educação, realizado em São Paulo, que as bolsas da Capes não sofrerão cortes. Apesar das declarações, o clima é de preocupação. O governo federal tem até hoje, 14 de agosto, para sancionar o documento.
“Diante dessas e outras situações, defender a universidade pública, a qual estou diretamente ligada enquanto mestranda, é um compromisso irrenunciável, é um dever. Junto à comunidade acadêmica, podemos trabalhar em prol de alcançarmos as metas do PNE para o ensino superior. Acredito ser muito importante para nosso crescimento e desenvolvimento enquanto sociedade civil organizada, que a comunidade ande em parceria com o governo e tenha um olhar mais carinhoso, atento, fraterno para garantir os recursos necessários em prol da universidade, tão pouco defendida, sendo alvo de desrespeito e ataques nos últimos tempos. Local que é o berço do futuro da nossa tecnologia, pesquisa e desenvolvimento sustentável. ”
Mirelli frisa que precisamos valorizar o que nos faz ser melhor enquanto indivíduos, e coletivo.
“Precisamos desconstruir essa ideia de segregação que anda presente no nosso dia a dia, e entender que esse sentimento de ‘ou está comigo ou é meu inimigo’ precisa cessar. Passou da hora de pensarmos em valorizar nossas melhores qualidades e investirmos nelas. Ainda acredito naquele brasileiro amoroso, cordial com seu próximo, que entende a necessidade do diálogo, do escutar, do significado de ser humano, da ética do respeito, de ser transparente e trabalhar com coerência. Valores esses que pretendo pautar meu trabalho em prol da minha comunidade.”
Precisamos desconstruir essa ideia de segregação que anda presente no nosso dia a dia, e entender que esse sentimento de ‘ou está comigo ou é meu inimigo’ precisa cessar. Passou da hora de pensarmos em valorizar nossas melhores qualidades e investirmos nelas”