Saúde

Pandemia aumenta incidência de ansiedade e tiques em crianças

Segundo a neuropsicopedagoga, todos nós temos um nível de ansiedade, quando isso passa do normal se torna transtorno de ansiedade e pode gerar muitos prejuízos na vida de qualquer pessoa

diario da manha

Conviver e ter uma rotina é fundamental para o desenvolvimento das crianças e o isolamento social gerou grande prejuízo na habilidade social. De acordo com a neuropsicopedagoga e master Coach de pais e filhos, Grace Bezerra da Silva Castro Di Ferreira, com a pandemia do novo coronavírus, os consultórios ficaram lotados e as crianças estão com um nível alto de ansiedade.

A pandemia aflorou nossas emoções, ficamos mais estressados, ansiosos, deprimidos e com medo do futuro. Esse desconforto emocional causa muito sofrimento e consequentemente, aumenta a incidência de transtornos mentais, tanto em adultos quanto em crianças.

“A ansiedade é um sentimento normal, todos nós temos um nível de ansiedade, quando isso passa do normal se torna transtorno de ansiedade e pode gerar muitos prejuízos na vida de qualquer pessoa. Quando a ansiedade passa do limite ela pode prejudicar nossa rotina e foco nas atividades do dia-a-dia”, afirma Grace.

Segundo a profissional, é importante observar se a criança teve mudança de comportamento e alteração no apetite, sono, rendimento escolar, falta de interesse (desmotivação), medos e preocupações excessivas, dores de cabeça, retraimento social, mudança de humor e Irritabilidade ou apatia.

“Um tique pode ser qualquer movimento motor que ocorre de forma frequente, súbita e rápida. Vocalizações ou emissão de sons – como estalar a língua, pigarrear, sem controle, também podem ser considerados tiques. São bastante comuns nesses casos os movimentos concentrados na face – como piscar de olhos compulsivamente, franzir o nariz ou a testa, repuxar um lado da face, morder os lábios. Mas os tiques podem ocorrer em qualquer parte do corpo, envolvendo gestos involuntários com as mãos, braços, pernas ou pés, por exemplo, ou mesmo movimentos como o de esticar ou rotacionar o pescoço, elevar os ombros, contrair a barriga ou qualquer outro grupo muscular”, exlica a neuropsicopedagoga.

Grace ressalta que é fundamental passar por um psiquiatra infantil para ser feito um diagnóstico e em seguida buscar terapia comportamental para estimular novos comportamentos.

“O médico vai decidir se necessita de medicação e terapia, ou somente a terapia pode ajudar, cada caso e respeitado a individualidade da criança ou adolescente. É importante entender o contexto de cada família e entender o motivo de ter chegado a esse comportamento”, afirma.

Camila oliveira máximo, mãe do Nicolas Nathan Rezende de Oliveira, de 7 anos, conta que ficar em casa com mais frequência e ter a rotina totalmente modificada devido a pandemia da Covid-19, prejudicou bastante o filho.

“Ele passou a chorar mais, se isolar no quarto, falar alto demonstrava um comportamento que ele não tinha e isso levou ele para o estresse com mais frequência”, afirma.

Segundo Camila, quando as crises de ansiedade do filho começam, ele se isola no quarto. “Nessas horas tento ficar afastada até ele se acalmar, depois converso com ele”, conta a mãe.

Para ajudar o filho, Camila afirma que comprou brinquedos que ajudam ocupar o mente e tempo dele e buscou ajuda profissional. ”Hoje ele faz duas terapias ocupacionais durante a semana, com profissionais da área”, conta.

Segundo Grace, é importante auxiliar as famílias quando o assunto é o desenvolvimento infantil.

“Os pais precisam de conhecimento, muitas vezes podem achar que é frescura e drama da criança. A criança tem sentimentos e emoções assim como os adultos, para elas é ainda mais difícil lidar, elas não sabem explicar de fato o que estão sentindo. Por isso é importante falar sobre o assunto e desenvolver a sensibilidade nos adultos”, finaliza a neuropsicopedagoga.

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