Solidariedade libera Cida Garcêz
Redação DM
Publicado em 19 de fevereiro de 2016 às 22:15 | Atualizado há 10 anos
Legenda expulsa vereadora de seus quadros e presidente diz que não vai reivindicar mandato na Justiça Eleitoral. Ela afirma que não aceita expulsão por “boca de matilde”
O imbróglio envolvendo a vereadora Cida Garcêz e a direção do Partido Solidariedade (SDD) ainda deverá render muita discussão. O presidente da sigla, ex-deputado federal Armando Vergílio, determinou a expulsão de Cida dos quadros e nem mesmo cogita reivindicar na Justiça Eleitoral o mandato da vereadora. Por sua vez, Cida Garcêz tem feito duros pronunciamentos na direção do partido e dos dirigentes, não poupando nem mesmo antigos colegas de legenda.
A pendenga começou quando Cida Garcêz não acatou uma orientação da liderança do Solidariedade em atendimento a pedido feito por Armando Vergílio. Ao analisarem um veto do prefeito Paulo Garcia, em projeto que reduzia a alíquota de ISS incidente sobre serviços de corretores de seguros, de 5% para 2,5%. Cida se rebelou contra a orientação da direção partidária, pediu vistas do processo e mandou recado para o deputado federal Lucas Vergílio, filho de Armando e liderança-mor da legenda na atualidade. “Se quiserem discutir o assunto estarei à disposição”, anunciou a vereadora.
Lucas informou que se tratava de questão fechada pelo partido e que os vereadores precisavam se posicionar conforme a orientação repassada pela liderança na Câmara. Cida endureceu o jogo e disse que não. Supondo que nada lhe aconteceria ela pediu ao líder da bancada do Solidariedade na Câmara Municipal, vereador Paulo Magalhães que a indicasse para compor a Comissão Especial de Inquérito que vai investigar a concessão da Saneago.
“O que queríamos é que a vereadora respeitasse uma orientação tomada democraticamente pelo partido e falasse uma língua só com os outros integrantes da sigla. Um partido para ser forte precisa da coesão de seus membros e de afinação no seu discurso, porque do contrário se fragiliza e perde espaço para outros concorrentes”, comentou Armando Vergílio.
O presidente explica que o objetivo da orientação era fazer retornar a alíquota a um patamar que já existia e que fora aumentada de modo injusto contra os corretores de seguros. Armando lembra que o partido é radicalmente contra o aumento de tributos de qualquer natureza e que a discussão interna deliberou pela tomada de posição contra esse aumento, forçando uma revisão que seria a derrubada do veto do prefeito Paulo Garcia.
Convivência
Armando Vergílio diz que Cida Garcêz ingressou no Solidariedade oriunda do Partido Verde (PV), legenda onde ela já não contava mais com convivência pacífica e que estava em vias de expulsão. “Foram muitas as manifestações de contrariedade pela admissão de Cida em nosso partido, mas mesmo assim resolvemos dar uma chance a ela e aceita-la em nossos quadros”, explica.
Todavia, lembra Armando, Cida nunca se integrou completamente, não participava de reuniões e discussões para estabelecer os rumos de atuação da bancada na Câmara, aliou-se ao prefeito Paulo Garcia e não respeitava a democracia interna do partido. “Lamentável, mas ela já está deixando tarde nossos quadros”, frisa. Armando ainda explica que ela poderá permanecer tranquila no exercício de seu mandato e que a sigla não recorrerá à Justiça Eleitoral reivindicando sua vaga.
Fofoca
Cida Garcêz diz que foi comunicada da expulsão de modo apenas verbal e que não aceita esse tratamento. “Fui surpreendida com a notícia da minha expulsão do Partido Solidariedade. Através de conversas informais, chegou ao meu conhecimento tal informação, ou seja, sem qualquer comunicado oficial do partido, detalhando a motivação que ensejou o porquê de extrema atitude”, comentou a vereadora em uma nota.
A vereadora afirma que não aceita expulsão por “boca de Matilde” e que “não foi ouvida nem respeitada”. Disse também que reitera seus “compromissos com a sociedade goianiense, bem como com Município de Goiânia”, além do que “nunca trabalhou e jamais trabalhará por interesses pessoais ou partidários”.
Cida afirma ter recebido convite para se filiar a quatro partidos diferentes e que isto se traduz como “prova do reconhecimento” de seu trabalho e dedicação. “Vivemos em um ambiente democrático no qual não deve prevalecer a ditadura e muito menos a perseguição”, finalizou.
O líder do SDD, vereador Paulo Magalhães diz que “faltou humildade” para a vereadora Cida Garcêz, apenas informou a ela que não pertencia mais à bancada. “Ela tem desobedecido as normas do partido e deveria respeitar orientações da direção do partido”, lamentou.