Política

Setor madeireiro vive crise em Goiás

Redação DM

Publicado em 24 de dezembro de 2016 às 02:34 | Atualizado há 2 anos

O setor madeireiro vive uma crise sem precedentes em Goiás, agravado pela concorrência de outros Estados, que isentam o produto de tributos e situação econômica nacional. O quadro crítico tende a provocar uma audiência da Câmara Setorial de Produtos da Base Florestal do Estado, liderada por Ricardo Cantaclaro, com o governador Marconi Perillo, em Palácio.

“É uma situação de emergência”, confessou Cantaclaro ao Diário da Manhã, que protocolou, ontem, a solicitação do encontro com o primeiro mandatário goiano. Na audiência, o segmento entregará um expediente para expor ao governador o atual quadro.

Para a Câmara Setorial, “trata-se de importação em enorme escala de produto de baixo valor agregado que a cadeia produtiva deste Estado bem poderia estar produzindo e atendendo o nosso próprio mercado, se tivesse as condições para tal e não sofresse concorrência externa desleal e predatória”. O Estado de Goiás cobra 17% de ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias) sobre a comercialização da madeira produzida enquanto noutros Estados há isenção. Este fator pesa na economia madeireira goiana, onde o eucalipto lidera no cultivo.

Goiás de fora

Segundo o signatário do documento, “é de muito se estranhar este relevante fato, pois, em nível nacional em 2015, apesar do negativo cenário macroeconômico interno e externo, este setor teve PIB de R$ 70 bilhões com aumento de 3% sobre o ano anterior, arrecadou tributos da ordem de R$ 11,3 bilhões, teve saldo positivo na balança comercial de U$ 7,7 bilhões (aumento recorde de 14,9% sobre o ano anterior), e gerou 3,8 milhões de empregos diretos, indiretos e de efeito renda”.

A Câmara lamenta que Goiás “quase nada participa desta bonança”. E relata que é de conhecimento geral a “situação de penúria e insolvência que a maior parte dos produtores (entre os quais se incluem os vários tipos de proprietários rurais), viveiristas, engenheiros florestais e outros agentes da cadeia produtiva em Goiás atravessam já há vários anos”.

Argumenta, ainda, que a indústria de base florestal usa mínimas quantidades de matéria prima goiana, além de que “seus principais segmentos não estão presentes no Estado”. Expõe, também, que a inovação é insuficiente, o comércio, serviços e consumidores atuam conforme a conjuntura com produtos em mais de 90% de origem externa. “Mesmo considerando a proeminência do mercado consumidor interno, pelo dinamismo da construção civil, movelaria, secagem de grãos e indústrias em geral”, observa o expediente.

Programa Goiás Florestal

Há anos a Câmara Setorial Florestal e outras entidades de segmento buscam o desenvolvimento de suas iniciativas. Lembra que o governador estadual firmou com a Câmara Setorial de Produtos de Base Florestal de Goiás, com interveniência das diversas entidades, um protocolo de intenções que estabelece medidas governamentais essenciais para se tornarem políticas públicas e promover o efetivo desenvolvimento deste potencial setor para a economia e o meio ambiente no Estado.

Para aplicação prática e produtiva do mesmo, a Câmara Setorial Florestal formulou proposta para implementar o “Programa Goiás Florestal Competitivo”, em andamento sob coordenação da SED, e outra para implementar o “Programa Goiás Energias Sustentáveis”, em andamento na Secima e no Fórum do Setor Energético de Goiás. A Câmara Setorial diz que apenas no segundo semestre este ano, após a publicação do Decreto nº 8.681 em 29/06/16, iniciaram os primeiros avanços efetivos neste propósito, apesar de que ainda incipientes.

O subscritor do ofício ao governador enaltece o “grande interesse, impulso e iniciativas que desde então vêm sendo tomadas pelos secretários Luiz Maronezi e Vilmar Rocha, com suas respectivas equipes, bem como do deputado Simeyzon Silveira na presidência do Fórum Energético”.

Implementação de medidas

A audiência com Marconi Perillo, extensiva aos aludidos secretários e integrantes do Comitê Gestor nomeado pelo mencionado decreto, “visa tratar da aplicação e implementação de medidas emergenciais e de longo prazo que, de um lado resgatem a sobrevivência dos empreendedores que ainda restam no setor, e de outro estabeleçam as diretrizes do governador para implementação dos referidos programas de desenvolvimento sustentável das cadeias produtivas de base florestal em Goiás”.

 

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