PMDB de Goiás está omisso, paralisado, dizem cardeais
Redação DM
Publicado em 1 de junho de 2017 às 02:58 | Atualizado há 1 ano
O PMDB está paralisado, omisso, anestesiado, o que poderá comprometer seu desempenho nas eleições de 2018. A opinião é de lideranças expressivas do partido, como os prefeitos Adib Elias (Catalão), Ernesto Roller (Formosa), Paulo do Vale (Rio Verde), o vice-presidente e líder da bancada estadual, deputado José Nelto, e o ex-prefeito de Bom Jardim de Goiás Nailton de Oliveira.
Os cardeais ressaltam que, a um ano e meio do pleito de 2 de outubro do ano que vem, o PMDB não tem estratégia e não define ações que venham a mobilizar a militância e também discutir um projeto de governo alternativo ao que está sendo executado, há 20 anos, pelo grupo do governador Marconi Perillo (PSDB).
Eles ressaltam que encontros regionais, com tanta antecedência, não são capazes de produzir resultados que venham a fortalecer e unificar o PMDB, que carece, principalmente, de nomes competitivos para a disputa à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa.
Os peemedebistas reclamam, também, da falta de diálogo para a construção de uma consistente aliança com outros partidos, hoje com um universo de 35 legendas. Alegam que, até agora, não passam de cinco os partidos que poderão fazer coligação majoritária com o PMDB em Goiás.
O PMDB é presidido em Goiás pelo deputado federal Daniel Vilela, pré-candidato do partido a governador. Daniel é filho do ex-governador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela. Daniel promoveu oito encontros regionais este ano, mas atualmente suspensos desde a citação do nome do parlamentar por delatores da construtora Odebrecht de que teria recebido R$ 1 milhão em doações de campanha eleitoral, via caixa dois.
Daniel Vilela
O deputado estadual José Nelto (PMDB) afirmou, em entrevista ao Jornal Opção Online, que é do deputado federal Daniel Vilela (PMDB) a responsabilidade de limpar seu nome, citado nas delações da Odebrecht, se quiser ser realmente o candidato do partido em 2018. “Se não conseguir, não será candidato”, garantiu ele. “Quem tem que resolver essa questão é ele com os advogados dele, nós não temos como, ninguém tem poder sobre a Operação Lava Jato. Torcemos para que ele resolva e viabilize sua candidatura, mas o partido não pode ir pro suicídio”, prosseguiu.
José Nelto disse que o nome oficial do PMDB é mesmo Daniel, a menos que ele não consiga se defender. “O candidato do PMDB hoje é o Daniel, agora, ele tem que se sustentar e se livrar da Lava Jato”.
Questionado sobre quais as alternativas caso Daniel seja realmente implicado na operação, José Nelto disse que a prioridade é que o candidato seja do próprio partido, mas ressaltou que isso não significa que a possibilidade de se aliar a outra legenda seja nula. “Temos a responsabilidade de não dividir a oposição para ser kamikaze, lançando um candidato contra tudo e contra todos. A oposição tem que ser unida e queremos saber quem vai pro enfrentamento, não podemos discriminar ninguém”, pontuou.
Falta de agenda
Prefeito de Catalão e ex-presidente do PMDB de Goiás, Adib Elias afirma que o “partido parou”. E explica: “o PMDB tem de voltar a se movimentar, defender mudanças no Estado. Não podemos perder os poucos aliado que já temos”. Adib Elias disse que, após cinco derrotas sucessivas para o governo de Goiás, o PMDB não pode repetir os erros de campanhas passadas. “Temos que aprender com as derrotas. Olhar para a frente, buscar a unidade, trazer novos aliados, lançar nomes novos aos cargos majoritários e proporcionais, sob pena de não se alcançar os objetivos eleitorais”.
Adib Elias frisa que “não se pode desprezar a candidatura do vice-governador José Eliton e do poder de mobilização da máquina do governo em campanhas eleitorais”. Segundo ele, o PMDB e aliados precisam se despertar para esta realidade e agir rápido, “com estratégias inteligentes e ações capazes de sensibilizar a população de Goiás para um projeto de mudança, alternativo para o governo”.
Para o prefeito de Formosa, Ernesto Roller, é preciso retomar a agenda da oposição, em um formato que inclua todos os aliados em Goiás. “O governo, que já conta com uma estrutura que não dispomos, tem consolidado a sua base no Estado”.
Paulo do Vale, de Rio Verde, concorda com os colegas prefeitos Adib Elias e Ernesto Roller de que o PMDB precisa sair do “imobilismo e da paralisia” a que está submetido desde as eleições de 2014. Ele se propõe a percorrer o Estado dentro de um projeto que vise “despertar a militância e interagir com a sociedade”.
O prefeito de Rio Verde acha que o PMDB precisa preparar “chapas competitivas” a governador, senador, deputado federal e estadual, aproximar-se de legendas importantes e debater um plano de governo com a sociedade goiana. “Sem essas ações, o partido não chegará a lugar algum”.
Sem interação
Nailton de Oliveira, que foi prefeito de Bom Jardim de Goiás e presidente do diretório estadual do PMDB, fez cobranças, em entrevista ao Diário da Manhã, ao deputado federal Daniel Vilela, por “ações eficazes” para retirar o partido da “paralisia” em que se encontra desde a derrota em 2014. “Venho dizendo que o PMDB, se quiser chegar em condições de disputar com chances as eleições para o governo de Goiás, ano que vem, precisa mudar seu comportamento, enfim, ir para as ruas, agir como partido verdadeiramente de oposição ao governo do PSDB”.
O ex-prefeito propõe reunião urgente do diretório estadual do PMDB, com as presenças das principais lideranças, como os prefeitos Iris Rezende, Adib Elias, Ernesto Roller, Agenor Rezende, Renato de Castro, Paulo do Vale e tantos outros, Maguito Vilela, Iris Araújo, deputados federais e estaduais, para debater “novos rumos”, visando aproximar a legenda da sociedade goiana. “O que estamos vendo hoje é um partido isolado, mergulhado nas vaidades de alguns líderes, totalmente distante do conjunto da população”.
Nailton de Oliveira ressaltou que, no momento, o PMDB não tem um candidato natural para a disputa ao governo de Goiás pelo fato de que, nos últimos dois anos, “não conseguiu implementar um discurso capaz de empolgar a sociedade, ou seja, não desempenhou, a contento, o seu papel oposicionista no Estado”.



