Tumultos e ofensas em prestação de contas
Redação DM
Publicado em 4 de maio de 2015 às 23:08 | Atualizado há 1 ano
O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, compareceu ontem à Câmara Municipal para fazer a prestação de contas do último quadrimestre de 2014, como determina a Lei Orgânica do Município de Goiânia. A sessão em que os vereadores recebiam a prestação de contas sempre ocorria na Sala das Comissões, mas dessa vez o presidente das Comissões Mistas, vereador Thiago Albernaz (PSDB), resolveu inovar e passou o evento para o Plenário da Câmara.
Com duas categorias de servidores em greve, justamente as de maior contingente de funcionários, já era esperado o tumulto ser instalado. Policiais militares e agentes da Guarda Civil Metropolitana tentaram conter a entrada de servidores na Câmara, mas muitos já haviam ingressado e conseguiram chegar ao plenário.
O que se viu foi uma sucessão de gritarias, palavras de ordem e uma completa balbúrdia, sem que ninguém conseguisse entender alguma coisa. Vereadores da oposição colocavam ainda mais lenha na fogueira, incitando os servidores contra o prefeito e jogavam para a plateia de modo desregrado que até o mais descarado dos demagogos ficaria corado diante do quadro.
Djalma Araújo (Solidariedade) era o que mais se aproveitava da situação, fazendo cobranças ao prefeito sobre ações do Executivo que nada fazia parte do previsto para uma prestação de contas e saía constantemente do plenário para se reunir com líderes dos grevistas para incitá-los a subir o tom nos xingatórios contra o prefeito. Sua estratégia de constranger o antigo aliado do PT era bem recebida pelos manifestantes e na maioria das vezes nem mesmo ele conseguia falar uma sequência de frases compreensíveis com tanto tumulto.
Os manifestantes gritavam palavras de ordem contra o prefeito Paulo Garcia com acusações graves e desconectadas do momento marcado para uma prestação de contas. “Prefeito caloteiro devolva meu dinheiro” e “Prefeito sanguinário devolva meu salário”. Nem mesmo o secretário de governo da prefeitura, Osmar Magalhães, foi poupado dos ataques. Servidores da Educação o agrediram com palavras de baixo-calão e o chamaram até mesmo de “líder de quadrilha”. Osmar Magalhães é professor de carreira e foi presidente do Centro dos Professores de Goiás (CPG, o embrião do Sintego), no início dos anos 1980, e líder de movimentos dos trabalhadores durante o regime militar.
Defesa
Enquanto os manifestantes gritavam e não deixavam ninguém entender o que os vereadores perguntavam ou o que o prefeito dizia, ou mesmo o que o presidente Anselmo Pereira encaminhava e o vereador Thiago Albernaz conduzia, o restante dos vereadores que compareceram ficava quieto, calado e resignado deixando que a oposição tripudiasse e que os manifestantes reinassem absolutos.
Do PT, partido do prefeito Paulo Garcia, somente o vereador Carlos Soares assistia às cenas impávido. Os vereadores do PMDB, que partilham o poder no Paço Municipal, mas não arcam com nenhum ônus da prefeitura, faziam cara de paisagem e deixavam o prefeito apanhar sozinho da barulheira produzida nas galerias.
A desorganização oriunda da iniciativa de Thiago Albernaz teve seus momentos de ópera bufa, com mais situações que em nada deveriam fazer parte de uma prestação de contas do prefeito. A vereadora Tatiana Lemos (PCdoB) pediu a palavra para reiterar um pedido para que seja providenciada a roçagem de mato em um setor de seus cuidados. Elias Vaz aproveitou para dizer que entende ser necessário deixar de fora uma empresa que já presta serviços na área de fotossensores, deixando a licitação para outra empresa do ramo e que pesquisas científicas devem ser incentivadas para facilitar a mobilidade urbana. Tudo a ver com prestação de contas.
Thiago inovou ainda mais recebendo perguntas da plateia. Uma dessas questões apresentadas indagava o prefeito sobre dois hospitais que estariam sendo construídos fora do município de Goiânia, no que o prefeito classificou de “piada de mau gosto”.

Austeridade
A parte mais compreensível que os vereadores puderam chegar perto do inteligível do ocorrido foi quando o prefeito Paulo Garcia disse que tem como prioridade tomar medidas “para manter o equilíbrio fiscal, reduzir as despesas e viabilizar o crescimento da receita”. Entre elas está a geração de receitas com a cobrança das inadimplências. Para isso pretende encaminhar para protesto na Justiça as dívidas dos contribuintes, inscrever tais débitos no Cadin e realizar a execução fiscal dos débitos por meio de uma Vara exclusiva no Tribunal de Justiça.
A audiência pública foi encerrada já no final da manhã com a apresentação de uma série de propostas dos vereadores ao prefeito e o pedido do vereador Geovani Antônio (PSDB) para que o prefeito encerre contratos que ele considera “nocivos” para o município.