Política

Vanderlan e Maguito podem vencer disputa pelo segundo voto

Redação DM

Publicado em 15 de agosto de 2018 às 04:07 | Atualizado há 1 ano

O Senado renova a cada qua­tro anos parte de suas 81 cadeiras, em eleições onde são colocadas um terço das vagas (27 cadeiras) e dois terços das cadei­ras (54), assim, como são 27 os esta­dos brasileiros, há eleições onde os partidos têm apenas um candidato ao Senado, e noutras, dois candida­tos ao Senado. No dia 7 de outubro, os goianos irão votar duas vezes para senador, escolhendo assim dois re­presentantes para a Câmara Alta, aquela onde os eleitos representam os interesses dos Estados que repre­sentam. Nas eleições onde uma vaga é ofertada, vence aquele candidato que tem mais votos. Foi assim em 1998, quando o então ex-governa­dor Maguito Vilela (PMDB) foi elei­to com uma grande votação, 68,53% (1.261.950 votos), superada apenas em 2006, quando o também ex-go­vernador Marconi Perillo (PSDB) obteve 75,82% (2.035.564 votos).

Neste ano duas vagas são ofere­cidas e neste tipo de eleição con­ta muito o fator chamado “segun­do voto”. Funciona assim: como cada partido lança uma chapa com dois candidatos, como o eleitor não é obrigado a votar nos dois candi­datos da chapa – pode simpatizar com o candidato do partido A e votar também no candidato do partido B, isto significa que um candidato pode ter o segundo voto do outro. Quan­do há química entre os dois candi­datos de uma mesma chapa, o mais votado “puxa” o outro. Foi assim em 1994, quando Iris Rezende (PMDB) foi candidato ao Senado e levou jun­to o deputado federal Mauro Miran­da (PMDB), que beneficiou-se da popularidade de Iris, embora fosse menos conhecido que o ex-prefeito de Goiânia Nion Albernaz (PSDB) e o ex-prefeito de Rio Verde Paulo Roberto Cunha (PDC). Em 2002 foi o contrário. Lúcia Vânia (PSDB) era mais conhecida no meio político do que Demóstenes Torres (PFL), po­rém, o ex-secretário de Segurança Pública ganhou notoriedade com a resolução do sequestro de Welling­ton Camargo, irmão da dupla Zezé Di Camargo e Luciano. Com a proje­ção, Demóstenes ganhou o segundo voto de Lúcia e de Iris (candidato à reeleição). O resultado: Demóstenes mais votado e Lúcia eleita por ape­nas 9 mil votos de frente sobre Iris.

SEGUNDO VOTO

Nas eleições deste ano, o cha­mado “segundo voto” pode be­neficiar o ex-prefeito de Senador Canedo Vanderlan Cardoso (PP). Pelo menos é o que se deduz após a leitura da pesquisa Serpes/O Po­pular, divulgada no último do­mingo. O levantamento mostra Vanderlan empatado tecnica­mente com os líderes. Vanderlan também é o menos rejeitado dos candidatos que lideram: 11,4% contra 30,2% de Marconi, 14,5% de Lúcia e 12,5% de Kajuru.

Na soma do primeiro e segun­do voto, Marconi lidera com 15,5%, Lúcia tem 14,2% e Vanderlan 10,8%. Como a margem de erro é de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos, Vanderlan pode ter 14,3% (à frente de Lúcia e encosta­do em Marconi) ou com 7,3% (abai­xo de Jorge Kajuru que tem 8,4%).

Na primeira opção, a liderança também é de Marconi com 22%, Lu­cia 15%, Kajuru,11,9% e Vanderlan 10,7%. No segundo voto, Vanderlan é a segunda opção com 10,9%, con­tra 13,4% de Lúcia , 8,2% de Marconi e 4,9% de Kajuru. Novamente, Vander­lan oscila entre 14,4% e 7,5%, assim como Lúcia pode ter 16,7% e 9,9%.

A pesquisa revela que Vanderlan e Lúcia disputam palmo a palmo o segundo voto do eleitor de Mar­coni. Mais: Vanderlan tende a ser a segunda opção de votos de elei­tores de outros candidatos da opo­sição como o próprio Kajuru, dos emedebistas Pedro Chaves e Age­nor Mariano e mesmo de candida­tos de esquerda como o deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT) e a vereadora Geli Sanches (PT).

RECALL

Vanderlan também se beneficia de ter no momento mais visibilida­de do que seus principais adversá­rios. Ele disputou duas eleições para o governo do Estado (2010, 2014) e uma para prefeito de Goiânia (2016). A última candidatura de Lúcia Vâ­nia foi sua reeleição ao Senado em 2014, assim como o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). Como can­didatos ligados ao governo, Marconi e Lúcia também herdam o desgaste dos 20 anos de mando da aliança si­tuacionista comandada em Goiás pela coligação denominada Tempo Novo, que tem à frente como princi­pais acionistas o PSDB, PTB, PR, PSB e PPS. De acordo com o próprio Ser­pes, governo tem 21,1% de avaliação positiva (ótimo/bom), 40,1% de regu­lar e 34,7% negativa (ruim/péssimo).

As estatísticas eleitorais mos­tram que um governo com mais de 45% de aprovação tem garantia de reeleição e de levar junto toda a chapa majoritária (candidatos ao Senado). Neste ano, o que se vê é uma eleição mais disputada, onde ninguém tem garantia real de elei­ção, nem mesmo os líderes Ronal­do Caiado (que disputa o gover­no) e Marconi Perillo (na corrida ao Senado). O número de inde­cisos e de eleitores que podem anular ou votar branco é incrivel­mente alto. Na espontânea para o Senado, 83,5% ou estão indecisos (71,5%) ou podem votar branco/ nulo (12%); para o governo 77,8% não definiram o candidato–64,9% estão indecisos e 12,9% podem anular ou votar branco.

CABEÇA DO ELEITOR

Faltam 54 dias para uma eleição com apenas 45 dias de campanha efetiva nas ruas, horário eleitoral e redes sociais. É pouco tempo para muita indefinição. No Tocantins o eleitor rejeitou os candidatos tradi­cionais e elegeu na eleição suple­mentar para o governo o presiden­te da Assembleia Legislativa, Mauro Carlense, do minúsculo PHS. Ele teve mais de 75% dos votos válidos num pleito com 51,83% de votos brancos/nulos e abstenções.

A pesquisa Grupom/Diário da Manhã mostrou que o eleitor tem expectativa positiva em relação a Vanderlan Cardoso (PP) e tam­bém ao seu companheiro de cha­pa, o ex-governador, ex-senador e ex-prefeito Maguito Vilela (MDB). Maguito aceitou ser primeiro su­plente de Vanderlan, e deste modo soma votos para sua eleição. De acordo com o levantamento, res­pondendo à pergunta: “Vander­lan Cardoso deve se candidatar nestas eleições?” 51,9% respon­deram que “deve se candidatar” contra 48,1% que disseram: “Não Sei/Não deve ser candidato”. Em relação a Maguito, 50,6% disseram que ele deve se candidatar e ou­tros 49,4% se dividiram entre não sabem ou não deve ser candidato.

Esta mesma pesquisa trouxe ou­tro dado mais curioso. Questiona­do sobre qual é o perfil do candida­to ideal, 57,1% responderam: “Ser um político honesto, com conheci­mento de administração e dos direi­tos humano”. Quando este perfil foi apresentado a eleitores que disseram que não tinham interesse algum de votar nas eleições, a maioria deles re­viu esta posição, afirmando que vota­riam se encontrassem um candidato que se encaixasse neste perfil.

 

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