“Não jogo a toalha. Vou até o final, doa a quem doer”
Redação DM
Publicado em 28 de junho de 2017 às 04:28 | Atualizado há 9 anos
O presidente da Agência Municipal de Turismo, Eventos e Lazer (Agetul), Alexandre Magalhães – que também é presidente estadual do PSDC -, esclarece, em entrevista exclusiva ao Diário da Manhã, a respeito da denúncia de uma ex-funcionária – que está presa – sobre seu envolvimento com possível caixa dois no Parque Mutirama desde que assumiu a gestão, em fevereiro de 2017.
Larissa Cordeiro, em seu quarto depoimento ao Ministério Público – conforme o próprio Alexandre, acusa o atual presidente da Agetul de participar da fraude com ingressos do parque e que vereadores do PSDC também teriam recebido dinheiro.
Ao DM, Magalhães afirma que desde que assumiu a pasta e tomou ciência das fraudes dentro da instituição, levou pessoalmente os documentos de provas ao Ministério Público. Pouco tempo depois, o MP deflagrou a Operação Multigrana que determinou a prisão de oito ex-dirigentes e funcionários da Agetul, como o ex-presidente Sebastião Peixoto. Alexandre Magalhães lembra que a ex-funcionária que fez a denúncia contra ele trabalhava na gestão de Peixoto e era a chefe administrativa-financeira.
“Quando assumimos, em janeiro, observamos esse desvio de dinheiro, pontuamos e levamos ao Ministério Público, fomos várias vezes ao MP. Fomos tentando fechar o cerco que vinha acontecendo nas gestões passadas. A Larissa, que fez a denúncia, foi a chefe administrativa-financeira do Sebastião Peixoto – ela trabalhou na gestão dele toda -, e quando assumi, os cargos técnicos deixei o pessoal de carreira e continuamos trabalhando. Ela continuou nessa mesma função que tinha exercido para o Sebastião Peixoto”, explicou o atual presidente da Agetul.
Magalhães ressalta que, antes da ex-funcionária ser apreendida, ele a acompanhou ao Ministério Público para que colaborasse com as investigações. Conforme o entrevistado, Larissa mentiu nas declarações nos três depoimentos prestados e somente no quarto depoimento a mesma afirmou que Alexandre Magalhães estaria participando do esquema de caixa dois no parque. “Depois de presa, dentro da Agetul não foi pego nada, ela [Larissa] aparece com um pendrive ou HD para entregar ao MP. Então surgem as questões: Quem fez isso? Por que não estava dentro da Agetul? Por que estava com ela? A má fé era de quem? Meu computador está aqui, pode levar e escanear quantas vezes for preciso”, expõe
O entrevistado acredita que a ex-funcionária tenha feito tal acusação contra ele após orientações dos advogados: “É um jogo dos advogados em cima disso para criar a figura do caixa dois – que ficou normal em Brasília, na Odebrecht – para tentar não criminalizar as gestões passadas. Ou seja, a corrupção deles estão querendo falar que é caixa dois. É o jogo dessas pessoas. Eu ficando pagando esse preço caro, infelizmente, dói meu coração, da minha família, dos meus amigos. Mas vou até o final mostrar o que vem acontecendo dentro da Agetul, doa a quem doer”.
Transparência
Como forma de transparência de sua gestão à frente da Agetul, Alexandre Magalhães afirma que tem enviado ao MP, toda semana, as planilhas de arrecadação do Mutirama e Zoológico. Outra ação para garantir a transparência da pasta é na contagem do dinheiro: “A gestão aqui é tão transparente que ninguém mexe com dinheiro sozinho. Eu criei um Comitê, porque dinheiro é uma coisa que chama atenção, então, quando vai buscar o caixa vão três, quatro ou cinco funcionários, para publicar no Diário Oficial. Quando vai contar o dinheiro também são três, quatro ou cinco funcionários, para abrir o cofre é a mesma coisa. Esse é o sistema, mas até quando ela [Larissa] estava, ela quem comandava isso”, explica.
Em relação a acusação de favorecimento aos vereadores de seu partido, Magalhães garante que como presidente da Agetul tem atendido aos pedidos de todos os vereadores, independente de sigla partidária. “O que percebi é uma jogada política para apertar os vereadores do PSDC, criar um ambiente ruim e desqualificá-los. Todos os vereadores que vieram aqui os atendi em pedidos, mas em pedidos de ingressos que tenho bonificação, em pedidos de abrir o Mutirama para ONGs, entidades de caridades e escolas municipais, tanto do PSDC, do PSDB, qualquer partido. Atendi Lucas Kitão (PSL), Vinicius Cirqueira (PROS), Carlin Café (PPS), Dra. Cristina (PSDB). Todos que vieram aqui, sem exceção”, assegura Alexandre Magalhães.
Questões políticas
Sobre quem pode estar por trás de tal denúncia, já que assegura se tratar de mentiras, Alexandre acredita se tratar de uma questão política, mas afirma não ver nenhum partido específico. “Vejo pessoas do mal. São pessoas que estão na política, pessoas que estão na Administração e que têm interesse aqui [Agetul]. Não vou falar nomes, deixa o MP achar tudo, porque depois ainda vão falar que estou acusando as pessoas e não vou acusar ninguém”, o presidente ainda continua: “Ainda, existe um grupo que não me engole dentro da gestão do prefeito Iris Rezende. Não aceitam minha amizade com o prefeito, a amizade do meu pai e da minha família. São as forças ocultas que venho sofrendo dentro da Agetul para tentar moralizar”.
Alexandre também afirma que a ex-servidora que o denunciou é envolvida com algum grupo político, salientando que “além de ter sido chefe administrativa-financeira da ex-gestão de Sebastião Peixoto, ela foi bonificada por ele em uma concessão de quiosque dentro do Mutirama, sem licitação e que está no nome da irmã dela. Ou seja, ela está ligada a outro grupo e outros interesses. Hoje, ela tem uma permissão de vendas de alimentos ganhada de presente do ex-gestor Já enviei tudo ao MP, e têm ciência disso”, ressalta.
Questionado se pretende deixar a pasta devido aos escândalos de corrupção, Alexandre é enfático: “Não há motivo. Não vou ter medo. Se sou um homem que procurei o MP e estou enfrentando forças que nem se imaginam. Vou jogar a toalha por causa dessa meia dúzia de bandidos e picaretas? Não jogo não. Vou até o final, doa a quem doer”, declara.