Os desafios de Iris
Redação DM
Publicado em 7 de abril de 2017 às 02:37 | Atualizado há 1 ano
A população está cada vez mais crítica aos governantes. O fracasso do governo golpista de Michel Temer (PMDB-SP) contamina a avaliação de todos os governantes. Temer, que assumiu após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT-MG), prometendo retomar o crescimento econômico, jogou o País num buraco de recessão e 13, 5 milhões de desempregados. Resultado: Temer tem apenas 7,4% de aprovação, o govenador Marconi Perillo (PSDB) somente 19,2% e o prefeito Iris Rezende (PMDB) 36,2%, conforme registrou a pesquisa do instituto Serpes, publicada no último domingo pelo jornal O Popular.
São muitos os desafios do prefeito de Goiânia. O primeiro deles é a relação com a Câmara Municipal, onde ainda não foi escolhido nem o líder do governo. A população cobra soluções para o caos na saúde, quer ver sair do papel obras como o BRT e o Macambira Anicuns, além do recapeamento de ruas e avenidas e melhorias na iluminação pública.
Não está fácil para ninguém e o prefeito Iris Rezende (PMDB) certamente sabe disso. Próximo de completar os primeiro cem dias de governo, ele vem procurando demonstrar tranquilidade, sinalizando que está “botando ordem na casa”, para poder deslanchar o seu projeto de governo.
Os sinais neste sentido são claros. O secretário de Finanças, Oseias Pacheco, tem sido transparente nas conversas com fornecedores e os sindicatos representativos dos servidores públicos. De acordo com Oseias, a determinação do prefeito é garantir a qualidade de todos os serviços prestados pela prefeitura. Neste sentido, ele tem negociado a regularização dos pagamentos aos fornecedores da prefeitura, desde aqueles que prestam serviços ou fornecem insumos para a limpeza urbana, ou aos hospitais que atendem aos servidores públicos através do Imas (Instituto Municipal de Assistência Social). Num encontro com sindicalistas enfatizou que o pagamento da folha é prioridade, assim como garantir os recursos necessários à saúde, educação e obras públicas.
Obras
A pesquisa Serpes tem indicativos claros de que a população acompanha com interesse as obras de impacto na vida da capital. A maioria dos entrevistados (59,6%) deseja que o BRT Norte-Sul tenha o seu percurso pelo centro de Goiânia. No projeto original, aprovado na gestão de Paulo Garcia (PT), o traçado do BRT tem início no terminal do Cruzeiro do Sul, descendo até o centro, passando por debaixo do Centro Administrativo, com estação na Praça do Bandeirante, seguindo pela Avenida Goiás no centro, até o Recanto do Bosque, na região Noroeste da capital. A prefeitura quer mudar o projeto original, mas os usuários do transporte coletivo preferem que seja seguida a ideia original. Não é novidade para ninguém que o transporte em Goiânia é caro, ruim, desconfortável, não cumpre horários e não respeita o usuário. Por isto, a ânsia de quem toma ônibus é que ele seja eficiente e cumpra o seu papel.
O projeto Macambira Anicuns é outra obra que desperta interesse direto da população. A cidade, que é consagrada com cerca de 40 parques, vê nestas áreas de preservação a oportunidade para exercitar o lazer e a prática esportiva. O goianiense preza este contato com a natureza e vê com bons olhos o projeto idealizado pelo prefeito Pedro Wilson (2001-2004) e que teve sequência com Paulo Garcia (2010-2016).
Outra mudança que gera expectativa na população é a substituição da iluminação pública, das atuais lâmpadas incandescentes para as luminárias de LED. Estas novas lâmpadas têm maior emissão de luz e ampliam a segurança nas ruas, avenidas e parques da capital. Numa cidade onde os índices de violência só aumentam, o investimento em iluminação pública é visto com muita expectativa pelos contribuintes. Segundo o Serpes, 46,4% dos goianienses apontam a segurança como maior problema da capital.
Saúde
De acordo com a pesquisa Serpes, 71,3% dos goianienses veem a saúde como o problema número um em Goiânia. E aí é necessário que seja feita justiça: a prefeitura paga muito alto o preço de Goiânia ser uma das principais referências em saúde no Centro-Norte-Nordeste do País. Os cais e hospitais municipais recebem pacientes de todo o Estado de Goiás e também de outras unidades da federação, como o Tocantins, Pará, Maranhão, Bahia, Rondônia, Roraima, só para ficar em alguns exemplos.
Há muito tempo que os prefeitos da capital reclamam que o governo do Estado não dá sua contrapartida aos serviços prestados pelas unidades de saúde do município. Com a privatização dos hospitais estaduais (rede Hugo, HDT, Materno Infantil), que estão sendo geridos pelas OS´s, a Secretaria Municipal de Saúde reclama que os pacientes estão sendo dispensados pelas OS´s e, inevitavelmente, procuram atendimento nas unidades de saúde do município. Enquanto esta situação não for equacionada, quem paga o pato é o contribuinte da capital, que se depara com Cais e Ciams lotados.
Saiba mais
Obras e serviços que demandam a atenção da prefeitura:
1 – Construção da Maternidade Oeste, no Conjunto Vera Cruz
2 – Continuação do Projeto Macambira-Anicuns
3 – Instalação de novas ciclovias e ciclofaixas
4 – Implantação de corredores preferenciais de ônibus nas Av. T-7 e T-9
5 – Construção do BRT Norte-Sul
6 – Recapeamento do asfalto antigo de Goiânia
7 – Construção de novos Cmeis e ampliação de vagas para crianças
8 – Troca das lâmpadas incandescentes por lâmpadas LED na iluminação


Mandato com minoria na Câmara
Iris assumiu o mandato com minoria na Câmara Municipal. O PMDB elegeu apenas três vereadores. No papel, sua base de sustentação tem entre 25 a 28 vereadores. Na prática o prefeito enfrenta problemas com a proliferação de CEI´s (Comissão Especial de Inquérito). O problema dos vereadores em relação ao prefeito tem nome e se chama “abstinência de cargos”.
O prefeito não fez generosa distribuição de cargos de comissionados para os vereadores. Ao contrário, na Saúde e na Educação, deixou que os gestores destas pastas indicassem quadros técnicos para áreas-chave, como as diretorias, direção de postos de saúde e superintendências, que são sempre postos muito cobiçados pelos vereadores, devido ao contato direto destes com a categoria e a população. O prefeito sequer atendeu ao pleito usualmente feito pela Câmara em todas as legislaturas, de cessão de três funcionários municipais para os gabinetes dos vereadores. Em tempos de contenção de gastos, o prefeito tem sido austero nos gastos públicos e comedido na concessão de benefícios. Resultado: insatisfação dos legisladores.
Iris sequer indicou ainda um vereador como líder do governo. O veterano Izídio Alves (PR) tem se incumbido informalmente deste papel, mas apesar de seu empenho, Izídio ainda não tem o “crachá” de líder, e isto pesa na hora de negociar posições no plenário.
O bloco de oposição ainda é restrito a cinco vereadores: Elias Vaz (PSB), Dra. Cristina (PSDB), Jorge Kajuru (PRP), Lucas Kitão (PSL) e Priscila Tejota (PSD). Mas no entorno deste grupo flutuam vereadores que ora flertam com a oposição, ora com o governo, como Lucas Kitão (PSL), Rogério Cruz (PRB), Alysson Lima (PRB) e Juarez Lopes (PRTB), por exemplo.
É quase uma regra que nos seis primeiros meses de administração a população e também os vereadores costumam dar uma carta branca para que o prefeito ponha a casa em ordem e, dadas as dificuldades financeiras, inerentes a todo início de administração. Esta trégua depende, em muito, dos sinais que o governante emite para a população e para as lideranças políticas. Por isto, independente das dificuldades que tenha pela frente, o gestor público não pode abrir mão jamais de fazer política.
Se houvesse um manual de como deve ser um governo, ele diria que todo executivo deve manter canais de diálogo permanente com seus secretários, com a classe política, com os movimentos sociais, entidades e imprensa. Talvez falte um pouco deste diálogo com cada uma destas partes. O prefeito, no entanto, é experiente por demais para desprezar esta regra não formal da política.
A avaliação de lideranças políticas próximas ao prefeito é que Iris está exercitando o silêncio, para não se comprometer com nenhuma posição, e fez opção pelo enxugamento máximo de despesas, naquilo que é conhecido como economizar o máximo no primeiro ano de governo para poder governar com certa tranquilidade nos outros três anos de mandato. Pode ser, ou pode não ser. O tempo vai esclarecer se é esta a estratégia do Paço Municipal.