Saúde

Saúde Mental: trabalhadores tem dificuldade de se desligar do trabalho no home office

A psiquiatra indica que mesmo no ambiente que se tornou o de trabalho, é preciso manter as atividades recreativas, e que é possível mantê-las nesses locais

diario da manha

Quem nunca ouviu aquele ditado “mente sã, corpo são”, embora seja um ditado popular, o mesmo traz consigo algo interessante, a questão de que mente e corpo precisam estar saudáveis. E no momento a preocupação principalmente em manter a saúde mental ganhou ainda mais relevância, em função da pandemia provocada pela Covid-19.

O fechamento dos serviços não essenciais, a adoção do lockdown, fez com que as rotinas das famílias em todo o mundo fossem alteradas. Essa mudança repentina que tirou mesmo que por um instante as pessoas da correria do dia a dia, trouxe consigo problemas como ansiedade e depressão, segundo a psiquiatra Elen Cristina.

Elen lembra que muitas pessoas foram afetadas primeiro pela parada, e depois por um acúmulo de serviços dentro de casa, que seria o local para que as pessoas pudessem descansar do trabalho. Porém não foi bem isso que aconteceu, e a profissional lembra inclusive que essa questão afetou muitas pessoas, em sua maioria mulheres, em razão de ter o trabalho por exemplo triplicado, pois além de levar trabalho para casa, cuidar dos afazeres domésticos, tinham que auxiliar os filhos que estavam impedidos de ir a escola presencialmente ou ajudar nas aulas online.

“Especialmente as mulheres se queixam muito do acúmulo de múltiplas tarefas, assumindo os cuidados da casa e dos filhos que pararam de ir para as escolhas ou estão frequentando as escolas online em casa e agora o trabalho home office. Os profissionais que trabalham em home office se queixam da dificuldade de se desligarem das atividades de trabalho que se estendem fora do horário do expediente e se mantém do mesmo ambiente que seria até então só de descanso. É necessário um esforço maior para a organização do ambiente e da rotina para o descanso. No caso das mulheres por exemplo que assumem todas as obrigações domésticas, essas tarefas podem ser compartilhadas com o companheiro e com os filhos que já podem auxiliar no cuidado da casa. As crianças pequenas precisam ter uma rotina pré-estabelecida para se sentirem seguras e saberem o que será feito naquele dia”.

A psiquiatra indica que mesmo no ambiente que se tornou o de trabalho, é preciso manter as atividades recreativas, e que é possível mantê-las nesses locais. Além disto ela afirma que é preciso estabelecer um horário para encerrar as atividades de trabalho, e que este período tem que ser respeitado. Elen orienta as famílias, a separarem um ambiente dentro da própria residência para usar como área de descanso, para que possa relaxar tanto corpo como mente.

Redes sociais e a saúde mental

Um ponto que não podemos deixar de mencionar é como a rede social é capaz de prejudicar a nossa saúde mental seja por um comentário ou por uma publicação que de certa forma pode nos afetar.

Elen afirma que em sua maioria as pessoas se sentem ofendidas tanto por comentários virtuais ou de forma presencial. No entanto, a médica indica que no momento que a pessoa é capaz de conhecer seus valores profundamente, os comentários são vistos como o que são, ou seja, opiniões de outras pessoas “que dizem muito mais respeito aos valores dos outros do que de nós mesmos”.

De acordo com a profissional para que possamos conhecer nossos valores, precisamos primeiro adquirir o autoconhecimento de nós mesmos, que vem por meio da leitura, meditação e também pela psicoterapia.

A psiquiatra lembra que tudo que nós consumimos em excesso nos traz algum tipo de dano. E com as redes sociais não é diferente, isso em função de muitas vezes vermos um mundo utópico dentro delas com corpos sarados, peles e cabelos perfeitos, e que acabamos por nos frustrar por não conseguirmos alcançar tais metas.

“A saída saudável é usar com moderação, mantendo os laços e conexões dos relacionamentos também da vida fora das redes sociais”, completa Elen Cristina.

Dicas e cuidados

A orientação para que possamos cuidar da nossa saúde mental leva em conta algumas dicas como dormir de 6h a 8h por dia, evitar restringir o sono que pode trazer problemas como depressão, ansiedade, enxaqueca, obesidade e outras doenças.

A alimentação também é importante para manter a saúde mental, e de acordo com a psiquiatra ela tem que ser rica em frutas, legumes, queijos, azeite, castanhas, frutos do mar, e em alimentos ricos em ômega 3. A profissional afirma que esses alimentos tem propriedades que são capazes de prevenir sintomas de ansiedade e depressão. Na alimentação, Elen, orienta a evitar frituras e alimentos que foram processados ou enlatados, como também açúcares e alimentos pró-inflamatórios que podem piorar esses sintomas.

Atividades físicas e hobbies também auxiliam para que possamos manter a saúde mental em dia, pois de acordo com a psiquiatra esses exercícios são responsáveis por liberar endorfina, que é capaz de gerar a sensação de felicidade e bem estar.

Manter as mãos dadas com a família ou com amigos para que possamos identificar o local ao qual pertencemos. E evitar o consumir álcool, cigarro ou quaisquer substâncias ilícitas, que podem provocar algum tipo de transtorno como ansiedade, depressão, síndrome amotivacional, psicose e outros também é de fundamental importância.

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