PT e PMDB afinam a viola
Redação DM
Publicado em 8 de março de 2017 às 02:50 | Atualizado há 1 ano
A tese de aproximação entre PT e PMDB ganha cada vez mais aliados. Um dos mais céticos à aproximação entre as duas legendas, o deputado estadual Humberto Aidar (PT) elogiou a disposição de diálogo demonstrada pelo deputado federal Daniel Vilela (PMDB).
Humberto sempre foi crítico às administrações do prefeito Iris Rezende (PMDB). Em 2008, quando parte do PT decidiu pela aliança com o PMDB, em apoio à reeleição de Iris, o parlamentar foi um dos que se manifestou contra. Durante a gestão de Iris, e também de Paulo Garcia, adotou uma postura crítica à administração, por não concordar com o que considerava supremacia do PMDB na administração petista, onde os peemedebistas foram contemplados com os principais cargos da prefeitura, como a Comurg, a secretaria de Saúde, a SMT (Secretaria Municipal de Trânsito) e o Gabinete Civil.
A visita de Vilela trouxe novas reflexões a Aidar. Sua avaliação é de que o jovem presidente do PMDB está com a cabeça aberta e antenada aos novos tempos. E é diante deste posicionamento que o petista acredita que é possível que as duas legendas possam construir um projeto para as eleições de 2018. Uma das críticas de Humberto Aidar é de que no passado o PT se aliou ao PMDB fisiológico, que se preocupava mais em ocupar cargos do que em trabalhar um projeto para Goiânia. Esta não é a impressão que teve na conversa com Daniel Vilela, que no seu entendimento, não faz política com este perfil clientelista.
O deputado estadual Luis Cesar Bueno é pragmático, pois considera que na Assembleia Legislativa PT e PMDB tem tido atitudes coerentes como partidos de oposição ao marconismo. A boa convivência entre as duas bancadas contou até o ano com os deputados Adib Elias e Ernesto Roller – eleitos, respetivamente, prefeitos de Catalão e Formosa. Para Luis Cesar Bueno além de se contrapor ao mandonismo do PSDB, que governa o Estado há quase 20 aos, petistas e peemedebistas tem a obrigação de construir um projeto alternativo ao marconismo.
A necessidade de um projeto também preocupa quadros experimentados do PMDB. A avaliação de luas-pretas peemedebistas é de que a oposição precisa pensar grande, ter projetos e estratégias para enfrentar com sucesso o marconismo nas urnas.
Um destes peemedebistas, muito próximo ao prefeito Iris Rezende, salienta que “o governador Marconi Perillo faz sempre uma campanha profissional, lançando uma chapa competitiva com 35 deputados federais e 120 deputados estaduais. E qual é a dinâmica que Marconi utiliza: ele torna cada um dos deputados federais coordenadores das macrorregiões do Estado e os estaduais coordenadores das microrregiões, num trabalho que também envolve os prefeitos e os vereadores de sua base. E é por isto que o PMDB não pode sair em chapa solteira: tem que fazer o máximo de alianças, para ter também uma chapa competitiva de deputados federais e estaduais para fazer a disputa em cada município”, defende.
Há muito tempo o Diário da Manhã vem registrando em suas páginas a evolução das conversas entre petistas e peemedebistas que tem como principais patrocinadores o ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide, seu irmão, o deputado federal Rubens Otoni e, do lado peemedebista, Daniel Vilela e o ex-prefeito de Aparecida Maguito Vilela. A cada rodada de conversa, as lideranças de ambos partidos tem demonstrado mais interesse em continuar o diálogo, que pode consumar uma chapa como nunca foi tentada por ambas legendas nas eleições estaduais.
O ocaso do governo de Michel Temer (PMDB-SP) e a iminência da volta do ex-presidente Lula ao cenário político podem contribuir para um novo alinhamento entre PT e PMDB no Estado. A chegada de Lula ao poder, em 2003 proporcionou a aproximação entre os partidos, e a eminência do lançamento de sua candidatura à presidência pode levar a um novo “entendimento”, consumando num grande acordo nacional e em acertos regionais, no qual o Estado de Goiás deve fazer parte. Esta, pelo menos é a expectativa de muitos dos atores envolvidos nas conversações que estão em curso aqui, e em outros estados brasileiros.
Se Lula fez o sertão virar mar, levando as águas do São Francisco ao agreste seco do Piauí, Paraíba e Pernambuco, reaproximar PT e PMDB não será um desafio impossível.
