Por Luciéliton Mundim

O 5G tem movimentado a geopolítica tecnológica ultimamente, e aparentemente, está longe de ter uma definição, sendo que, o Brasil é a bola da vez. Entenda o motivo de tanto frenesie e como isso pode impactar o mundo ao seu redor. Vem comigo!

O grande diferencial do 5G é o casamento de altas taxas de transferência de dados e a baixa latência. Observe os valores tendo como referência o download de um filme de 1GB:

Calculo médio para download de um filme de 1GB

4G 5G

Tempo 21 Min Tempo 1 Min

Latência 40 ms Latência 1 ms

Fonte: 5G Americas (5gamericas.org) ms: Milissegundos

Dado nossa experiência de uso como clientes acompanhando as migrações do 2G, 3G e 4G talvez você já tenha uma noção do que essa evolução na taxa de transferência representa: Aquele vídeo do YouTube sempre em 1080p, Netflix sem parada no clímax do filme, e a ética não me permite comentar mas, sabe aquele “Gatonet”, é o fim das mensagem de “Carregando…”.

Indo ao infinito e além, o 5G não trará revolução só para os smartphones, o IoT (Sigla em inglês para Internet das Coisas) contará com aplicações mais complexas, ocorrerá o fortalecimento de serviços corporativos baseados em nuvem, e você poderá simplesmente, rotear seu celular em casa e talvez nem precise mais da sua velha banda larga cabeada.

Somado às elevadas taxas de transferência, está a baixa latência, medida em milissegundos, que na prática é o tempo de resposta de um sistema em rede. Façamos uma comparação com nosso cérebro que leva 10ms para reagir a uma nova imagem apresentada a ele, o 5G leva 1ms para responder em rede. Isso é imprescindível para aplicações críticas como cirurgias remotas, carros autônomos, jogos online, entre outros, onde esse atraso (delay) pode significar um acidente automobilístico, perfuração de um órgão ou o fim daquela partida acirrada.

E quando poderei desfrutas dessas maravilhas?

Calma amigo(a), o Brasil tem seu próprio “relógio biológico” reconhecidamente moroso e burocrático ao qual, não fosse suficiente para atrasar o processo, está no meio de um cabo-de-guerra entre Estados Unidos e China pela adoção da tecnologia 5G no mundo, ao mesmo tempo em que o presidente americano Donald Trump tem elevado o tom das ameaças aos países que adotarem a tecnologia Chinesa, representada pela fabricante Huawei.

Todd Chapman, embaixador dos Estados Unidos no Brasil afirmou em entrevista ao Globo, que “acredita que o país terá consequências econômicas negativas caso decida manter a Huawei no leilão do 5G”. A justificativa Estadunidense para as ações é a segurança nacional e a defesa da propriedade intelectual, alegando que a China poderia, sendo um regime comunista, interceptar os dados trafegados nos equipamentos da fabricante Chinesa afim de espionagem.

A Huawei, que se tornou a maior vendedora mundial de smartphones no segundo trimestre de 2020, mas que foi excluída da rede 5G do Reino Unido diz que as acusações dos Estados Unidos são exclusivamente de interesse comercial e que o país ficou pra traz tecnologicamente em relação ao 5G, apontando que 20% das patentes das tecnologias envolvidas no 5G pertencem a Huawei contra 15% de todas as companhias Estadunidenses somadas.

Luciéliton Mundim
Sócio fundador da NOX5 Segurança da Informação, Pós-graduação em Redes, Graduado em Internet e Redes de Computadores . Professor na Pós-Graduação de Segurança em Redes da Faculdade SENAI Fatesg e Graduação da Faculdade SENAC. Ao longo de 26 anos de mercado, certificou-se CEH Certified Ethical Hacker, CCNA, Linux+ entre outras.
Linkedin: linkedin.com/in/lucieliton/

No Brasil o presidente da Huawei, Ren Zhengfei, que já se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro e declarou seu interesse em “querer participar da implantação desta tecnologia no país” vem deixando o líder brasileiro, que reconhecidamente tem uma queda pelas madeixas loiras de Donald Trump, em uma saia justa. Depois de lembrar que o Brasil tem um superávit comercial com a China e um déficit com o Estados Unidos, disparou: “Os Estados Unidos tratam a América Latina como seu quintal. Nosso objetivo é ajudar o continente a sair dessa armadilha e manter a soberania de seus países”

Tudo isso, somado à pandemia do COVID-19, e ao fato de termos eleições presidenciais nos Estados Unidos no ano que vem, fez com que o leilão de concessão da frequência utilizada pelo 5G (3,5 GHz) ficasse mesmo para 2021.

Some a tudo isso o tempo de adequação dos sistemas e implantação das antenas pelas operadoras a troca por celulares compatíveis (é isso aí, seu celular não é compatível), fazendo uma conta de boteco aqui chegamos em meados do fim de 2021 e início de 2022 com uma cobertura setorial bem limitada a áreas densamente povoadas e com viabilidade econômica.

Ok, mas como é que as operadoras já estão anunciando 5G então?

O que as operadoras, Claro, Vivo, Oi e Tim estão implementando é uma tecnologia “transitória” conhecida pela sigla de 5G DSS e a diferença está justamente no “DSS” (Dynamic Spectrum Sharing ou Compartilhamento Dinâmico de Espectro), que é o uso simultâneo de mais de uma frequência do 4G LTE para transmitir dados. Segundo informado no site da Claro, que é detentora das frequências herdadas da aquisição da Nextel, essa tecnologia pode ser até 12 vezes mais rápida do que o 4G atual, contudo melhorias quanto a latência são mínimas e você ainda precisará de celulares compatíveis.

A Vivo é a única operadora que colocou Goiânia como uma das cidades para teste do 5G DSS, ainda assim, apenas na região central. Ou seja, 5G é uma realidade que mudará nossa experiencia digital, mas não tão breve. A segurança será uma preocupação cada vez maior visto o volume de dados crescente sendo trafegado.

Cuidado ao adquirir celulares com tecnologia 5G no exterior, ele pode simplesmente não funcionar em terras tupiniquins, atualmente o único modelo disponível pra faixa 3,5GHz no Brasil é o Motorola Edge, com valor acima de R$ 4,9 mil.

O valor dos pacotes de dados móveis precisará se adequar para caber no bolso dos consumidores, caso contrario você consumirá seu 1G em 1seg.

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