Brasil nega vistos a emissários de Trump em suposta missão sobre urnas eletrônicas
Redação Online
Publicado em 25 de julho de 2026 às 18:26 | Atualizado há 40 minutos
Brasil negou vistos a dois emissários do governo Trump em suposta missão para questionar urnas eletrônicas | Foto: Divulgação/Departamento de Estado dos EUA
O governo brasileiro teria barrado a entrada de dois altos funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Eles tiveram o visto de entrada para o Brasil negado. A suspeita é de que seria uma missão com o objetivo de lançar dúvidas sobre a integridade e a transparência do sistema eleitoral brasileiro. A revelação foi publicada primeiramente pelo jornal norte-americano The Washington Post.
De acordo com a apuração, a delegação norte-americana seria composta por Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente, ambos indicados políticos da administração de Donald Trump. Os diplomatas chegariam à capital federal nos próximos dias. Diante da articulação, diplomatas brasileiros agiram para impedir a viagem, classificando a iniciativa como uma tentativa de ingerência estrangeira e de deslegitimação das urnas eletrônicas.
Fontes ouvidas pelo The Washington Post sob condição de anonimato apontam que o objetivo dos enviados de Washington seria se reunir com críticos do sistema eleitoral brasileiro e produzir um relatório com contornos partidários, o que incluiria discursos de desconfiança contra a Justiça Eleitoral brasileira. Questionado pelo jornal, o Departamento de Estado norte-americano confirmou que Barnes e Samson planejavam a viagem a Brasília, mas evitou responder sobre o propósito oficial da missão ou se a Casa Branca estaria preocupada com a integridade eleitoral no Brasil.
A tentativa frustrada de envio dos funcionários ocorre em meio a uma escalada de atritos entre os governos de Washington e Brasília. Nos últimos dias, a relação bilateral tem sido marcada por trocas de críticas públicas, imposição de tarifas comerciais a produtos brasileiros e divergências profundas em torno de processos judiciais de repercussão política no Brasil, envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus familiares.
Enquanto aliados de Trump intensificam discursos criticando os rumos da Justiça brasileira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reiterado em foros internacionais o repúdio a tentativas externas de interferência nas urnas e na soberania do país. O episódio acirra ainda mais a relação entre os dois países e reacende o debate sobre a segurança do sistema eleitoral brasileiro.