Paulo Garcia: “Iris foi injusto comigo”
Redação DM
Publicado em 28 de janeiro de 2016 às 21:12 | Atualizado há 10 anos
“Iris foi injusto comigo”, afirmou o prefeito Paulo Garcia (PT), ao ser questionado sobre as críticas que vem recebendo do ex-prefeito Iris Rezende (PMDB), até então seu aliado político deste as eleições de 2008. Em entrevista, Iris admitiu estar afastado do prefeito em razão da aproximação do petista com o governador Marconi Perillo (PSDB).
Paulo Garcia lembra que sempre foi leal a Iris Rezende e não entende as razões das críticas do ex-prefeito e dos ataques do PMDB, partido que integra a sua administração. “Eu fui um vice, à época de Iris, que ajudou muito a administração da cidade. Eu nunca criei obstáculos na gestão dele.”
Em entrevista à rádio 730/AM, o prefeito Paulo Garcia disse que todos sabem quem começou os ataques à sua administração, referindo-se aos peemedebistas. “Vocês sabem quem começou os ataques à administração, onde pode ter se iniciado todo esse processo para prejudicar o nosso trabalho… Vocês sabem quem foi…” Ano passado, o líder da bancada do PMDB na Assembleia Legislativa, José Nelto, o vice-prefeito Agenor Mariano e o próprio Iris Rezende fizeram críticas ao governo Paulo Garcia pelo aumento do IPTU/ITU e por outras decisões administrativas, como a prorrogação da concessão dos serviços de água e esgoto à Saneago, por mais 30 anos, no município de Goiânia.
Paulo Garcia confirmou o distanciamento político entre ele e o ex-prefeito Iris Rezende, iniciado ano passado. “Quanto ao possível nosso distanciamento, é verdade, estamos mais distantes, muito mais por conta dos ataques que membros do PMDB fazem à nossa administração.
O prefeito se queixa de que o ex-prefeito Iris Rezende não fez declaração desautorizando os ataques dos peemedebista à sua gestão. “Eu não vi uma declaração do Iris desautorizando esses ataques.”
Paulo Garcia sustenta que sempre consultou o ex-prefeito quando tomava decisões importantes no Paço Municipal. “Ele me ligava quase que diariamente para abordar temas os quais ele defendia. Íris nunca externou nenhum descontentamento em relação a mim, pessoalmente, sobre nenhum assunto. Por isso, eu não entendendo agora essas críticas. Não é fácil perceber isso agora.”
Ao reafirmar que esse ambiente político o tem afetado, pessoalmente, Paulo Garcia lamentou a crise política vivida pelo PT e PMDB na Capital. “Acho muito ruim o que está acontecendo. Isso tem me afetado muito pessoalmente. Quando fomos realizar a aliança PP/PMDB lá em 2018, conversamos muito, discutimos ideias, projetos para Goiânia. Estou muito chateado com tudo isso”.
Sobre a decisão de exonerar servidores comissionados lotados no gabinete do vice-prefeito Agenor Mariano, iniciativa revogada por decisão judicial, o prefeito Paulo Garcia explicou: “Foi uma atitude no campo da política. Fui muito agredido. Se a reação foi algo maior do que o necessário, tenho humildade suficiente para corrigí-la”.
Relação com Marconi
Sobre a colocação de Iris Rezende de o entendimento do prefeito petista com o governador tucano seria a principal razão para o distanciamento entre ambos, Paulo Garcia disse que a relação com Marconi Perillo não é de aliança política e sim administrativa. “É normal que gestores públicos se reúnam para discutir temas de interesse do povo. Temos que tratar de parcerias administrativas de assuntos que interessam à população. Minha aproximação com o governador é administrativa, republicana. É salutar.
O petista lembrou que as parcerias administrativas com o Estado são feitas por outros prefeitos goianos, inclusive do PMDB. “Outros prefeitos, inclusive do PMDB, também o fazem. O que o povo quer é a solução dos problemas.”
Paulo Garcia citou que o próprio Iris Rezende, quando era prefeito, fez o mesmo, ou seja, teve relacionamento administrativo com o Palácio das Esmeraldas. “É só pegar os jornais da época. Lá tem fotos de Iris e Marconi reunidos. Isso faz parte da responsabilidade de administrar.”
Rompimento
O prefeito é de opinião que se o PMDB deseja romper com o PT, “essa não é a maneira correta.” E acrescentou: “ Hoje, a população exige muita transparência dos nossos atos.”
Paulo Garcia fez questão de ressaltar que o PMDB faz parte de seu governo, “tem pastas importantes, é co-responsavel pela gestão.” Ao ressaltar que não sabe se Iris Rezende será candidato a prefeito este ano, o petista diz que enganam quem pensa que o PT terá dificuldades em lançar candidato à sucessão na Capital: “Alguns imaginam que nós, aqui em Goiânia, temos dificuldades com candidaturas. A coisa não é bem assim.”
Sem citar nomes, Paulo Garcia disse que o PT tem “boas opções” à prefeitura e faz referência à reportagem do jornal Folha de S.Paulo, que informa que o partido de Lula e Dilma vai lançar candidatos em 20 capitais, sendo que seis com chances de obterem vitórias, incluindo Goiânia.
A uma pergunta sobre se o rompimento do PT com o PMDB é um “caminho sem volta”, o prefeito Paulo Garcia disse que cabe aos peemedebistas darem a resposta aos seus atos, atitudes e manifestações e não os petistas. “Eu não mudei, sou o mesmo.”
FRASES
“Eu fui um vice, à época de Iris, que ajudou muito a administração da cidade. Eu nunca criei obstáculos na gestão dele.”
“Vocês sabem quem começou os ataques à administração (referindo-se aos peemedebistas), onde pode ter se iniciado todo esse processo para prejudicar o nosso trabalho”
“Minha aproximação com o governador Marconi Perillo é administrativa, republicana, não política. É salutar. Outros prefeitos, inclusive do PMDB e o próprio Iris, fizeram parcerias administrativas com o governador”