O arco de alianças do PMDB
Redação DM
Publicado em 4 de abril de 2017 às 02:45 | Atualizado há 9 anos
Importantes dirigentes do PMDB goiano querem mudar radicalmente a estraégia da sigla com vistas às eleições do ano que vem. A primeria diretriz é: não repetir os mesmos erros do passado. Há quase vinte anos o PMDB vem perdendo eleições para as forças marconistas, porque comete os mesmos erros.
Um erro recorrente do PMDB, determinado pelo intenso sectarismo dos peemedebistas em geral e dos iristas em particular, está na formação da chapa majoritária. O PMDB não cede em nada, quer tudo para si. É bem verdade que, nas duas últimas eleições, a sigla fez concessões, motivadas sobretudo pela necessidade de aumentar seu tempo de televisão, a fim de que seus marqueteiros tivessem mais espaço para encher linguiça.
Em 2010, o PMDB cedeu uma senatoria para o PT, que indicou Pedro Wilson. Em 2014, cedeu a senatoria a Ronaldo Caiado. Agora, segundo uma alta fonte peemedebista, que falou off the record a este repórter, o PMDB lançará candidato a governador e cederá todo o resto a outros partidos. Serão cinco cargos: duas senatorias, duas vice-senatorias e a vice governadoria. Todos esses cargos deverão ser entregues a aliados.
O objetivo seria formar, assim, uma chapa politicamente consistente e somar um excelente tempo de televisão. Seria uma chapa com pelo menos seis partidos representados por candidatos. Quais seriam esses candidatos?
Caberia aos partidos aliados fazer soberanamente a indicação. Nos tempos em que Iris mandava e desmandava no PMDB, era ele mesmo quem definia o nome do candidato que o aliado deveria indicar. Se Iris não o aprovasse, nem haveria coligação.
Mas agora o poder de Iris sobre o PMDB já não é absoluto. Outros poderes internos se levantam. Uma poderosa ala do partido quer que o candidato a governador seja Daniel Vilela. O pai do rapaz, o ex-prefeito, ex-senador e ex-governador Maguito Vilela, vem afirmando que não será candidato a qualquer cargo. Isso deixa o PMDB à vontade para negociar a chapa com outros partidos.
Há os que, dentro do PMDB, gostariam que Ronaldo Caiado, do DEM, fosse o candidato do partido. Veem em Ronaldo uma possibilidade de vitória que o jovem Vilela não oferece ainda. Mas até os caiadistas do PMDB exigem que Caiado se filie à sigla para vir a ser o candidato dos peemedebistas ao governo do Estado. Caiado, é claro, não vai por os pés na arapuca.
Políticos experientes seguem à risca o preceito popular que recomenda a macaco gordo não pular em galho seco. Henrique Meirelles, Júnior Friboi e Vanderan Cardoso já conhecem o golpe. Filiam-se ao PMDB na crença de que serão candidatos e, uma vez lá dentro, o irismo puxa-lhes o tapete. Um perigoso adversário é atraído para dentro da cidadela e, uma vez lá, eliminados. Caiado teria que ser muito ingênuo para cair no truque. Filiado ao PMDB, não haveria garantias de ser o candidato a governador. Teria que disputar em convenção com Vilela. Sairia derrotado, sem dúvida. Resumo da ópera. Caiado terá que sair candidato a governador pelo próprio DEM, se é que de fato se candidataria a governador.
Caiado levaria o PMDB para o isolamento. Com Vilela, há possibilidades de o PMDB formar um leque bem mais amplo de forças antimarconistas. Os peemedebistas estão na expectativa de atrair, por exemplo, a senadora Lúcia Vânia e seu PSB. Como se sabe, ela já foi banida da base aliada marconista. A chapa marconista já foi anunciada por Marconi Perillo e nela não há lugar para Lúcia Vânia.
Também existe expectativa de atração do ex-deputado Vilmar Rocha, um que dias atrás andou conversando com Maguito Viella. Vilmar não ficou satisfeito com o arranjo marconista. Publicamente, ele prefere não se manifestar. Mas ele se sente frustrado. Espera ser indicado candidato a senador na chapa a ser encabeçada por José Eliton. Outra coisa não lhe serve. Assim, ele acabou, involuntariamente, se tornando um ponto fora da curva, um átomo da última camada, prestes a escapar da órbita.
Certo, o partido de Vilmar foi contemplado com a vice na chapa marconista: Thiago Peixoto. Mas a convenção do PSD terá que aprovar este arranjo. Mesmo porque quem escolheu Thiago foi Marconi, não os órgãos dirigentes do PSD.
Outro que poderá vir a formar na chapa majoritária liderada pelo PMDB é o ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide, atualmente filiado ao PT. Gomide traria para a chapa a força de Anápolis, uma cidade onde o PMDB sofre derrotas humilhantes a cada dois anos. Gomide poderia vir até mesmo na condição de vice.
Neste caso, porém, ele não viria pelo PT, mas pelo PDT. O deputado Karlos Cabral, que já foi petista e agora está no PDT, vem tentando viabilizar a vinda de Gomide para a sigla brizolista. Há dificuldades. Atualmente, o PDT goiano está sob gestão da deputada federal Flávia Morais. A deputada está comprometida com Marconi e quer entregar a sigla ao marconismo. Já Cabral não tem compromisso nenhum com Marconi. Nem com Marconi nem com o PMDB, embora ande conversando bastante com Daniel. De resto, Flávia, por ter votado pelo impeachment de Dilma, violando orientação expressa da direção nacional, está em vias de perder o comando da sigla em Goiás e está sujeita a expulsão.
O próprio PT goiano pode vir a compor esta chapa com Daniel. Desde que Caiado não participe da coligação, os petistas aceitam fazer parte dela. A banda peemedebista antipetista é aquela ligada a Iris Rezende. O PT gosta de Maguito. Apoiou durante oito anos a administração dele em Aparecida, tendo participado do alto escalão do governo. Existem problemas a serem superados, é claro, mas o canal de diálogo está aberto.
O fato é que são amplas as possibilidades do PMDB formar uma chapa competitiva para enfrentar o marconismo. Tudo vai depender da habilidade dos atuais dirigentes de costurar os acordos necessários. Habilidade é coisa que os peemedebistas deixaram de ter há tempos. Mas a necessidade acaba ensinando alguma coisa até aos mais relutantes em aprender.
Outra mudança estratégica sugerida pelos setores mais lúcidos da sigla é uma radical mudança de atitude em relação ao governo. Ainda há no PMDB quem acredite em oposição à moda antiga: insultos ao governante, ofensas morais, denuncismo vazio, manifestação de ódio e total incapacidade de propor alternativas.
Não é por aí. Os peemedebistas e seus aliados terão que, em primeiro lugar, identificar as falhas do atual governo, posto que existem, e apresentar alternativas válidas. Sem um programa capaz de unificar o campo oposicionista e pautar o debate político, o PMDB estará marchando para a sua sexta derrota.