Política

Transporte só para mulheres

Redação DM

Publicado em 20 de julho de 2016 às 03:31 | Atualizado há 10 anos

E apresenta eixos de sua campanha e propõe lançar transporte coletivo exclusivo às mulheres para acabar com abusos

O deputado estadual Major Araújo (PRP) se lançou pré-candidato a prefeito de Goiânia por sua legenda e considera que quadro na Capital esteja indefinido. “O quadro caminhava para uma definição se o ex-prefeito Iris Rezende fosse de fato candidato pelo PMDB, mas sem ele no páreo a situação fica totalmente sem definição, o que sugere que a população quer mais alternativas para escolher quem deverá administrar Goiânia nos próximos quatro anos”, comenta.

Com experiência de oficial superior da Polícia Militar e ex-presidente da Associação dos Oficiais da PM e Bombeiros Militares, ele foi testado e aprovado nas urnas em eleições distintas. Primeiro foi eleito vereador em Goiânia e, dois anos depois, em 2010, sagrou-se vencedor na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa. Reeleito em 2014 na esteira de 21.500 votos, ele vem com um discurso moralizador e sem vínculos com setores viciados da política e da economia.

Ele se apresenta como postulante à prefeitura com propostas voltadas para reformas estruturais e quer ser lembrado como um político que tem coragem para promover essas mudanças por ser “justamente um candidato que não tem vinculação com grupos que exploram de forma predatória a cidade”. Ele classifica nessa condição grupos distintos da economia, como empresas do setor imobiliário, que são eternos gargalos de candidatos a prefeito, e as empresas do setor de transporte coletivo, que, na visão do deputado, não apresentaram as alternativas para um transporte decente, de qualidade e voltado para o bem-estar dos usuários.

Sobre como se relacionar com a Câmara de Vereadores, ele é enfático ao dizer que não fará concessões para administrar e que busca apoio da sociedade para não ficar refém dos vereadores. “Tenho coragem para mudar e para enfrentar desafios que muitos não encaram por serem vinculados a grupos predadores da economia de nossa cidade”, frisa.

Júnio Alves Araújo, o Major Araújo, nasceu em Goiânia, tem 50 anos e viveu sempre na periferia da cidade, conhecendo a realidade em sua forma mais natural. Viveu na Vila União, Parque Ateneu e hoje mora no Setor Pedro Ludovico. Ingressou na Polícia Militar como aluno oficial, galgou postos e patentes até entrar no seleto grupo de oficiais superiores, quando decidiu entrar para a política, após presidir a associação de sua categoria. No Partido Republicano Progressista (PRP) tem apoio da base e da direção estadual para postular a pré-candidatura e pretende ampliar suas propostas na medida em que o debate se intensificar.

 



“Eu tenho coragem para fazer o que Goiânia precisa, é preciso dizer isso de início. Porque não tenho vínculo com predadores da cidade e não aceito financiamento de quem tenha dinheiro sujo”

 

Confira a entrevista

DM – Como o senhor vê o quadro sucessório em Goiânia?

Deputado Major Araújo – No início, quando Iris Rezende ainda era uma possibilidade de candidatura pelo PMDB, a situação era uma. Com sua saída do páreo, o quadro está totalmente indefinido e as pesquisas indicam que a população quer renovação nas ideias e na prática administrativa para a cidade. A pesquisa Serpes mostrou que 75% dos eleitores não definiram ainda como quer votar e em quem confiar seu voto. Com esse caminho aberto, nos apresentamos com propostas, condições para implementar mudanças e coragem para realizar a ruptura necessária.

 

DM – O senhor avalia que os eleitores queiram candidatos e propostas diferentes do que está apresentado?

Deputado Major Araújo – Sim, o que percebemos é que os eleitores querem ver uma candidatura que seja neutra ou que não tenha vínculos com setores da economia que exploram de forma predatória a cidade de Goiânia, como o setor imobiliário, que historicamente promove uma especulação imobiliária e usa o poder público para isto, ou empresas do setor de transporte coletivo, que não cumprem o que foi pactuado na licitação e no contrato de concessão. A prefeitura precisa, por exemplo, ter coragem para romper essa concessão e obrigar o serviço a oferecer uma prestação condizente com o que a população paga.

DM – O que o senhor traz de diferente para essa campanha?

Deputado Major Araújo – Eu tenho coragem para fazer o que Goiânia precisa, é preciso dizer isso de início. Porque não tenho vínculo com predadores da cidade e não aceito financiamento de quem tenha dinheiro sujo. O que vemos hoje é facilitação de alvarás, o Plano Diretor que sofre agressões todos os meses para ser adequado à sanha exploratória dessas empresas. Os vereadores sempre foram coniventes com isso e subservientes ao que as empresas querem. Eu sou goianiense, nascido e criado aqui, e a população sabe o que proponho e posso fazer. Vivi sempre na periferia, nos bairros e não em condomínios fechados. Sofri toda sorte de dificuldade que as pessoas sofrem todos os dias, como a saúde pública, o transporte coletivo e a educação pública. Minha esposa já andou de ônibus e foi agredida, molestada e sofreu os abusos que as mulheres sofrem todos os dias. Por isto conheço onde estão os problemas, sei o que é preciso fazer para mudar e tenho coragem para fazer isto.

 

DM – No transporte coletivo, por exemplo, o que o senhor propõe?

Deputado Major Araújo – Proponho rever todos os contratos e obrigar as empresas a cumprirem o que foi pactuado na licitação. Além disso, proponho licitar e liberar o transporte alternativo com veículos exclusivos para mulheres, será o “Transporte Rosa”, com vans que cumpram linhas regulares e não permitam que mulheres sejam assediadas e abusadas nos ônibus como acontece todos os dias. Há motivos de sobra para romper o contrato com as empresas e é preciso coragem para isto.

 

DM – Em setores estratégicos da administração pública o senhor tem propostas inovadoras também, como será feito isto?

Deputado Major Araújo – Na hora correta dos debates vamos mostrar que é possível fazer educação municipal pública de qualidade, visando conter a evasão escolar, um uso correto da Guarda Civil Metropolitana que não dispute espaço com as polícias militar e civil, acabar com o recesso das creches municipais, os Cmeis, para facilitar a vida da mãe trabalhadora e muitos outros. À medida que a campanha deslanchar vamos apresentar isto para a população.

 

 

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