Internacional

Roubo de cápsula com césio-137 na Argentina acende alerta e relembra tragédia radiológica de Goiânia

Léo Carvalho

Publicado em 18 de junho de 2026 às 16:02 | Atualizado há 1 hora

Autoridades argentinas emitiram alerta e divulgou modelo da cápsula de chumbo contendo o césio | Foto: Divulgação
Autoridades argentinas emitiram alerta e divulgou modelo da cápsula de chumbo contendo o césio | Foto: Divulgação

Autoridades da Argentina emitiram nesta quinta-feira (18) um alerta nacional após o roubo de uma cápsula com césio-137 em um centro médico de Rosário, cidade localizada a cerca de 300 quilômetros de Buenos Aires.

O roubo ocorreu na última terça-feira (16) em um instituto médico no centro de Rosário, que acionou protocolo de emergência. De acordo com a Autoridade Reguladora Nuclear, a fonte radioativa era utilizada para calibrar equipamentos de medicina nuclear.

O césio-137 estava em forma de gel e era mantido em uma garrafa plástica transparente. O órgão informou que o material permanecia dentro de sua embalagem protetora e divulgou uma imagem semelhante ao objeto que pode ser encontrado pela população.

Fonte de calibração de césio-137 e blindagem de chumbo | Foto: Reprodução/Autoridade Reguladora Nuclear da Argentina

O governo argentino confirmou o episódio na quarta-feira (17) e afirmou que o risco radiológico é considerado baixo. “Embora o risco radiológico seja muito baixo, caso encontre o objeto, não o toque nem o manipule”, informou o governo em comunicado.

As autoridades investigam como o material deixou o laboratório e quem poderia ter acesso ao local. Segundo o jornal argentino La Nación, apenas quatro pessoas tinham autorização para entrar na sala onde a cápsula era armazenada.

O césio-137 é um isótopo amplamente utilizado em procedimentos e no controle de qualidade da medicina nuclear. Apesar das aplicações científicas e médicas, o material exige rígidos protocolos de segurança devido ao seu potencial radioativo.

O episódio na Argentina inevitavelmente remete ao acidente radiológico registrado em Goiânia, em setembro de 1987, considerado o maior desastre do mundo envolvendo césio-137 fora de instalações nucleares.

A tragédia começou quando um aparelho de radioterapia abandonado foi retirado de uma clínica desativada no Setor Central da Capital goiana. Ao desmontarem o equipamento, os envolvidos encontraram uma cápsula contendo césio-137. O brilho azulado emitido pela substância despertou curiosidade e fez com que o material fosse compartilhado entre familiares, amigos e vizinhos, sem que eles soubessem dos riscos.

A contaminação se espalhou rapidamente por diferentes regiões da cidade. Quatro pessoas morreram em decorrência direta da exposição à radiação nos meses seguintes, enquanto centenas apresentaram contaminação. Ao longo dos anos, milhares de pessoas passaram por monitoramento e acompanhamento médico.

Três décadas após o acidente, 1.292 pessoas ainda conviviam com sequelas físicas, psicológicas e sociais relacionadas ao desastre. O episódio se tornou um dos casos mais emblemáticos da história mundial sobre os riscos do manuseio inadequado de materiais radioativos.

Por causa desse histórico, autoridades argentinas reforçaram o alerta para que a população não toque nem tente abrir qualquer recipiente suspeito que possa conter a cápsula desaparecida. A orientação é comunicar imediatamente as forças de segurança e os órgãos responsáveis caso o objeto seja localizado.

Técnico da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) mede, à época, o índice de radioatividade na cápsula contendo césio-137, em Goiânia, em novembro de 1987 | Foto: Estadão

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