PT organiza atos em todo Brasil em defesa de Lula
Redação DM
Publicado em 3 de abril de 2018 às 01:41 | Atualizado há 1 ano
O Partido dos Trabalhadores prepara atos em todo o País para defender o direito de Lula ser candidato à presidência da República nestas eleições. O PT de Goiás deliberou a ida de uma caravana de Goiânia e de outras cidades para mobilização que será feita em frente ao Supremo Tribunal Federal na próxima quarta-feira, quando deverá ser votado o habeas corpus do ex-presidente, e, possivelmente, a Corte Suprema deverá avaliar novamente o princípio constitucional da presunção da inocência, inscrito no artigo V da Carta Magna que diz que “ninguém será considerado culpado até que o julgamento transite em julgado”, ou seja, ninguém pode ser preso enquanto houver recursos a instâncias superiores da Justiça, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o próprio Supremo.
O deputado federal Rubens Otoni (PT) afirma que “a cruel perseguição ao ex-presidente Lula tem o objetivo de impedir o povo de elegê-lo mais uma vez. Lula foi condenado sem provas, num processo em que sequer existe um crime, da mesma forma como ocorreu no golpe do impeachment da presidente legítima Dilma Rousseff”, frisa.
Segundo a presidente estadual do PT, professora Kátia Maria, “apesar das falsas acusações que sempre sofreu em mais de 40 anos de vida pública, nunca se demonstrou nada de errado na vida de Lula porque ele sempre agiu dentro da lei, antes, durante e depois de ser presidente do Brasil”. Para ela, a condenação de Lula é fruto de uma farsa judicial que vem se desenhando ao longo dos últimos anos em capítulos que se mostram tão ilegítimos quanto antidemocráticos.
Para o deputado estadual Luis Cesar Bueno, “defender a liberdade do companheiro Luiz Inácio Lula da Silva e o direito do povo brasileiro de votar naquele que melhor o representa é, neste momento, a principal e mais urgente tarefa do Partido dos Trabalhadores”, assevera.
DEFESA
A defesa do ex-presidente Lula apresentou ontem (2) ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer emitido pelo jurista José Afonso da Silva, professor titular aposentado da Faculdade de Direito da USP, demonstrando que “O princípio ou garantia da presunção de inocência tem a extensão que lhe deu o inc. LVII do art. 5º da Constituição Federal, qual seja, até o trânsito em julgado da sentença condenatória”. “A execução da pena antes disso — prossegue — viola gravemente a Constituição num dos elementos fundamentais do Estado Democrático de Direito, que é um direito individual fundamental”.
Afonso da Silva é o jurista mais citado pelo STF em decisões relativas ao controle abstrato da Constituição Federal. Ele elaborou o Parecer “pro bono” (sem cobrança de honorários) porque, segundo explicou, está exercendo um “dever impostergável” de “defesa da Constituição”. “Afirmei que tenho o ‘dever impostergável’ de defender a Constituição, e essa afirmativa decorre do fato de que trabalhei muito, me empenhei para além mesmo de minhas forças para que ela fosse uma Constituição essencialmente voltada para a garantia da realização efetiva dos direitos humanos fundamentais, confiante em que os Tribunais, especialmente o Tribunal incumbido de sua guarda, soubessem interpretar a formulação normativa desses direitos, segundo a concepção de que seu entendimento há de ser sempre expansivo e nunca restritivo “.
