‘A democracia é ameaçada a partir do descompromisso que governos têm com as regras democráticas’
Redação DM
Publicado em 24 de outubro de 2022 às 21:06 | Atualizado há 1 ano
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Neste 25 de outubro é comemorado o Dia Nacional da Democracia, data escolhida por ser o dia da morte do jornalista Vladimir Herzog, considerada um marco da luta contra a ditadura militar.
Segundo o jornalista Murilo Mendes, a democracia permite a pluralidade e impede, por exemplo, que a ditadura tenha seu espaço e retire a voz de muitos.
“É o modo mais perfeito de executar a imperfeição, pois é através deste sistema, que continuamente conseguimos avaliar o desempenho da sociedade como um todo. Ela é importante pois permite o debate, os diálogos, as opiniões, e é o único sistema que possibilita que alguma justiça, ética e igualdade social, ainda que com falhas estruturais, sejam executadas. Desse modo, sua significância se sustenta na raiz de sua etmologia, a soberania do povo.
Conforme Murilo, a democracia é duramente atingida quando governos se utilizam do poder adquirido, para satisfazer os próprios interesses sem pensar verdadeiramente na população. Ela é ameaçada a partir do descompromisso que governos têm com as regras democráticas. Todavia, a força da democracia é maior ao passo que reconhecemos a crise à qual podemos enxergar. Sendo assim, a conscientização de muitos é a chama de esperança capaz de sustentar o pleno funcionamento da democracia. O voto é, sem dúvida, o exercício da soberania do povo, guiada por uma educação que promove uma consciência pessoal e social.
De acordo com o jornalista, é preciso conscientização, para que a partir dela, organizações e mobilizações ganhem força para fazer valer a voz do povo. Esse pontapé inicial gera automaticamente diversos combates capazes de proteger a democracia, seja através do voto, do compartilhamento de informações já checadas em fontes oficiais, seja na liberdade de expressão, no respeito a pluralidade do nosso país, o que garante a voz e a participação de todos.
“É preciso permitir que o nosso desejo de justiça se materialize em ações favoráveis ao sistema democrático, longe de qualquer tipo de soberania individual ou autoritarismo. É preciso conhecer o nosso sistema político para que o nosso discurso ganhe força e se faça valer. Só assim, teremos condições de exigir o que não está sendo cumprido e fazer reivindicações a partir das reais necessidades sociais. Já dizia Rui Barbosa: ‘A pior democracia é preferível à melhor das ditaduras’”, destaca Murilo.