PMDB, DEM e PRP juntos
Redação DM
Publicado em 12 de março de 2016 às 21:52 | Atualizado há 10 anosNa próxima segunda-feira, 14 de março, os presidentes regionais Daniel Vilela (PMDB), Ronaldo Caiado (DEM), Jorcelino Braga (PRP) e Armando Vergílio (SDD), além dos respectivos presidentes municipais e demais lideranças partidárias, se reunirão no escritório político de Iris Rezende (PMDB) para discutirem a sucessão para prefeitura de Goiânia e a aliança entre os partidos.
O encontro visa estabelecer estratégias eleitorais e indicar como representante da chapa majoritária o nome do ex-prefeito Iris Rezende, apesar do decano ainda não ter confirmado ser pré-candidato para disputar sua quarta eleição para prefeitura de Goiânia. Mas Iris deverá acatar o clamor dos peemedebistas para que seu nome represente o PMDB e os demais partidos coligados. E, ao que tudo indica, o PT do prefeito Paulo Garcia está fora do páreo na conjuntura de aliados de Iris.
Fontes ligadas ao PMDB, que preferem não revelar o nome, afirmam que Iris ainda não se apresentou como pré-candidato por receio de disputar a prefeitura de Goiânia e sair derrotado, além do ex-prefeito preferir ver como o jogo se montará, com o conhecimento dos nomes dos adversários, antes que admita ser candidato. A preocupação tem fundamento, já que o PMDB tem, pelo menos até o momento, o apoio do DEM do senador Ronaldo Caiado (que é fraco na capital) e de Jorcelino Braga e seu PRP (que, fora Jorge Kajuru, não tem presença em Goiânia).
Braga, que atualmente tem auxiliado o novo presidente do PMDB, Daniel Vilela, e tem feito as campanhas publicitárias, por meio de sua agência, em Aparecida de Goiânia – cidade governada pelo pai de Daniel, Maguito Vilela (PMDB) -, já se mostrou sem capilaridade política e pouco conhecido da população goianiense, apesar de já ter sido secretário da Fazenda no governo Alcides. Alguns entendidos da política em Goiás acreditam que esse o fato, de Braga estar na possível coligação, seja um fator de risco e possível fracasso da futura campanha, assim como já aconteceu quando Jorcelino Braga esteve ao lado de Vanderlan Cardoso (PSB) para as eleições ao governo do Estado. “Ouvir os conselhos dele [Braga] é cavar a própria cova política, vide Alcides Rodrigues”, afirma um dos entendidos.
Além desses partidos, a relação do PMDB com o Solidariedade, do ex-deputado federal Armando Vergílio, também se mostra abalada após as eleições de 2014, em que Lucas Vergílio (SDD), com forte presença de Iris, foi eleito como deputado federal. No entanto, com o fim da campanha Iris se distanciou do Solidariedade e, ao que tudo indica, os Vergílio estão mais preocupados com a candidatura do deputado estadual Carlos Antônio a prefeito de Anápolis, do que com candidato para prefeitura de Goiânia. Mas o partido participará da reunião desta segunda-feira.
Reuniões
A articulação entre PMDB, DEM e PRP para as eleições de Goiânia em outubro tem sido feita desde 2015, com reuniões entre os líderes dos partidos. As reuniões também estão servindo para reforçar o sentimento de que estes partidos da oposição devem construir uma base sólida para 2018, na campanha ao governo do Estado. “Em 2014 pude perceber como o PMDB abraça uma aliança com responsabilidade e nada mais correto do que ampliarmos nossa parceria para os 246 municípios goianos. É o meu sentimento hoje e é o que tenho levado como mensagem em todas as reuniões que faço em Goiás”, afirmou Ronaldo Caiado em um dos encontros realizados no fim do ano passado.
O principal intuito da aliança entre as três legendas é de Caiado se tornar candidato a governador de Goiás, com o aval de Iris. Estratégias de atuação da oposição e construção de possíveis alianças estão sendo feitas por meio desses encontros. Em fevereiro, em uma das reuniões realizadas no apartamento de Iris, Caiado destacou o compromisso da oposição e a importância da união dos partidos. “Queremos construir alianças sólidas com quem tenha compromisso ético e moral e seja capaz de suportar a pressão nada republicana do governo, que tenta cooptar a oposição. Com isso damos a partida em um processo que não pode ficar para a última hora”, ressaltou.
Razões para o distanciamento do PMDB e PT em Goiânia
Não é de hoje que o PMDB tem se distanciado do PT, tanto no âmbito nacional quanto em Goiânia. A aliança entre os partidos se consolidou na Capital em 2008, quando Iris se tornou prefeito tendo como vice o médico Paulo Garcia. Com a renúncia ao cargo para disputar as eleições para o governo do Estado, Iris deixou Goiânia nas mãos de Paulo Garcia, o avaliando também em sua reeleição, em 2012. No entanto, a impopularidade do atual prefeito e as dificuldades pelas quais Goiânia tem passado faz com que o PMDB se afaste gradativamente do PT.
Mesmo com o vice-prefeito de Goiânia, Agenor Mariano, sendo do PMDB, o distanciamento tem se mostrado inevitável, com o próprio vice protagonizando desentendimentos com a gestão de Paulo Garcia. Outra razão que tem repelido os partidos é o fato do PT ter lançado candidato próprio, o ex-prefeito de Anápolis, Antônio Gomide, para as eleições ao governo em 2014. O rompimento abriu brecha para que o PMDB se aliasse ao DEM, que é totalmente oposição ao PT, o que faz com que a relação dos partidos (PT e PMDB) enfraqueça a cada dia.
De acordo com o deputado e presidente metropolitano do PT, Luis Cesar Bueno, não haverá mais aliança entre PT e PMDB em Goiânia, visto que tanto ele quanto a deputada Adriana Accorsi são pré-candidatos pelo partido e não abrem mão que o PT lance candidato próprio para disputa em outubro. “A aliança com o PMDB só vai se viabilizar em Goiânia se Iris Rezende não for candidato a prefeito e eles apoiarem a nossa chapa”, afirma. Ronaldo Caiado (DEM) também já deixou claro nas últimas eleições que seu partido não se alia ao PT em hipótese alguma. Desta forma, o mais provável é que o PT se alie com partidos menores ou forme chapa pura, como aconteceu nas eleições para governador.