Política

Quem tem chance pela oposição?

Redação DM

Publicado em 18 de janeiro de 2017 às 01:08 | Atualizado há 2 anos

A menos de dois anos para as eleições de 2018 ao governo de Goiás, a oposição tenta se estruturar para nova batalha eleitoral, certamente tendo o mesmo adversário dos últimos pleitos: o PSDB do governador Marconi Perillo.

O PMDB, DEM e PT já apresentam os seus pré-candidatos ao Palácio das Esmeraldas, mas, mais uma vez, a oposição segue dividida, o que, seguramente, lhe dará dificuldades para vencer o pleito de daqui a dois anos.

Depois de ocupar o poder em Goiás por 16 anos (de 1982 a 1998), o PMDB não sabe encontrar o caminho da vitória nas urnas, quando se trata de disputa pelo governo de Goiás. O ex-governador e agora prefeito de Goiânia, Iris Rezende perdeu três vezes para Marconi Perillo: 1998, 2010 e 2014. O ex-governador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela foi derrotado uma vez por Marconi (2002) e uma pelo ex-governador Alcides Rodrigues (2006).

O DEM, de Ronaldo Caiado, vai estreiar como oposição em 2018, já que até 2013 integrava a base aliada do governador Marconi Perillo. O Democratas rompeu com o PSDB em 2014 e lançou o seu presidente, Ronaldo Caiado, ao Senado, em aliança com o PMDB de Iris Rezende, e obteve vitória nas urnas.

Agora, o DEM pretende lançar o mesmo Ronaldo Caiado para a disputa ao Palácio das Esmeraldas, cargo que postulou em 1994 e perdeu, quando sequer chegou ao segundo turno das eleições ao governo. Maguito venceu, no segundo turno, Lúcia Vânia (então no PP).

Depois de disputar, por várias vezes, o governo de Goiás, desde a sua fundação, em 1980, o PT aliou-se ao PMDB em 2010, em apoio à campanha de Iris Rezende, mas afastou-se dos peemedebistas em 2014 e lançou o ex-prefeito de Anápolis, Antônio Gomide, à sucessão estadual, mas teve votação pífia, ficando em terceiro lugar, atrás de Marconi, do próprio Iris e de Vanderlan Cardoso.

Oposição dividida

A oposição goiana começa 2017, mais uma vez, dividida. Tem nomes para a disputa ao governo de Goiás, mas não sabe riscar para dentro, ou seja, construir um projeto de unidade que possa levá-la à vitória eleitoral em 2018.

O PMDB tem dois nomes cogitados para a disputa ao Palácio das Esmeraldas: o deputado federal e presidente estadual da legenda, Daniel Vilela, e seu pai, ex-governador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela. Sem falar que tem peemedebista que aposta em uma eventual quarta candidatura de Iris Rezende, apesar de ter se compromissado em não renunciar ao mandato de prefeito de Goiânia.

Daniel Vilela reestrutura os 246 diretórios municipais do PMDB à sua “imagem e semelhança”, se resguardando para não ser surpreendido na convenção do partido, que vai escolher, em julho do ano que vem, o candidato a governador.

Maguito Vilela diz que, se depender de sua vontade, não será candidato ao governo do Estado, pois quer abrir caminho para o seu filho, Daniel Vilela. Esse “enigma” somente será desfeito durante a convenção estadual do PMDB.

Respaldo de Iris

Ronaldo Caiado, que pertence a uma tradicional família política de Goiás (seu avô, Totó Caiado, foi um dos mais expressivos líderes, por 30 anos, antes da Revolução de 30 e da era Pedro Ludovico Teixeira) não esconde seu sonho de chegar ao Palácio das Esmeraldas. Mas Caiado sabe, também, que o DEM é um partido com enraizamento nos 246 municípios goianos, pois, afinal, elegeu, em 2016, apenas dez prefeitos e a maioria já anuncia debandada para o ninho tucano.

Caiado conta com um forte aliado no PMDB: Iris Rezende, que lhe é grato por ter tido a “ousadia” de deixar o conforto do poder, em 2014, para ombrear com a oposição. Caiado foi o primeiro político, antes mesmo dos cardeais peemedebista, a apostar na candidatura de Iris a prefeito de Goiânia, quando o atual prefeito dava sinais de que encerraria a carreira política.

Mas Iris tem conhecimento, também, que o PMDB, desde 1982, não abre mão de lançar candidato próprio ao governo do Estado, o que, seguramente, dificultará um apoio seu a Ronaldo Caiado em 2018. Iris gostaria que o democrata trocasse o DEM pelo PMDB, o que facilitaria a consolidação de sua candidatura a governador.

Caiado, precavido, resiste à ideia de filiar-se ao PMDB. Afinal, gato escaldado tem medo de água fria. É só lembrar as filiações de Henrique Meirelles em 2010, de Vanderlan Cardoso em 2011e de Henrique Meirelles em 2014 no PMDB com a ambição de serem ungidos candidatos do partido ao governo. Fritados, tiveram que deixar a legenda, às pressas.

Os prefeitos Adib Elias (Catalão) e Ernesto Roller (Formos), por exemplo, acham que Ronaldo Caiado deve arriscar, ou seja, filiar-se ao PMDB e lutar pela candidatura a governador, nem que isso implique em disputa de convenção com Daniel Vilela.

O líder da bancada estadual do PMDB, José Nelto, é o maior obstáculo de Ronaldo Caiado, pois não esconde o seu desinteresse pelo projeto eleitoral do senador do DEM. Nelto aposta em Daniel ou Maguito Vilela para 2018.

Também o deputado estadual Paulo Cezar Martins, da executiva estadual do PMDB, resiste a uma possível candidatura de Caiado em seu partido e defende o nome de Daniel Vilela.

Diálogo com Daniel

Após afastar-se do PMDB em 2014, quando lançou Antônio Gomide ao governo de Goiás, o PT dá sinais de que gostaria de fazer aliança com os peemedebistas para as eleições de 2018.

Os principais cardeais do PT goiano, o vereador e ex-prefeito de Anápolis, Antônio Gomide e o deputado federal Rubens Otoni, seu irmão, iniciaram conversações com Daniel Vilela e Maguito Vilela, na tentativa de restabelecer acordo entre as duas legendas. Gomide deixa claro que o rompimento do PT com o PMDB em Goiânia não será entrave a uma reaproximação.

Os petistas lembram que, apesar da crise vivida pelos dois partidos na capital, em 2016, PT e PMDB estiveram juntos em inúmeros municípios goianos como, por exemplo, Aparecida de Goiânia (o PT apoiou Gustavo Mendanha) e em Anápolis (o PMDB caminhou com João Gomes).

Antônio Gomide e Rubens Otoni, nos encontros que tiveram com Daniel e Maguito, deixaram claro: uma coligação entre PT e PMDB exclui o DEM de Ronaldo Caiado. Neste caso, os peemedebistas terão que fazer opção: ou aliam-se ao PT ou ao DEM em 2018.

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