Política

Novo confronto entre iristas e marconistas em Goiás

Redação DM

Publicado em 12 de julho de 2015 às 00:11 | Atualizado há 1 ano

Se, no passado, a disputa eleitoral em Goiás era entre o PSD e a UDN, desde 1998, quando houve o primeiro confronto entre Iris Rezende e Marconi Perillo, a política estadual não apresentou novidades. Os embates foram protagonizados pelos grupos do peemedebista e do tucano. No plano estadual e nos municípios, o saldo é favorável aos seguidores do governador Marconi Perillo (PSDB), em prejuízo dos adeptos do ex-governador Iris Rezende (PMDB).

Na disputa pelo governo de Goiás, Marconi Perillo e seus aliados venceram todos os pleitos: o próprio tucano ganhou em 1998 (de Iris); em 2002 (de Maguito Vilela); em 2006, Alcides Rodrigues, apoiado por Marconi (de Maguito); em 2010, novamente Marconi (de Iris); e, por último, em 2014, Marconi (de Iris). O placar: cinco vitórias consecutivas do marconismo sobre o irismo.

A supremacia do marconismo só não é total na Capital: nenhum candidato apoiado pelo tucano venceu as eleições desde que Marconi chegou ao Palácio das Esmeraldas, em 1999. Os seus candidatos ao Paço – Lúcia Vânia, Sandes Júnior, Pedro Wilson (segundo turno) e Jovair Arantes não obtiveram êxito nas urnas. Os peemedebistas comemoram esses feitos: o governador comanda vitórias memoráveis, em nível estadual e municipal, menos em Goiânia.

 

POLARIZAÇÃO

A chamada terceira via já foi tentada, várias vezes, na disputa pelo governo de Goiás e também pela Prefeitura de Goiânia, mas não consegue quebrar a polarização entre o marconismo e o irismo.

Na corrida ao Palácio das Esmeraldas, o PT tentou se impor como terceira via, sem sucesso. O melhor desempenho eleitoral foi da ex-vereadora goianiense Marina Sant’Anna, em 2002 que, apesar de boa votação, ficou em terceiro lugar, perdendo para Maguito Vilela (PMDB) e Marconi Perillo (PSDB), o vitorioso.

O empresário Vanderlan Cardoso (ex-PR e agora PSB) tentou quebrar a polarização PSDB/PMDB, ou seja, entre Marconi e Iris, mas, também, fracassou. Disputou o governo de Goiás em 2010 e 2014 e ficou em terceiro lugar. No interior, predomina a velha disputa entre o marconismo e irismo, que se revezam na hegemonia pela maior quantidade de prefeituras conquistadas, a cada pleito. Ou seja, o embate fica entre o PSDB e o PMDB. Os demais partidos se distanciam há hora da contagem de votos para as prefeituras goianas. Marconi Perillo e Iris Rezende constituem, efetivamente, nos principais protagonistas da política do Estado.

Nas disputas pelas prefeituras goianas, desde 2000, o PSDB e o PMDB lideram as vitórias nas urnas, os marconistas tendo a máquina administrativa do Estado como favor de desequilíbrio e os peemedebistas utilizando-se apenas os trunfos dos discursos oposicionistas.

Nas grandes cidades, como Aparecida de Goiânia, Anápolis, Itumbiara, Rio Verde, Jataí, Trindade, Catalão, Goianésia, Porangatu, Luziânia, Formosa, Águas Lindas, por exemplo, o ambiente político, a cada eleição, fica tenso, carregado, agitado, sempre com a polarização entre marconistas e iristas. Os dois grupos se alternam na ocupação dos principais colégios eleitorais do Estado.

Dirigentes, deputados federais e prefeitos do PSDB justificam as cinco vitórias sucessivas de Marconi Perillo para o governo de Goiás a vários favores, entre eles ao desempenho administrativo “inovador” do governador, enquanto que, para eles, Iris Rezende acumula derrotas exatamente por não estar sintonizado “com os tempos modernos.”

Os cardeais peemedebistas acusam o governador de utilizar a máquina administrativa e o poder econômico para “massacrar” a oposição e, principalmente, Iris Rezende, nos pleitos estaduais.

NOVO EMBATE

O cenário político, para 2016, não é diferente daquele vivido em Goiás até 2014, ou seja, a polarização entre marconistas e iristas prevalece, sem chances para o surgimento de um terceiro agrupamento. De novo, vão sair às ruas, para pedir votos aos eleitores, os seguidores do atual governador e do ex-governador.

Na Capital, o PSDB marconista já avisou: vai lançar candidato próprio à sucessão do prefeito Paulo Garcia (PT). O nome ainda não está definido, mas existem sete tucanos dispostos a representar o partido na corrida pela prefeitura. O PMDB já escalou o seu candidato: o próprio Iris Rezende, que já foi prefeito de Goiânia por três mandatos. Aos 82 anos (serão completados em dezembro), Iris vai, portanto, concorrer ao quarto mandato de prefeito.

No interior, o PMDB destituiu todos os diretórios e formou comissões provisórias nos 246 municípios exatamente para expurgar os possíveis marconistas infiltrados na legenda. O PMDB não apoia, não aceita vice nem faz coligação com quem pertença ao PSDB ou que seja ligado ao governador Marconi Perillo. É a descontaminação total dos peemedebistas em relação aos tucanos. Por sua vez, o PSDB que, em 2014, recebeu apoio de 21 dos 55 prefeitos do PMDB, vai atrair esses dissidentes para os seus quadros, inclusive sinalizando com apoio à reeleição. Qual peemedebista rebelde ao comando de Iris Rezende será bem-vindo pelas bandas do Palácio das Esmeraldas.

Assim, será, mais uma vez, acirrada a disputa, em todo o Estado, ano que vem, entre tucanos e peemedebistas, entre marconistas e iristas. Afinal, as eleições para as 246 prefeituras será uma preliminar para o grande embate eleitoral de 2018, quando, novamente, os dois principais grupos políticos estarão disputando o principal mandato eletivo: o governo de Goiás.

IRIS REZENDE (PMDB)

  • Nasceu em Cristianópolis.
  • É casado com a homônima Iris e tem três filhos.
  • Vereador em Goiânia em 1958.
  • Prefeito de Goiânia por três mandatos, o primeiro foi em 1965.
  • Teve o mandato de prefeito cassado pelo regime militar em 1969.
  • Deputado estadual (inclusive presidente da Assembleia Legislativa), em 1962.
  • Governador de Goiás por dois mandatos, o primeiro foi em 1983 até 1986, e o segundo de 1991 a 1994.
  • Ministro da Agricultura no governo Sarney, em 1987.
  • Presidiu a Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante do Senado.
  • Voltou a ser ministro na primeira gestão de FHC, quando comandou a pasta da Justiça (de 1997 a 1998).
  • Em 1998, candidatou-se a governador goiano, quando foi derrotado por Marconi Perillo.
  • Em 2002, concorreu ao senado, sendo derrotado por Demóstenes Torres(PFL) e Lúcia Vânia (PSDB).
  • Em 2004, candidatou-se a prefeitura de Goiânia, obtendo 299.272 votos, ou 47,47% dos votos válidos no primeiro turno. No segundo turno enfrentou o então prefeito Pedro Wilson (PT), derrotando-o com 56% dos votos válidos, somando quase 350 mil votos.
  • Iris foi reeleito prefeito de Goiânia nas eleições municipais de 2008.
  • No dia 1º de abril de 2010, renunciou ao cargo para poder ser candidato nas eleições do mesmo ano. O então vice-prefeito Paulo Garcia assumiu a prefeitura.
  • Novamente em 2010, candidatou-se a governador goiano, quando foi derrotado mais uma vez por Marconi Perillo (PSDB).
  • Em 2014, disputa o governo de Goiás, sendo, mais uma vez, derrotado por Marconi Perillo (PSDB).

MARCONI PERILLO (PSDB)

  • Bacharel em Direito.
  • Doutor Honoris causa pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e pela Universidade Estadual de Goiás (UEG).
  • Foi deputado estadual, deputado federal, senador – atuando inclusive como vice-presidente da Casa.
  • Governador do Estado de Goiás por quatro mandatos.
  • Casado com Valéria Jaime Peixoto Perillo, é pai de duas filhas: Isabela e Ana Luísa.
  • Nasceu no dia 7 de março de 1963, na capital de Goiás, residindo, no entanto, em Palmeiras de Goiás, terra de seus pais, Marconi Ferreira Perillo e Maria Pires Perillo, durante sua infância.
  • Iniciou-se na vida política ainda jovem, por meio da militância juvenil do PMDB, no início da década de 1980, sendo duas vezes presidente do PMDB-Jovem de Goiás e presidente nacional da Juventude do PMDB.
  • Assessor especial do governador Henrique Santillo.
  • Em 1990, apesar da cisão no PMDB, foi eleito deputado estadual.
  • Em 1994, foi eleito deputado federal pelo extinto Partido Popular, agremiação da qual chegou à presidência do Diretório Regional.
  • Em 1995, filiou-se ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e foi vice-líder.
  • Em 1998, foi eleito com quase um milhão de votos, garantindo a maioria das intenções no primeiro turno e a vitória em segunda votação, que o colocou no Palácio das Esmeraldas, aos 35 anos, o governador mais jovem já eleito no País.
  • Em 2002, foi reeleito, no primeiro turno, com 51,2% dos votos válidos.
  • Deixou o cargo em 2006, quando foi eleito senador da República pelo PSDB com mais de dois milhões de votos *Decidiu-se retornar ao Estado, em 2010, lançando nova candidatura ao Governo de Goiás, da qual saiu vencedor.
  • Em 2014, foi reeleito novamente, se tornando o primeiro a governar Goiás por quatro vezes.

 

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