PT quer aliar-se ao PMDB, apesar do impeachment
Redação DM
Publicado em 20 de julho de 2016 às 03:32 | Atualizado há 10 anosNo auge da batalha do impeachment, o PT, que acusa o PMDB do vice-presidente interino Michel Temer de conspirar pela derrubada da presidente Dilma Rousseff, quer uma aliança com a sigla na disputa deste ano pela Prefeitura de Goiânia. O presidente do PT na capital goiana e deputado estadual Luis Cesar Bueno afirma que a aposentadoria do cacique peemedebista Iris Rezende permite a reabertura do “diálogo com o PMDB para uma possível composição”.
A bancada do PMDB goiano na Câmara dos Deputados, incluído o presidente estadual da sigla, Daniel Vilela, votou pela abertura do processo de impeachment contra Dilma. Com o apoio decisivo do PMDB, o ruralista Ronaldo Caiado (DEM), uma entre as vozes mais estridentes contra o PT no Congresso Nacional, foi eleito senador. Mas isso não parece impedimento para Bueno, que apoia a pré-candidatura da colega de Assembleia Legislativa Adriana Accorsi.
O PMDB de Goiânia ainda não deu qualquer sinal de que poderia retomar o diálogo com o PT. Ao contrário, um vereador peemedebista, Clécio Alves, chegou a propor o impeachment do atual prefeito, Paulo Garcia, do PT.
Garcia fez carreira à sombra de Iris, de quem herdou mais da metade do mandato de prefeito quando o peemedebista, em 2010, renunciou à prefeitura da capital goiana para disputar (e perder) as eleições para o governo de Goiás em 2010. Em 2012, com apoio decisivo de Iris Rezende, Garcia se reelegeu no primeiro turno, vencendo, entre outros, o relator do processo de impeachment na Câmara, o petebista Jovair Arantes.
Apesar dos acenos do PT municipal, parece improvável que o PMDB esteja disposto a retomar o diálogo. O vice-prefeito de Goiânia, o peemedebista Agenor Mariano, foi humilhado pelo petista Garcia e teve toda sua equipe exonerada da prefeitura. Foi à Justiça pela recondução dos assessores, mas Garcia se recusa a renomear a tropa, mesmo tendo contra si uma sentença.
O estremecimento da aliança em Goiás remonta à eleição de 2014, quando o PMDB decidiu inserir em sua chapa (Iris, na cabeça, perdeu de novo) o democrata Caiado. Em Goiânia, a composição resistiu ainda alguns meses, por conta do apoio de vereadores peemedebistas à gestão petista. Neste ano, com o recrudescimento da guerra nacional entre as duas legendas, todos os peemedebistas foram enxotados da administração do PT em Goiânia.