Projeto de lei ameaça planos da Prefeitura de Goiânia com grama sintética
Léo Carvalho
Publicado em 29 de agosto de 2025 às 17:43 | Atualizado há 18 minutos
A iniciativa do vereador Denício Trindade (União Brasil) surge em meio à polêmica sobre a aplicação de grama sintética promovida pela Prefeitura de Goiânia. O parlamentar apresentou na Câmara Municipal um Projeto de Lei que visa proibir a instalação do material em áreas públicas da cidade, como parques, praças, jardins, canteiros centrais e rotatórias, permitindo apenas sua utilização em campos de futebol e quadras poliesportivas.
Segundo Denício, a grama sintética, embora popular pela estética e praticidade, apresenta impactos negativos à sustentabilidade urbana. Entre eles estão a redução da permeabilidade do solo, a absorção de calor que aumenta a temperatura superficial e a dificuldade de descarte, já que o material não é biodegradável. “A natureza tem um papel fundamental na regulação climática e na saúde pública. Não podemos permitir que nossa cidade perca essa capacidade”, afirmou o vereador.
O projeto estabelece que o Poder Executivo Municipal terá até 90 dias após a publicação da lei para regulamentá-la, em consonância com o direito constitucional a um meio ambiente ecologicamente equilibrado.
A proposta de Denício coloca a Prefeitura, liderada pelo prefeito Sandro Mabel (União Brasil), em uma posição delicada. A administração tem investido na instalação de grama sintética em canteiros centrais e áreas de difícil manutenção, destacando benefícios como menor custo de manutenção, resistência ao sol e ao pisoteio, além da redução da temperatura em comparação à grama natural seca.
Especialistas em urbanismo e paisagismo, no entanto, têm criticado a iniciativa da Prefeitura, apontando problemas como acúmulo de água, aumento do calor urbano e comprometimento da biodiversidade. Comerciantes e moradores também manifestaram preocupação com o impacto da grama sintética no escoamento das chuvas e na manutenção futura das áreas verdes.
Com o Projeto de Lei, Denício busca colocar em pauta a preservação da vegetação natural e da sustentabilidade urbana, provocando um novo debate sobre o equilíbrio entre praticidade, estética e responsabilidade ambiental na cidade.