“O eleitor quer que os políticos se apresentem com honradez espírito público”
Redação DM
Publicado em 31 de agosto de 2018 às 02:30 | Atualizado há 8 anos
Em segundo mandato como representante de Goiás no Senado, um fato inédito na história política do Estado, Lúcia Vânia (PSB) quer quebrar outro tabu: conquistar três mandatos sucessivos nas urnas para a Corte Alta do Parlamento.
No Senado, nesses quase dezesseis anos, Lúcia Vânia tornou-se a “representante dos municípios goianos”, já que atuou em defesa da parte menor da Federação. “Lúcia Vânia é a senadora do social”, costuma dizer o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que a convocou para ocupar a Secretaria Nacional de Assistência Social em seu governo.
Lúcia Vânia, que aparece bem nas pesquisas para retornar ao Senado Federal, principalmente por estarem em disputa duas vagas, tem uma visão própria sobre a descrença da população com os políticos. “Creio que o desejo de renovação política esteja relacionado aos escândalos de corrupção que envolveram dezenas de políticos. Entendo que as pessoas desejem como mudança que os políticos se apresentem com integridade, consciência, honradez e seriedade”.
Sobre o discurso de mudança, de alternância de poder, de “fadiga” dos 20 anos de poder do grupo liderado pelo ex-governador Marconi Perillo, a senadora do PSB diz: “A alternância de poder deve representar também inovação e não vejo mudança naquilo que os candidatos de oposição apresentam. Haveria mudança se eles representassem o campo da esquerda ou centro-esquerda. Mas ambos estão posicionados no centro dentro do espectro ideológico. Qual mudança eles podem representar?”
ÍNTEGRA DA ENTREVISTA
Qual o balanço, de forma resumida, que a senhora faz do seu trabalho, no atual mandato, no Congresso Nacional?
– No Congresso, sou presidente da Comissão de Educação e tenho dado uma atenção especial à educação na primeira infância. O desenvolvimento nessa fase da vida é essencial para a formação do indivíduo. O Brasil precisa, com urgência, retomar centenas de obras de creches paralisadas no país em razão de equívocos cometidos pelo governo federal, que centralizou as licitações das obras e adotou um modelo de creches não difundido no país. Diante da dificuldade dos municípios, muitas estão paradas. Tenho articulado junto ao MEC e ao TCU maneiras de desbloquear essas obras e, em Goiás, já foram liberadas creches em diversas cidades. Presidi a Comissão de Assuntos Sociais, onde regulamentei a Lei Nacional do Idoso e a carreira dos agentes de saúde e combate às endemias. Na área social, tenho vários outros projetos que melhoraram a vida das pessoas. À frente da Comissão de Desenvolvimento Regional, recriei a Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), órgão que coordena as políticas de Desenvolvimento na região, e também criei o Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste, o FDCO, que financia obras para impulsionar a economia da região. Atualmente, o fundo já financiou R$ 1,9 bilhão na região e gerou 50 mil empregos. Além de atender todos os municípios goianos em suas demandas. Relatei uma das mais importantes leis de combate a violênciadoméstica–aLeiMariadaPenha. Fui autora e relatora de alguns projetos para equilibrar as contas do estado e municípios dentro da Agenda Brasil, Convalidação dos Incentivos Fiscais, reativação do Auxílio Financeiro para Fomento das Exportações (FEX), repatriação dos ativos dos brasileiros no exterior, entre outros.
O discurso de mudança e renovação predomina nesta campanha eleitoral, diante do desgaste da classe política perante a população. O que a senhora pensa a respeito?
– Creio que o desejo de renovação política esteja relacionado aos escândalos de corrupção que envolveram dezenas de políticos. Entendo que as pessoas desejem como mudança que os políticos se apresentem com integridade, consciência, honradez e seriedade. Desejam transparência, compromisso com a verdade e sem manipulação das palavras; que não vejam a corrupção como fato normal da vida. A verdadeira mudança neste quadro que está posto no nosso país está na indignação do ente público com o que está errado e na coragem para mudar o que precisa ser mudado.
Com 52% do eleitorado brasileiro, as mulheres ocuparão maior destaque na política nacional a partir das eleições deste ano?
– Infelizmente, não o suficiente. Apesar de a lei assegurar o cota de 30% das vagas de candidaturas e de termos conseguido garantir que 30% do Fundo Partidário sejam destinados às campanhas das mulheres, ainda é tímida a presença das mulheres no mundo político.
O legado dos governos de Marconi Perillo será suficiente para suplantar o discurso da oposição de um novo tempo na política do Estado?
– É inegável o avanço que os governos de Marconi Perillo trouxeram para Goiás em todas as áreas. Se o discurso da oposição estiver baseado na crítica ao legado de Marconi, com certeza José Eliton não terá dificuldades para suplantá-lo.
José Eliton está estacionado em 10% de intenção de votos desde que assumiu o governo, em 7 de abril. A senhora acredita que esse cenário poderá mudar até 7 de outubro?
– Acredito que ainda não houve tempo para José Eliton se tornar conhecido em todo Estado e o número de indecisos aponta que muitos eleitores ainda não escolheram seu candidato. Creio que José Eliton deve ir para o segundo turno e, aí, será uma nova eleição. Estamos otimistas com o que estamos vendo nos municípios que visitamos.
A oposição em Goiás, representada por Ronaldo Caiado (DEM) e Daniel Vilela (MDB), defende a alternância de poder, alegando a “fadiga” de 20 anos do PSDB e aliados no poder. O que a senhora diz?
– A alternância de poder deve representar também inovação e não vejo mudança naquilo que os candidatos de oposição apresentam. Haveria mudança se eles representassem o campo da esquerda ou centro-esquerda. Mas ambos estão posicionados no centro dentro do espectro ideológico. Qual mudança eles podem representar? A principal inovação é o avanço. A partir de experiências bem sucedidas, como as que temos, e de uma visão global e profunda das questões do estado e do Brasil. Conhecer e propor novas soluções, isso é uma mudança efetiva.
O País vai para a bipolarização entre esquerda e direita na sucessão presidencial (Lula/ Haddad e Jair Bolsonaro)?
– É preciso que aprendamos com o nosso erros e, diante dessa crise econômica que o país atravessa, não podemos eleger algum aventureiro ou apostar em receitas que já se provaram equivocadas.
O PSB está neutro da sucessão presidencial. A senhora apoia Geraldo Alckmin, candidato da sua coligação em Goiás?
– Sim, apoio Geraldo Alckmin justamente por achar que devemos, nessa hora de crise, eleger alguém experiente, que tenha compromisso com o desenvolvimento sustentável do país. Não podemos nos dar ao luxo de errar.
O que Alckmin poderá apresentar de novidade se virou candidato do Centrão, o grupo que abriga os condenados da Lava Jato?
– Acredito que Alckmin tenhacompetênciapara construir no Congresso uma base programática e responsável, preservando o diálogoeaspropostas de governo que tem apresentado.
Acredito que ainda não houve tempo para José Eliton se tornar conhecido em todo Estado e o número de indecisos aponta que muitos eleitores ainda não escolheram seu candidato”
Relatei no Congresso uma das mais importantes leis de combate a violência doméstica – a Lei Maria da Penha. Fui autora e relatora de alguns projetos para equilibrar as contas do estado e municípios dentro da Agenda Brasil”