Política

“Quero fincar no Senado a bandeira da Educação”

Redação DM

Publicado em 9 de setembro de 2018 às 00:52 | Atualizado há 8 anos

Professora, pedagoga, ba­charel em Direito e verea­dora no segundo mandato em Anápolis, Geli Sanches foi in­dicada pelo PT para disputar uma das vagas ao Senado em Goiás. O interesse pela politica come­çou na escola, onde participou do movimento estudantil, e depois, como professora, ingressou nas lutas sindicais por melhorias nas condições de trabalho e na quali­dade do ensino. Por esta trajetória, Geli diz que quer fincar no Senado a bandeira da Educação.

Geli crê que é o investimento em ensino de qualidade que dá furturo às crianças e aos jovens e desenvol­ve o povo e a nação. Ela também ava­lia que o povo está mais crítico com a politica e com os politicos, e debita certa apatia com a eleição ao fato de que caiu a ficha da população sobre um tipo de politico que trabalha só para o interesse dos bancos e sem­pre contra os intereses da população.

“Quero representar os goianos e as goianas, quero ser uma mulher de fibra no Senado. Cada um de nós te­mos a tarefa de provar se realmente queremos a mudança ou se quere­mos continuar com os políticos que estão aí há tantos anos, sem governar ou legislar para o bem do povo”, frisa.

A candidata reconhece que ain­da há enormes barreiras à participa­ção das mulheres nas lides politicas, mas entende que este é um desafio que merece ser vencido. “Se nós não participarmos e se não elegermos mulheres para nos representarem, vamos transferir somente aos ho­mens o direito de legislar sobre aqui­lo que só nós conhecemos”, adverte.

Além do compromisso com a Educação, Geli Sanches diz que pre­tende fazer um mandato municipa­lista, atendendoàsreivindicaçõesdos municípios e também participati­vo, com canais diretos de comuni­cação com os eleitores. Geli afirma que o programa de governo do ex­-presidente Lula é o mais coerente para retomada do crescimento da economia com distribuição de ren­da. Ela apoia revogação da Reforma Trabalhista, a revisão das privatiza­ções feitas pelo presidente Michel Te­mer (MDB-SP) e diz que no Senado vai ser fiel à tudo que represente be­nefícios para o povo e valorização dos Estados e da soberania nacional.”Em todas as pesquisas eleitorais, observa­mos o desejo geral de retirar do poder osgovernadores, deputados, senado­res e presidente que trabalham para os bancos e as classes mais privilegia­das e só prejudicam o povo,”opina.

Anápolis elegeu no passa­do recente três senadores (Hen­rique Santillo, Onofre Quinan e Irapuam Costa Junior) e Geli San­ches quer ser a quarta representan­te do município na Câmara Alta.

 

 

ÍNTEGRA DA ENTREVISTA

A senhora é professora, vereadora em Anápolis, já está no segundo mandato e disputa, agora, o Senado. Quando despertou o interesse pela política?

– Professora Geli – Meu interes­se pela política foi despertado ain­da nos bancos escolares. Na quin­ta série do Ensino Fundamental, enfrentei minha primeira campa­nha eleitoral para o Grêmio Estu­dantil, que, na época, chamava­-se Centro Cívico. Fui presidente, oradora e vice-presidente, sempre militando pelas causas estudantis. Quando saí do antigo Colegial, co­mecei a batalha nas associações de moradores. Fundei entidade e fui presidente dela. Na sequência, mi­litei nos sindicatos, defendendo os professores, utilizando minhas for­mações em pedagogia e em direito em favor da categoria. Sempre esti­ve ao lado dos que necessitam. Por isso, busquei participação política, representando e reivindicando di­reitos de outras pessoas. Candida­tei-me à vaga de vereadora da ci­dade de Anápolis e estou agora no segundo mandato. A política sem­pre fez parte da minha vida, por­que, na minha opinião, ela é o ins­trumento do diálogo para alcançar políticas públicas e levá-las ao ci­dadão que mais necessita.

É mais difícil para mulher a militância política? Quais foram os obstáculos que a senhora enfrentou?

– Professora Geli – Para as mu­lheres no Brasil, sempre foi mais di­fícil conquistar qualquer espaço de poder. E, na política, não é diferente. Nós vemos isso claramente estam­pado nas pesquisas que mostram queaparticipaçãodasmulheresnos parlamentos e no poder executivo está em torno de 10%. Precisamos trazer mais mulheres para a polí­tica. Mas, para que isso aconteça, não podemos considerar as barrei­ras maiores do que elas realmen­te são. Sofri muito, embora já nem me lembre muito bem dos obstácu­los. Precisamos, primeiramente, ter a coragem de nos posicionar e en­frentar a realidade que nos opri­me. Juntas! Sempre fui muito deter­minada em tudo o que me propus a fazer. Apresentei-me forte dian­te dos empecilhos, até vencê-los e chegar onde estou agora. Não po­demos desistir.

As pesquisas Grupom e Diagnóstico, publicadas pelo DM, mostram que as mulheres estão mais críticas, apáticas e desinteressadas em participar da política. Como representante do sexo feminino, o que a senhora tem a dizer a estas mulheres que não pretendem nem votar nestas eleições?

Fico muito feliz de saber que as mulheres estão mais críticas. As pesquisas realmente mostram isso. Mas, por outro lado, sinto-me tris­te em saber que há uma apatia das mulheres em relação à política. Isso é muito ruim. Quero dizer a elas que, se nós não participarmos e, mais do que isso, se não elegermos mulheres para nos representarem, vamos transferir somente aos ho­mens o direito de legislar sobre aqui­lo que só nós conhecemos. Somente a mulher sabe o que a mulher preci­sa. Se recusarmos o direito ao voto ou se não colocarmos o nosso nome para a disputa, estaremos anulan­do o poder de mais 52% eleitorado goiano. Ao longo dos anos, infeliz­mente, é isso o que tem acontecido. Nós estamos delegando a outros o direito que deveria ser nosso. Preci­samos despertar para essa realida­de e entender que as mulheres de­vem representar as mulheres. Nós sabemos das nossas necessidades. E eu me coloco à disposição exata­mente por acreditar que mulher tem inteligência, competência, força e determinação necessários para re­presentar uma população inteira. Homens, mulheres, jovens e crian­ças. Porque somos muito capazes de legislar para todos.

Anápolis tem uma história de eleger senadores, foram três: Henrique Santillo, Onofre Quinan e Irapuan Costa Júnior (se considerarmos que foi prefeito de Anápolis). A senhora pode ser a quarta representante de Anápolis na Câmara Alta?

E eu serei! Sou uma pessoa mui­to otimista. As pessoas querem reno­vação na política. Estamos vendo a maior parte da população claman­do por isso. E eu já fiz a minha par­te, colocando o meu nome à dispo­sição dos eleitores e eleitoras para ser a renovação no Senado Federal. Venho de Anápolis, uma cidade ex­tremamente combativa, que sem­pre luta para alçar os candidatos da cidade ao poder. A única can­didata de lá na disputa pelo Sena­do Federal sou eu, Professora Geli. Quero que meu povo me confie uma votação expressiva, juntando-se à vontade dos outros municípios, das mulheres goianas, das pessoas crí­ticas que querem mudança e que acreditam que eu posso ser sim essa renovação no Senado Federal. As pessoas conhecem e podem conhe­cer a minha vida. Sabem da minha capacidade, determinação, força para o trabalho e, sobretudo, que eu sou uma pessoa íntegra. Tenho mais de 34 anos dedicados à admi­nistração do bem público e não há uma única mácula na minha tra­jetória. Sou totalmente ficha lim­pa, graças a Deus. Sempre busco trabalhar pela sociedade. Sou esse nome que as pessoas estão procu­rando para renovar a política, pois carrego a bandeira da Educação com inclusão, que é o verdadeiro caminho para a mudança, além das causas dos deficientes físicos e intelectuais, das pessoas com cân­cer, das crianças e dos adolescentes, mulheres, autistas, vítimas de quei­maduras e de todas as minorias.

O que a Professora Geli fará diferente no Senado, em relação aos atuais representantes de Goiás?

Levarei ao Senado a minha forma de trabalhar, sempre dialo­gando com as pessoas. Eu gosto de povo, de estar no meio dele, de ou­vi-lo e de fazer com que suas neces­sidades sejam transformadas em políticas públicas. No Senado Fe­deral, quero buscar recursos para efetivar essas políticas no Estado. Quero ser uma senadora munici­palista, presente nos municípios, trabalhando por eles, levando re­cursos a eles. Também quero fin­car no Senado Federal a bandei­ra da Educação, porque acredito nela como instrumento de transfor­mação social, como base de todas as mudanças. Que nós possamos discutir segurança pública, saú­de, cultura, esporte, emprego, pas­sando pela Educação. Tudo junto com a Educação. Quero buscar no Senado Federal a garantia dos re­cursos necessários para a Educa­ção de qualidade, em cada escola do Estado de Goiás. Quando falo em qualidade, incluo a valorização dos profissionais da Educação, as estruturas físicas das unidades es­colares, para que atendam às ne­cessidades pedagógicas do ensinar e do aprender. Acredito que lá es­tarei como voz e vez dos professo­res, dos que necessitam do poder público e dos homens e mulhe­res trabalhadores do Esta­do de Goiás.

O ex-presidente Lula diz que, se for eleito, vai rever as vendas de campos de petróleo da Petrobrás no pré-sal e também a venda de subsidiárias da Eletrobrás. A senhora concorda?

Concordo com o Lula. A Ele­trobrás, as nossas riquezas mine­rais e o petróleo do Brasil precisam ser nossos. É uma questão de hon­ra resgatar essas perdas. Não pode­mos entregar aquilo que é dos bra­sileiros ao capital internacional. O pré-sal, por exemplo, subsidia a Educação. A partir do momen­to em que passamos essa riqueza a outras nações, estaremos tirando recurso essencial da Educação.

Qual setor foi mais prejudicado pela Reforma Trabalhista?

No caso da Reforma Traba­lhista, as grandes prejudicadas foram as mulheres. Vimos vários juristas descrevendo os prejuízos que as novas relações do tra­balho causaram a nós. Ago­ra, vale ressaltar, as grávi­das estarão sujeitas a trabalhar em luga­res insalubres. São várias as per­das. Sou c o n t r a tudo isso e apoio esse posiciona­mento do Lula, que também de­fende que esta reforma seja revista.

As pesquisas indicam que o ex-prefeito Antônio Gomide deve ser o campeão de votos nas eleições para Deputado Estadual em Anápolis e, possivelmente, um dos mais votados no Estado. Como a sua campanha se relaciona com a campanha dele?

Fico muito feliz com a campa­nha do companheiro Antônio Go­mide. As pesquisas indicam sua vi­tória e torço muito para que isso aconteça com votação expressiva de Anápolis e de todo o Estado de Goiás, por tudo o que ele realizou. Podemos dizer que nossa cidade era uma antes do governo do PT e ou­tra completamente diferente depois da aplicação dessa forma de gover­nar pelo povo e para o povo. Isso fez diferença em Anápolis e no Brasil, com o Lula. Gomide é uma pessoa criada para o trabalho sério, que preocupa com o cidadão e leva os benefícios sociais onde as pessoas estão. A minha campanha é muito atrelada à dele. Somos companhei­ros de Câmara, como vereadores, e fui presidente do Partido. Estive e sou muito próxima do Antônio e do Rubens, que são os petistas anapo­linos com mandato. Também sou próximo dos outros representan­tes que compõem a maior banca­da de vereadores do PT no Estado. Somos quatro. Minha luta diária é com os companheiros Gomide, Luís Lacerda e Lisiex Borges. Esta­mos antenados com o nosso presi­dente municipal, professor Marcos Carvalho, e fazendo um trabalho muito unido, no sentido de mostrar essa forma de fazer política, levan­do políticas públicas ao cidadão e às pessoas que mais necessitam.

O que fazer para motivar o eleitor a votar nestas eleições onde aina é grande o número de indecisos e daqueles que podem anular o votar branco?

Eu quero dizer ao eleitor e à eleitora de Goiás que todos nós bus­camos mudança para melhor. Em todas as pesquisas eleitorais, obser­vamos o desejo geral de retirar do poder os governadores, deputados, senadores e presidente que traba­lham para os bancos e as classes mais privilegiadas e só prejudicam o povo. Mas, para que isso aconte­ça, é preciso que estejamos dispos­tos a lutar pela renovação. Eu já fiz essa escolha ao colocar o meu nome para a avaliação do eleitorado e ser a mudança que Goiás tanto preci­sa. Sou uma mulher trabalhadora, forte, determinada, completamente ficha limpa e sempre estive ao lado do povo, lutando em favor dele. Te­nho, emmeucoração, abandeirado cidadão transformado pela Educa­ção, a batalha pela escola pública, gratuita, de qualidade e inclusiva. Quero levar esse amor às pessoas e às causas sociais para o Senado Fe­deral. Sou honesta, todos me co­nhecem e sabem a forma como trabalho, sempre respeitando o cidadão e as diferenças.Que­ro representar os goianos e as goianas, quero ser uma mulher de fibra no Senado. Cada um de nós temos a tarefa de pro­var se realmente queremos a mudança ou se queremos continuar com os políticos que es­tão aí há tantos anos, semgover­nar ou legislar para o bem do povo.

 

 



Pesquisas mostram que a participação das mulheres nos parlamentos e no poder executivo está em torno de 10%. Precisamos trazer mais mulheres para a política”

 

 

Em todas as pesquisas eleitorais, observamos o desejo geral de retirar do poder os governadores, deputados, senadores e presidente que trabalham para os bancos e as classes mais privilegiadas e só prejudicam o povo”

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