Política

Ronaldo Caiado e ACM Neto assumem protagonismo do DEM

Redação DM

Publicado em 10 de fevereiro de 2021 às 13:29 | Atualizado há 5 anos

Após as eleições do Congresso Nacional, um fato tornou-se ainda mais claro na política brasileira: qualquer projeto duradouro de governabilidade passa pelo Democratas (DEM).

Exceção: PT no poder. Mas foi só na teoria. Na prática, uma antiga ala do DEM estava no governo Dilma Rousseff até o ex-ministro Gilberto Kassab assinar carta de demissão e pedir seu impeachment.

Para governar, o PT ‘criou’ ou inspirou a criação do PSD (a ala do DEM), Pros e o PRB (atual Republicanos) – estes últimos, com vários ex-democratas.

A sigla matriz do conservadorismo e da direita brasileira tem em sua constelação um grupo coeso de lideranças do agronegócio, profissionais liberais, empresários e políticos regionais que tornam a sigla forte na maior parte do país.

A força política do DEM é constante, uniforme e universal.

Os candidatos de Jair Bolsonaro não teriam vencido as eleições na Câmara e Senado sem que o partido tivesse caminhado em direção oposta ao que desejava, por exemplo, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM), que ao fim de seu mandato na presidência da Câmara se frustrou com uma guinada desesperada em direção ao MDB e PSDB.

A legenda se fortaleceu através do episódio, apesar do “racha” anunciado com a possível saída de Maia e até mesmo Luiz Mandetta. Em contrapartida, dentro do partido dois nomes têm se destacado por manter o DEM incólume aos ataques de Maia: ACM Neto, ex-prefeito de Salvador (BA), considerado um gestor revelação após ter passagem muito bem avaliada no Congresso Nacional, e o governador Ronaldo Caiado, que é elogiado pela condução de Goiás e seu histórico de austeridade como parlamentar.

Nos bastidores, o que se sabe é que o DEM seguirá com ACM Neto como o ‘herdeiro’ moral da sigla, que no passado foi o palco do poderoso avô Antônio Carlos Magalhães. Já Ronaldo Caiado ocupa cada vez mais o espaço de vitrine da legenda, com integridade moral acumulada por três décadas na Câmara e agora governador visível, cuja atuação o coloca dentre os principais gestores do país.

O DEM está disposto a dar governabilidade ao Poder Executivo, mas sem se comprometer em caso de entreveros com as pautas que defende, caso do agronegócio, empreendedorismo e ciência.

Foi o DEM que pressionou o Governo Federal a acelerar a política de vacinação, fato que neutralizou adversários como João Dória (PSDB).  E foi o DEM que salvou Bolsonaro da derrota dentro Congresso.

O grupo tem um desempenho diferente do Centrão, já que não costuma alugar ‘defesas’, mas é custoso, já que tem influência na indicação de ministérios.  

É possível que tanto Caiado quanto ACM Neto venham indicar ministros na nova composição do governo federal. Mais do que ACM, na primeira formação, Caiado foi um dos mais ouvidos por Bolsonaro. A prova é que Luiz Mandetta (Saúde) e Teresa Cristina (Agricultura) chegaram no governo pelo filtro  das duas lideranças.

A pergunta momentânea é saber se a legenda se alinhou ao bolsonarismo, como atacou o deputado federal Rodrigo Maia.

Tudo leva a crer que o DEM seguirá independente do presidente nas eleições de 2022. Pode até apoiar Jair Bolsonaro, mas os últimos sinais de ACM Neto é de que o partido preza a possibilidade de candidaturas de outras vertentes, caso de Luciano Huck, Sérgio Moro e Ciro Gomes.

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