Política

PL amplia bancada e terá maior força da Câmara desde 1986

Léo Carvalho

Publicado em 5 de outubro de 2026 às 15:37 | Atualizado há 1 hora

Nova composição da Câmara dos Deputados terá o PL como maior bancada, com 121 parlamentares eleitos nas eleições de 2026 | Foto: Divulgação
Nova composição da Câmara dos Deputados terá o PL como maior bancada, com 121 parlamentares eleitos nas eleições de 2026 | Foto: Divulgação

O PL saiu das urnas deste domingo (4) como a maior força da Câmara dos Deputados. A legenda elegeu 23 parlamentares a mais do que na atual composição e chegará a 121 deputados a partir de 1º de fevereiro, formando a maior bancada da Casa desde 1986.

O PT também cresceu. O partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou de 65 para 70 deputados eleitos. Com a federação formada por PCdoB e PV, a legenda será a segunda maior força da Câmara.

A esquerda, considerando ainda PDT, Psol, Rede e PSB, reunirá 124 deputados, o equivalente a 24% da Casa. O número é próximo ao da bancada do PL. No campo da direita, o Novo terá dez representantes.

O resultado mostra também uma redução no tamanho das principais bancadas do chamado centrão. A federação entre União Brasil e PP, que atualmente soma 98 deputados, terá 87. O Republicanos passará de 42 para 41 parlamentares, enquanto o PSD cairá de 48 para 43. O MDB, por sua vez, terá 36 deputados, contra 38 na atual legislatura.

Mesmo menor, o centro continuará tendo papel decisivo nas votações. A composição da Câmara indica que nem PL nem PT terão, sozinhos, votos suficientes para construir maioria e aprovar projetos de maior impacto.

Uma eventual adesão integral dos partidos de centro ao governo poderia produzir uma maioria superior à necessária para aprovar mudanças na Constituição. Pelos cálculos, um governo de Flávio Bolsonaro teria potencial de reunir 389 votos, enquanto um novo governo Lula poderia chegar a 382.

Para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), são necessários 308 votos favoráveis na Câmara.

Na prática, porém, a fidelidade integral das bancadas é considerada improvável. Os partidos do centro reúnem deputados com diferentes posicionamentos políticos, incluindo parlamentares mais próximos da esquerda e outros alinhados ao bolsonarismo.

O tamanho das bancadas também tem impacto direto sobre o financiamento e a estrutura dos partidos. Cerca de 95% do Fundo Partidário é distribuído de acordo com a representação na Câmara. No Fundo Eleitoral, que chegou a R$ 5 bilhões em 2026, 83% dos recursos também são distribuídos conforme o desempenho eleitoral.

A quantidade de deputados ainda influencia o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Partidos que não alcançam os critérios mínimos da cláusula de desempenho ficam sem acesso ao Fundo Partidário e à propaganda eleitoral gratuita.

A força da Câmara também se reflete na distribuição das emendas parlamentares. Em 2026, foram cerca de R$ 50 bilhões em emendas ao Orçamento. Desse montante, R$ 8 bilhões ficaram sob indicação das comissões, enquanto cada deputado contou com aproximadamente R$ 40 milhões em emendas individuais de execução obrigatória.

Também foram destinados R$ 11,22 bilhões às emendas das bancadas estaduais, cuja aplicação é definida a partir das articulações dos parlamentares.

Para o próximo mandato, um estudo da organização apartidária Central das Emendas estima que cada deputado federal terá, em média, quase R$ 295 milhões em recursos para indicar ao longo dos quatro anos.


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