Política

Os próximos passos dos vencedores das eleições

Redação DM

Publicado em 25 de outubro de 2022 às 16:24 | Atualizado há 4 anos

Goiás teve vários derrotados nas urnas, como o
ex-governador Marconi Perillo (PSDB), Gustavo Mendanha (Patriota) e inúmeros
políticos tradicionais. Para eles, a temporada será de reflexão e cálculo. Para
muitos, a aposentadoria. 

Aos vencedores, todavia, começará uma era de ação e
visibilidade. Nos bastidores, comenta-se que cada um já tem um pré-projeto de
atuação. É aqui que podem existir surpresas políticas para o Estado, uma vez
que os vencedores têm o mais importante: apoio popular para seus projetos e
foco para exercerem seus mandatos ou missões.

Ronaldo Caiado

O governador Ronaldo Caiado (União Brasil) é o
maior vitorioso da disputa eleitoral, com feitos notáveis, como a vitória ainda
no primeiro turno e a consagração de que venceu as eleições em um dos estados
mais bolsonaristas do Brasil sem o apoio do presidente para pavimentar sua
conquista. Ao contrário, empresta seu prestígio agora no segundo turno para
ajudar Jair Bolsonaro. 

Ronaldo venceu duas eleições seguidas no primeiro
turno, tornando-se a liderança regional com maior capital político. Qual o
futuro de Caiado? Primeiro, tentar superar seu primeiro mandato em realizações.
Segundo, voltar a ter maior visibilidade nacional. Para isso, a partir de 2026,
terá dois caminhos: ou disputar o Senado Federal ou ser candidato a presidente
da República. 

Se terminar bem o mandato, como é de se esperar com
os ajustes que fez nos primeiros quatro anos de governo, terá uma disputa fácil
como senador. Para presidente, já integra um grupo de elite da direita
brasileira. Seu nome é lembrado para ser o candidato natural do União Brasil
que disputará votos da centro-direita. 

Não bastasse, é cogitado para ser herdeiro do
movimento em torno do presidente Jair Bolsonaro. Terá pela frente Romeu Zema
(Novo) e possivelmente Sérgio Moro (União Brasil) para compor uma chapa que
pode ser uma das mais competitivas em 2026. 

Caiado terá como principal meta dar sequência ao
trabalho administrativo em Goiás, priorizando as políticas de valorização das pessoas,
buscando a geração de empregos e renda. Em seu primeiro mandato, Caiado
valorizou o social, investiu na saúde e educação, melhorando a prestação de
serviços oferecidos aos goianos.

Daniel Vilela

Daniel Vilela (MDB) é outro grande vencedor das
urnas. Além de realizar uma campanha propositiva ao lado de Caiado,
elegendo-se vice-governador, deverá assumir o Governo de Goiás em 2026 e,
possivelmente, disputar a reeleição com um cenário bem mais fácil do que o
atual.

O grande trunfo de Daniel é seu partido: o
MDB é a legenda, ao lado do União Brasil, mais musculosa do Estado. Seu
grupo elegeu sete deputados estaduais e dois federais. As urnas deste ano
mostraram que Daniel acertou em conduzir o MDB para uma aliança com o União
Brasil de Ronaldo Caiado, retirando a legenda do leque oposicionista do Estado.
O eleitor aprovou o gesto dos emedebistas goianos.

Jovem, Daniel terá, ao assumir o Governo de Goiás,
protagonismo nacional, uma vez que o próprio MDB terá visibilidade na gestão do
Estado. Tem nas mãos três cidades que estão no radar do MDB em 2026: Goiânia,
Aparecida de Goiânia e Anápolis. E já é presente no Entorno do Distrito
Federal.  

Gracinha Caiado

A primeira-dama Gracinha Caiado é também vendedora politicamente,
uma vez que ajudou a administrar e executar uma campanha exitosa e
entusiasmada. Seu trabalho é de suporte do governador, mas na altura do
campeonato não se duvida que ela possa também disputar mandatos ou coordenar
grandes ações sociais. É boa de discurso, conhece o governo e enfrentou de
peito aberto uma pandemia. 

Sua atuação junto ao Gabinete de Políticas
Sociais (GPS) revolucionou as políticas para os mais pobres no país, com uso de
maior econometria e inteligência para atender e entender as comunidades
vulneráveis. Proporcionalmente, Goiás foi o Estado que mais investiu em
políticas sociais durante os últimos três anos – justamente um dos motivos para
o sucesso tranquilo de Ronaldo nas urnas. 

Pesquisa realizada pela Federação Goiana de Municípios
revela que 95% das primeiras-damas do Estado aprovam o trabalho realizado por
Gracinha Caiado e enfatizam a determinação da presidente da Organização das
Voluntárias de Goiás em estabelecer parcerias com as prefeituras, tendo como
foco a redução das desigualdades sociais.

Surpresa nas urnas, Wilder pavimenta carreira nacional

A vitória mais surpreendente nas urnas (ao menos
para quem acreditava nas pesquisas) tornou o ex-senador Wilder Morais (PL) em
importante player para o presente e futuro da política goiana. O empresário
goiano foi senador de 2012 a 2019 – após a queda de Demóstenes Torres – e
construiu um legado de bom relacionamento com prefeitos. Considerado um
político “do bem”, mais propositivo, sem críticas exageradas e
histrionismo, Wilder atropelou vários medalhões da política goiana ao se eleger
senador em 2 de outubro.

Com experiência, inclusive leis aprovadas (o
político goiano já emplacou um capítulo inteiro no Código Civil), Wilder
caminha para consolidar a imagem de um dos melhores senadores do Estado em
exercício. 

Sua articulação junto ao governador Ronaldo Caiado
pode colocá-lo em evidência nacional, uma vez que o senador eleito pode tanto
assumir ministérios como tornar-se protagonista do PL, uma das legendas
vitoriosas nas urnas, graças ao bolsonarismo. 

Seu nome é lembrado para disputar a prefeitura de
Goiânia em 2024. Também pode ser candidato ao governo em 2026, apesar do
senador eleito ter ciência de que será uma disputa difícil com o grupo de
Daniel e Ronaldo – que se elegeu em Goiás a despeito de Bolsonaro, personagem
que poderá não estar mais na cena política nacional. 

Incógnitas

Silviê Alves (União Brasil), a deputada federal
mais bem votada em Goiás (253 mil votos), será a mais cobrada dos eleitores. E
não é necessariamente pelo machismo eleitoral e político (que é forte). Mas
pelo nicho que a levará para o Congresso Nacional. O eleitor de celebridades e
jornalistas que abandonam o espaço anterior de visibilidade costuma não repetir
o voto – vide a carreira suspensa de antigos fenômenos como Raquel Azeredo,
Alyson Lima, Sandes Júnior, etc. 

Após o afastamento das mídias, surge um hiato presencial
na vida desta modalidade de eleitor, que – sem resultados práticos – costuma
virar as costas para o político comunicador. Mas Silviê pode surpreender com um mandato mais técnico. É aqui que se
projeta um futuro melhor para a novata, que pode tanto se candidatar a prefeita
de Goiânia quanto Senado ou buscar a reeleição em 2026 – na pior das
hipóteses. 

A parlamentar precisa surpreender seu eleitorado
com debates relevantes e projetos de lei que realmente tramitem na agenda da
Casa de Leis. 

Outra novidade na Câmara dos Deputados, o
empresário Gustavo Gayer (PL) depende muito do que ocorrerá no país nos
próximos anos – uma derrota de Bolsonaro o enfraquece na casa, mas também o
liberta de iniciar um mandato em defesa de governo – muitas vezes, catalisador
de pautas antipopulares.

Seu desempenho discursivo pode ser o diferencial do
mandato, uma vez que foi eleito através das redes sociais. Pode novamente
disputar a Prefeitura de Goiânia ou almejar o Senado, em 2026. Na pior das
hipóteses, é o novo que se apresenta – justamente o que aposentou vários
ex-deputados federais e ex-governadores.

Na Assembleia Legislativa, ocorreram poucas
vitórias significativas. Bruno Peixoto (União Brasil), o mais votado, e Renato
de Castro (União Brasil), que retorna para a casa após ser prefeito de
Goianésia e presidente da Codego, devem brilhar na Alego e preparar aterrisagem
na Câmara dos Deputados, em 2026.   

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