Saída de Iris mexe no jogo eleitoral
Redação DM
Publicado em 10 de julho de 2016 às 02:01 | Atualizado há 1 anoSe a eleição para prefeito de Goiânia já estava cercada de grande expectativa diante da campanha mais curta e das novas regras eleitorais, tudo ficou mais imprevisível com a aposentadoria política de Iris Rezende (PMDB), anunciada nesta semana. O ex-governador apareceu na frente de todas as pesquisas até aqui e o PMDB apostava todas suas fichas na vitória de Iris Rezende, mesmo com 82 anos.
Sem Iris, tudo muda. O cenário tende a ficar mais equilibrado e se antes a expectativa era de que uma vaga no segundo turno já era de Iris Rezende, agora todos têm chance de disputar a segunda etapa da eleição. O mais beneficiado em primeira análise é o deputado federal Delegado Waldir (PR). Bem colocado nas pesquisas e adepto de um discurso que encontra ressonância num momento em que a violência é pauta principal, Waldir deve herdar eleitores de Iris, principalmente na Região Noroeste, onde o peemedebista sempre reinou absoluto.
Na base marconista, a saída de Iris só animou os pré-candidatos. Apesar de o governador Marconi Perillo ter pedido unidade em torno de Giuseppe Vecci (PSDB), o movimento indica que nem Luiz Bittencourt (PTB) nem Francisco Júnior (PSD) vão abrir mão de seus projetos. Bittencourt leva vantagem com saída de Iris pois também pode herdar votos do eleitorado peemedebista. O engenheiro passou muitos anos no PMDB e ainda goza de prestígio em setores do partido.
Ampliando a análise para além da eleição municipal, o governador Marconi tende a ganhar com Iris fora do jogo. Iris Rezende sempre foi o opositor com maior densidade eleitoral. Nunca ninguém incomodou tanto Marconi quanto Iris. A aposentadoria do cacique peemedebista dá fôlego eleitoral ao governador e aliados. Por outros motivos, quem também comemora é o prefeito Maguito Vilela, que passa a ser figura de maior destaque dentro do partido e ainda tem o filho como presidente estadual da legenda.
Porém, quando se olha o outro lado, Daniel também sofre com a saída de Iris Rezende. O filho de Maguito é candidato ao governo em 2018 e perde assim um fortíssimo cabo eleitoral (Iris já avisou que está fora de qualquer campanha) e se o PMDB não ganhar a prefeitura, Daniel fica sem base na Capital para seu projeto ao Palácio das Esmeraldas.
Dentro do PMDB, a saída definitiva de Iris Rezende da política caiu como uma bomba. Até mesmo Daniel Vilela assumiu que ficou surpreso e que o PMDB não tem um plano B para Goiânia. A ex-deputada Dona Iris não engoliu a forma como Iris foi tirado do comando do partido pela jovem guarda do PMDB (Daniel Vilela e Bruno Peixoto). Ela afirmou que Iris Rezende foi tratado como um trapo e não teve sua história respeitada. A ex-deputada mantinha a esperança de emplacar Lucas Vergílio (SDD) como vice de Iris e assim assumir o mandato como suplente.
