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‘Stalking’: Perseguição na internet é crime

A pena para quem for condenado é de 6 meses a 3 anos de prisão

diario da manha

Em abril, foi sancionada uma lei que incluiu no Código Penal o crime de perseguição, conhecido também como “stalking” (em inglês). A pena para quem for condenado é de 6 meses a 3 anos de prisão.

A expressão “stalkear” é usada para se referir à prática de bisbilhotar os posts de pessoas e acompanhá-las de perto nas redes sociais. Porém, em alguns casos essa procura se torna uma obsessão. o autor passa a ligar repetidas vezes, envia inúmeras mensagens, faz diversos comentários nas redes sociais e cria perfis falsos para driblar eventuais bloqueios.

Uma streamer que transmite conteúdo sobre jogos na internet, conta que foi perseguida, em 2014. “Começou educado mesmo. Dizendo que queria ser meu amigo, que queria jogar comigo, que eu era muito massa”, contou a streamer em uma sequência de posts no Twitter em maio deste ano.

Ela afirma que que bloqueava o autor das mensagens, mas ele dava jeito de encontrá-la. “Como eu não respondia, ele fazia (perfis) fakes para tentar entrar em contato tanto comigo quanto com a minha família”, disse.

Segundo a streamer, muitas das mensagens continham teor sexual e ameaças, o autor dizia que era um “hacker” que derrubaria os perfis para que ela não pudesse mais trabalhar na internet.

“Fora muitas vezes em que ele tirava fotos da minha casa e faculdade e me mandava por milhares de perfis que ele tinha em redes sociais”, afirmou.

A mulher relata ainda, a dificuldade de conseguir registrar a perseguição e que na época não conseguiu abrir um boletim de ocorrência em uma Delegacia da Mulher de São Paulo por não ter sofrido violência física.

A vítima afirma que foi à uma Delegacia de Crimes Digitais, mas contou que, na ocasião, disseram a ela que só trabalhavam com crimes onde as pessoas sofrem perda de patrimônio.

Somente em 2015 ela conseguiu denunciar as ameaças e perseguições. Um inquérito foi aberto e o caso chegou à Justiça em 2016, mas os ataques continuaram durante todo o período, até o caso chegar ao fim, 4 anos depois do início.

“Ele só parou em 2018, durante o julgamento. Eu me mudei inclusive de casa, de bairro, de zona da cidade. Só assim pra ter paz, mesmo”, contou a vítima.

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