PMDB e DEM não atuam juntos na pré-campanha
Redação DM
Publicado em 7 de junho de 2017 às 02:22 | Atualizado há 1 ano

Geralmente em política, quando há desconfiança de um lado, há certeza de outro. Em abril, numa reunião realizada pelo senador Ronaldo Caiado com os dirigentes do PMDB, ficou acertado que haveriam ações conjuntas entre DEM e o PMDB nos municípios. Participaram deste encontro, além de Caiado, o prefeito Iris Rezende, o presidente regional do PMDB, deputado Daniel Vilela, e o ex-prefeito e o ex-governador Maguito Vilela. Nesta semana, no entanto, a conversa mudou. Em entrevista ao jornal O Popular, Daniel Viela reclamou desta agenda conjunta, que, a seu ver, só beneficia o pré-candidato do DEM ao governo do Estado.
A irritação de Daniel Vilela não é sem motivo. O movimento favorável à candidatura de Ronaldo Caiado conta com respaldo dos prefeitos das maiores cidades, a começar por Goiânia, onde o prefeito Iris Rezende não esconde a simpatia a Caiado, que foi eleito em 2014 graças aos votos iristas. O prefeito de Formosa, Ernesto Roller, é primo de Caiado e o prefeito de Rio Verde, Paulo do Valle, iniciou sua atividade política no PFL (atual DEM), tendo coordenado as campanhas de Caiado à Câmara Federal naquele município.
Daniel Vilela tem o apoio do prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, e de prefeitos de cidades pequenas, o que não lhe garante o controle do partido. Em que pese estar na presidência do PMDB, a discussão sobre a formação da chapa majoritária vai passar não somente pelo diretório, mas pelas manifestações das principais lideranças do partido.
Pesquisas de posse do governo e da oposição colocam o senador Ronaldo Caiado à frente na sucessão estadual. O PMDB, que já perdeu cinco eleições seguidas (1998, 2002, 2006, 2010 e 2014), provavelmente não quer perder pela sexta vez e é natural que os dirigentes estejam sensíveis a discutir uma aliança com Caiado.
Momento delicado
O momento é delicado para Daniel, que mais tem a perder do que ganhar num embate com os principais líderes da legenda. Caiado, por sua vez, precisa aprofundar o seu contato com as bases do PMDB, e por isso lhe cai bem a ideia de encontros regionais com a participação de militantes das duas legendas.
As próximas eleições serão marcadas pelo desarranjo político causado pela Operação Lava Jato, que fez intensa campanha de criminalização dos políticos, da política e dos partidos. O imaginário da população está por demais saturado de denúncias contra agentes públicos e por isto as velhas táticas devem ser revistas. No PMDB, reflexos da Lava Jato comprometeram as imagens de Iris Rezende, Maguito Vilela e do próprio Daniel Vilela. Ainda há tempo para cada um deles recuperar o prejuízo, mas, pelo clamor das bases no campo peemedebista, os líderes do partido irão apostar naquele candidato que ofereça as melhores condições de vitória. E parece que, pela primeira vez, o PMDB pode apoiar um candidato fora de suas fileiras. Vale tudo para sair da fila de mais de 20 anos fora do poder.