Wagner Camargo defende o desenvolvimentismo
Redação DM
Publicado em 15 de agosto de 2018 às 04:10 | Atualizado há 8 anos
Para o comerciante Wagner Camargo, o “Vagão de Jaraguá”, o Brasil precisa entrar em um novo ciclo desenvolvimentista, entrar numa nova fase de entusiasmo e epopeia, a reconstrução da nacionalidade.
Wagner é candidato a deputado estadual pelo PSL, o mesmo partidodeBolsonaro. Ele, Wagner, se define como homem de “direita cristã”. Ele preza os valores da família, sobretudo. Mas não se identifica com as correntes radicais e fanáticas da atual direita brasileira. Por exemplo, ele não tem ódio aLula; antes, oconsideraumpreso político e acha que a prisão dele é contrária à constituição. Ele sabe o quefala, poisébacharelemDireito.
“Penso que a saída para a crise brasileira passa pelo respeito às regras do jogo democrático e, na esfera econômica, pela retomada do processo de desenvolvimento econômico”, afirma. Ele nota, com base em cálculos de vários estudiosos, que o Brasil precisa crescer pelo menos 4% ao ano para absorver a mão de obra que todo ano ingressa no mercado de trabalho. “Somente uma política desenvolvimentista pode levar ao aumento da arrecadação e, assim, restabelecer o equilíbrio das contas públicas”, afirma. As políticas monetaristas de ajuste fiscal, apartadas de uma política de investimentos públicos e expansão da infraestrutura, apenas gera mais e mais recessão, acredita o candidato.
É por isso que ele apoia Caiado para governador. “Quem conhece o Caiado sabe que ele tem um perfil desenvolvimentista. O atual governo, comandado por Marconi Perillo, esgotou sua capacidade de investir no desenvolvimento, sendo esta a razão pela qual perdeu o apoio popular”, afirma.
O VAGÃO DO PEDRÃO
Nascido em Goiânia, Wagner trabalhou no extinto Banco do Estado de Goiás, o BEG, e fez estudos secundários no tradicional Colégio Estadual Professor Pedro Gomes, o velho “Pedrão”. Serviu o Exército em Brasília, no Batalhão da Guarda Presidencial, e guarda boas recordações deseustemposdecaserna. Tantoque ele ajudou a estruturar e faz parte do “Batalhão da saudade”, que congrega antigos guardas presidenciais. Eles vestem suas fardas e participam de paradas dentro dos quartéis. Wagner se considera, até hoje, um militar, um membro do Exército Brasileiro.
Mas não faz parte daqueles que pregam golpes, ou intervenção militar. “Os militares de hoje em dia querem a democracia, acham que o regime militar é algo que ficou na história, e que fora da democracia não há solução para a crise brasileira”, argumenta.
Wagner assinala que muitos militares estão, hoje em dia, atuando na esfera política dentro de partidos, disputando no voto mandatos parlamentares e até governos estaduais. “Como toda categoria profissional, os militares não apenas têm o direito de atuar politicamente como têm o dever de buscar a representação política legítima, que é a que se conquista pelo voto”, afirma.
“Eu tenho esperanças de que Bolsonaro, vencendoaseleições, faráum governo muito bom, que vai atender às expectativas da população e vai surpreender muita gente que aposta que ele não terá condições de governar”, diz. “Do mesmo modo, estou esperançosodequecomCaiadonosso Estado entre em um novo ciclo desenvolvimentista”, afirma.
Para Wagner, o novo ciclo de desenvolvimento terá que ser uma ação planejada do governo. Na área industrial, por exemplo, ele acha que não basta atrair indústrias indiscriminadamente, mas identificar o tipo de indústria que o Estado precisa para tornar mais eficiente o seu parque produtivo.
Um bom exemplo disso é o setor confeccionista, que Wagner conhece bem. “Temos um polo confeccionista dinâmico em Goiás, e somos um dos maiores produtores de algodão do Brasil. Mas o algodão produzido em Goiás, que é exportado para São Paulo, volta para Goiás na forma de pano. Devíamos ter, aqui, uma indústria de fiação e de tecelagem, para atender à demanda interna por tecidos e até mesmo para exportar”, argumenta o candidato.
“Estamos vivendo hoje um clima em que empresários empreendedores, os que geram riqueza, salários e impostos, vêm sendo perseguidos como se fossem malfeitores, inimigos públicos. A engenharia nacional está sendo destruída em nome do combate à corrupção. Ora, não se pode quebrar a estrutura industrial do País em nome de ideologias fanáticas. Que se punam os criminosos, mas não se deixe as empresas quebrarem”, argumenta Wagner.
Wagner tem experiência administrativa. Foi prefeito de Lisarda, uma cidadezinha do Estado do Tocantins. Ele conta como foi o enfrentamento deste desafio.
“Quando foi criado o Estado do Tocantins, algumas cidades tiveram uma atenção especial do governador Siqueira Campos. Ele me convidou para ser candidato a prefeito de uma pequena cidade perdida lá no Jalapão, longe da civilização. Aceitei o desafio. Fui eleito e me mudei para lá, para ajudar o governo a levar progresso àquela comunidade. Siqueira Campos foi um governador desenvolvimentista, foi o homem que criou toda a infraestrutura do Estado, e para mim foi uma honra tê-lo ajudado nesta tarefa”, afirma Wagner.
É PRECISO ENTUSIASMO
“Agora quero colocar toda a minha experiência de prefeito e de empresário a serviço da minha comunidade. Como deputado, penso que posso intervir nas decisões relativas às ações de governo na esfera econômica e social. Sou otimista e não aceito o discurso derrotista de que o País não tem jeito”, assinala.
“O Brasil tem jeito, sim, e nós, os políticos democráticos e honestos, os empresários que produzem e realizam a função social da propriedade, os trabalhadores, os artistas e os intelectuais, todos juntos, imbuídos de amor à nossa pátria e dispostos a enfrentar desafios, é que vamos superar essas dificuldades todas”, conclui.