PT em queda
Redação DM
Publicado em 5 de outubro de 2016 às 02:18 | Atualizado há 2 anos- Goiânia não elegeu nenhum vereador petista, fato que não ocorria desde 1986
- Anápolis foi a cidade que elegeu mais vereadores da legenda, um total de quatro. Ao todo, nos 246 municípios de Goiás, PT elegeu somente 41 parlamentares
O Partido dos Trabalhadores (PT) está em uma queda vertiginosa, tendo perdido espaço e seus eleitores nas eleições do último domingo. Em Goiás, o partido conquistou apenas três prefeituras, nas cidades de Diorama, Nova Aurora e Cidade de Goiás, uma perda de 13 municípios, já que em 2012 o PT havia eleito 16 prefeitos no Estado. Ao contrário do PT, o PSDB foi o partido que mais cresceu nesta eleição, de 53 prefeituras nas eleições de 2012, o partido subiu para 76 municípios goianos.
O PMDB também teve uma queda no número de prefeituras em Goiás, já que em 2012 foram 56 e em 2016 o partido somou o total de 42 prefeituras conquistadas. No entanto, conquistou prefeituras de municípios importantes como Rio Verde, Aparecida de Goiânia e Goianésia. Em Goiânia, o representante do PMDB, Iris Rezende, concorre ao segundo turno e, caso seja eleito, o partido terá eleito 43 prefeitos em todo o Estado.
Em Anápolis, o candidato do PT, João Gomes – que concorre à reeleição -, obteve 29,92% dos votos válidos e disputará o segundo turno com o candidato do PTB, Roberto do Órion. Também foi em Anápolis que o partido conquistou mais cadeiras na Câmara Municipal, um total de quatro. O ex-prefeito Antônio Gomide (PT) foi o vereador mais votado do município, com 11.647 votos, o que fez com que outros candidatos da legenda fossem eleitos.
Em Goiânia, a candidata Adriana Accorsi (PT) foi perdendo força em sua campanha e terminou a votação em quinto lugar na disputa, com 6,73% dos votos. É válido ressaltar que eram sete candidatos concorrendo ao pleito e, no início da pré-campanha, a candidata chegou a estar entre os três primeiros, conforme pesquisas de intenção de votos. Outro dado que demonstra a queda do PT em Goiás é que nos 246 municípios goianos, o partido elegeu apenas 41 vereadores. Pela primeira vez desde 1986, o PT não elegeu nenhum vereador para a Câmara Municipal da Capital. O partido, que desde sua criação sempre cresceu em número de eleitos a cada disputa municipal, teve um retrocesso significativo e teve nesta eleição menos vitórias que em 2004.
Para o professor e especialista em marketing político Marcos Marinho, o resultado do PT nestas eleições não deve ser encarado de forma simplista, já que uma série de fatores influenciou para a derrota do partido nas urnas. “Acredito que, e aí reside a meu ver o motivo dos reais problemas do partido, a má fase do PT, que vive uma caça às bruxas por conta da Lava Jato, que influenciou muito na articulação de alianças e chapas, além da motivação dos próprios candidatos e militância”.
Estes fatos sim contribuíram para um resultado tão aquém daquele que tiveram nas eleições passadas”, acredita. Marinho ainda ressalta a forma como o brasileiro vota, ao não assimilar partidos e somente os candidatos. “É fato que uma parte do eleitorado pode ter agido em sinal de boicote contra o PT, mas não acredito que tenha sido a maioria. No Brasil, já percebemos que o voto tende a ser personalista. Poucos são os eleitores que votam em legenda, a maioria vota no candidato, e às vezes nem sabe de qual partido o fulano é”, explica.
Partido Nanico
Com a perda de prefeituras e cadeiras nas Câmaras Municipais, o PT pode vir a se tornar um partido nanico, como já ocorreu com outros partidos, como é o caso do DEM. Marinho acredita que não é impossível que isso ocorra, e que vai depender da estratégia que o partido adotará daqui por diante.
“É certo que as eleições municipais são a base para todo projeto maior em nível estadual e federal. Quanto mais ramificado e perto do poder está o partido, mais força tem para mobilizar e arregimentar apoios e votos. Mas o PT tem um histórico bom de mobilização e engajamento que, ainda que tenha perdido muita força, pode lhe dar possibilidade de se recompor. Não será fácil, mas não é impossível”, pondera o especialista.
Em relação ao PSDB e PMDB, o especialista destaca que a posição dos partidos em nível de acesso ao poder é o que facilita a aglutinação de apoios e alianças, o que refletiu nas eleições de domingo. “Com possibilidade de articular chapas competitivas e conseguir espaço de mídia e verbas, usaram melhor as armas que tinham para ocupar um espaço que se encontrava vago”.
Marinho ainda acrescenta outras razões para o PT ter sido derrotado: “Não há vácuo de poder na política, se um partido deixa espaço outro vai lá e se estabelece. Com os problemas do PT em nível de imagem, sua dificuldade de montar chapas fortes, com um possível desânimo da militância e de alguns candidatos e, principalmente, com campanhas totalmente erradas e descontextualizadas, o resultado era previsível”.
Municípios em que o PT elegeu vereadores em Goiás
Amorinópolis (1); Anápolis (4); Aparecida de Goiânia (1); Araçu (1); Aragarças (1); Baliza (2); Bonópolis (1); Buriti Alegre (2); Campo Alegre de Goiás (1); Cidade Ocidental (1); Colinas do Sul (1); Cristianópolis (1); Davinópolis (1); Divinópolis de Goiás (1); Cidade de Goiás (2); Guaraíta (1); Iporá (1); Itapuranga (1); Luziânia (1); Mairipotaba (1); Montividiu (2); Niquelândia (1); Nova Iguaçu de Goiás (1); Nova Veneza (1); Paranaiguara (1); Petrolina de Goiás (1); Professor Jamil (1); Santa Cruz de Goiás (1); São João D’Aliança (1); Taquaral de Goiás (1); Trombas (2); Uirapuru (1); Valparaíso de Goiás (1).
