Ebola doença letal
Redação DM
Publicado em 11 de novembro de 2015 às 23:57 | Atualizado há 11 anosO ebola foi registrado ainda na década de 70 do século passado, na República do Congo. A doença apareceu outras vezes e 1995 outro surto assustou a população mundial. Mais recentemente o vírus reapareceu na África Ocidental quando em 2013, na Guiné, um menino de dois anos morreu. A epidemia, porém só veio à tona em março de 2014, quando já havia se espalhado amplamente. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o número total de mortes provocadas pela epidemia chegou a 8.429 entre 21.296 casos notificados até janeiro de 2015.
Na última terça-feira (10) um homem de 46 anos, que chegou ao Brasil em novembro deste ano, vindo de Nova Guiné, foi internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), sob suspeita de contaminação pelo vírus ebola. O homem que não teve a identidade revelada sentia febre alta, dor muscular e de cabeça.
Em razão da suspeita, a UPA teria deixado de receber novos pacientes. Seguindo o protocolo nacional estabelecido para casos suspeitos de ebola o paciente teria sido isolado na unidade para exames. O caso também está sendo acompanhado pelas equipes de vigilância em saúde do Ministério da Saúde e de Minas Gerais.
Há informações ainda que todos os pacientes e profissionais da unidade que tiveram contato com o paciente estão sendo monitorados pela Secretaria Municipal de Saúde e que ele deverá ser encaminhado para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro (RJ), referência para casos de ebola. A transferência estava prevista para ser realizada ainda ontem (11), em avião da Força Área Brasileira.
A doença
O infectologista do Hospital de Doenças Tropicais (HDT), João Alves Araújo Filho explica que essa é uma doença viral causada pelo vírus Ebola que acomete aniamis como gorilas e morcegos nas florestas. “O ser humano entra neste processo ocasionalmente, a questão é que quando atinge os seres humanos ela passa a ser transmitida de pessoa a pessoa. Costuma ser uma doença grave com alta letalidade, algumas epidemias atingiram letalidade de 70%” define o especialista.
A gerente de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde do estado de Goiás, Magna Maria de Carvalho acrescenta que a doença é de fácil transmissão, que ocorre através de fluidos corporais como suor e sangue. Ela alerta sobre a importância de um rápido diagnóstico para a realização de um tratamento eficaz.
“Além de sua transmissão ser fácil essa é uma doença grave com letalidade altíssima sendo que, de 50 a 90% dos casos são de óbitos. Devido sua gravidade, todas as pessoas que tem suspeita tem que ficar em uma área restrita, isolada e se exige toda uma rapidez no atendimento, o prognóstico depende muito do diagnóstico precoce e acompanhamento do caso”, expõe.
Magna observa que não só os profissionais de saúde de Goiânia como do Estado estão preparados para atender casos de suspeita da doença. Ela ainda ressalta que existe um plano de emergência para situação em que há caso da doença.
“O plano foi elaborado ano passado e revisado em março desse ano. No ano passado, época em que ocorreu a epidemia na África, teve uma capacitação para os profissionais de saúde no Estado, para oferecer esse atendimento. Foram também foram feitas compras de alguns equipamentos de proteção individual” esclarece.
Ela acrescenta que quando ocorre uma suspeita da doença, se o estado de saúde da pessoa não permitir encaminhamento para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, em um primeiro ela será levada para o HDT e assim que possível para o Rio de Janeiro.
Sobre o caso do homem que foi internado em Belo Horizonte (MG) com suspeita de contaminação pelo vírus ebola a gerente de Vigilância Epidemiológica descreve que o homem só entrou como caso suspeito porque teve febre e chegou de uma região que tem ocorrência do caso. “As informação que temos do próprio Ministério da Saúde é que este caso está evoluindo bem”, conclui.
Medo do ebola
Funcionário da Rede Municipal de Saúde de Goiânia, que preferiu não ser identificado, avalia que as unidades de saúde da capital, principalmente, os Cais (Centro de Atenção Integrada à Saúde) e as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) não estão preparados para identificar ou encaminhar um caso de Ebola. Ele observa que essa realidade abrange desde a estrutura até o diagnóstico.
Ele descreve que o principal, o material de proteção individual (EPI) que seria a roupa não é fornecido pelo município, inclusive no caso do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que faria esse translado, não teria estrutura necessária para fazê-lo bem como os profissionais não teriam treinamento específico para esse tipo de situação. “Os materiais de proteção individuais usados pelo HDT e os que são fornecidos pelo município, que nesse caso seria usado pelo SAMU, têm uma diferença enorme de qualidade. Ou seja, a qualidade é totalmente inferior talvez não sendo nem apropriada para esse tipo de situação” afirma.
Seja para os técnicos intervencionistas como também para os socorristas, ele adverte que caso houvesse um caso de suspeita esse poderia acabar causando pânico nos profissionais de saúde envolvidos tanto da capital como em todo o Estado. “Não há um treinamento intensivo, principalmente dos profissionais que fariam esse encaminhamento até a unidade própria que seria o HDT. Isso é extremamente importante, porque nesse translado poderia haver mais vítimas por causa da contaminação proporcionada pela falta de material adequado para o isolamento da doença”, acrescenta.
“A coisa é tão grave que este paciente, por falta de preparo do profissional da rede, poderia ser encaminhado para o HDT pela ambulância do município com suspeita até mesmo de outra doença, sendo que uma suspeita de ebola é obrigação do SAMU fazer o translado e não da ambulância do município. E aí que entra o grave erro de não treinar o profissional de saúde para identificar a doença”, conta.