Palanque eletrônico sem atrativos
Redação DM
Publicado em 3 de setembro de 2016 às 02:35 | Atualizado há 10 anosOs dois primeiros programas da propaganda eleitoral no rádio e televisão, veiculados sexta-feira e sábado, em Goiânia, não apresentaram novidades, seguiram os padrões de outras eleições, sem chamar a atenção do eleitor goianiense.
Iris Rezende (PMDB), delegado Waldir Soares (PR), Adriana Accorsi (PT) e Francisco Júnior (PSD) optaram por apresentar as suas biografias, na tentativa de mostrar ao eleitor que possuem experiências políticas suficientes para promover mudanças na Prefeitura de Goiânia. Iris destacou que, por três vezes, ocupou a gestão da capital de Goiás.
O deputado federal delegado Waldir Soares (PR) focou a sua participação na trajetória profissional que construiu na vida, o que, segundo ele, o credencia a assumir o comando da gestão da capital.Vanderlan Cardoso (PSB) abordou a sua vitoriosa carreira como empresário e como administrador, já que foi, por duas vezes, prefeito de Senador Canedo.
Em seu primeiro programa, Iris Rezende, na altura de seus 58 anos de vida pública – já foi vereador, deputado estadual, prefeito, senador, governador e ministro – disse estar preparado para enfrentar os desafios da cidade: “As pessoas só fazem bem aquilo que gostam de fazer. Minha vocação descobri logo cedo: era a política, servir as pessoas.”
Delegado Waldir Soares apresentou sua biografia – de engraxate, pedreiro, vendedor e professor a delegado de polícia – com ênfase para a edificação de uma trajetória profissional ascendente. Waldir preferiu não fazer referência ao seu trabalho na Câmara Federal, ciente dos desgastes que os políticos têm da população, após a deflagração de sucessivos escândalos de corrupção. “Se conseguiu mudar a própria vida, ele também vai transformar Goiânia na cidade que queremos”, diz o locutor do programa.
Com maior tempo na propaganda eleitoral, Vanderlan Cardoso preferiu focar a experiência como empresário e gestor público, deixando transparecer que, eleito prefeito de Goiânia, ocupará o Paço Municipal com um programa e um estilo diferentes do que ocorreu nas últimas administrações da cidade. “Os princípios que regem a administração de uma cidade são os mesmos aplicados no comando de uma empresa”, ressaltou o candidato do PSB, que apareceu na TV caminhando na sede de uma das suas empresas.
Adriana Accorsi ressaltou sua condição de delegada de polícia e de ser filha do ex-prefeito Darci Accorsi, que deixou o Paço com boa avaliação do goianiense. Ela fez questão de dizer que pretende ser a primeira mulher a ocupar a Prefeitura de Goiânia. Adriana troca a cor vemelha do PT pela branca, da coligação “Goiânia, vida e paz”.
Francisco Júnior ressaltou sua condição de professor, vereador, deputado estadual, secretário municipal, com “experiência política” suficiente para administrar a cidade de Goiânia. Fez críticas à administração Paulo Garcia, quando citou os problemas da cidade, como filas nos Cais, apadrinhamento político, buracos nas ruas, sujeiras pelos bairros.
Flávio Sofiati e Djalma Araújo, com poucos segundos, se colocam na propaganda como alternativas ao eleitor, diferente dos candidatos tradicionais e apoiados pelas “elites e pelos conservadores”.
A propaganda eleitoral de rádio e televisão, de acordo com a minirreforma aprovada pelo Congresso Nacional e regulamentada pelo TSE, só pode levar ao ar candidatos, caracteres com propostas, fotos, jingles, clipes com música ou vinhetas, inclusive de passagem, com indicação do número do candidato ou do partido, bem como seus apoiadores, impedindo os tradicionais apresentadores dos programas.
Na realização de cenas externas e entrevistas, a legislação permite apenas a participação do próprio candidato, expondo realizações de governo ou da administração pública, falhas administrativas e deficiências verificadas em obras e serviços públicos em geral, além de atos parlamentares e debates legislativos.
A propaganda eleitoral ficou no rádio e na televisão mais curta, com 10 minutos diários e período total de 35 dias. Não há mais propaganda em bloco para os candidatos aos cargos de vereador, que terão direito somente a inserções (pílulas) de 30 a 60 segundos. Os candidatos a prefeito têm, também, inserções na programação normal das emissoras de rádio e televisão.