Cotidiano

Dia do Poeta – O artista escritor

Redação DM

Publicado em 20 de outubro de 2022 às 19:25 | Atualizado há 4 anos

O dia do poeta é celebrado nesta quinta-feira, 20, e toda comemoração e homenagem que acontece neste dia se dá em função do reconhecimento literário e cultural promovido pelos poetas através de seus escritos. Ainda que seja comemorado a nível extraoficial, pois ainda não há uma lei que oficialize o 20 de outubro como Dia do Poeta no Brasil, a data foi escolhida por uma razão especial para os poetas brasileiros. 

Foi no dia 20 de outubro de 1976, em São Paulo, que surgiu o Movimento Poético Nacional (MPN), na casa do jornalista, romancista, advogado e pintor brasileiro Paulo Menotti Del Picchia. O MPN perdura até hoje e a data, que surgiu em virtude dele, homenageia e relembra este momento ímpar para os poetas do Brasil. 

Reconhecido como artista escritor, enquanto profissional, o poeta se utiliza da criatividade, imaginação e sensibilidade para escrever, em versos, suas poesias, por isso além de celebrar obras e autores ilustres, sejam os nomes célebres da cultura brasileira ou mesmo os que não se tornaram conhecidos, a data também é importante quando serve a um outro propósito, o de incentivo à leitura, escrita e publicação de obras nacionais.

Para enaltecer os poetas brasileiros, o DM entrevistou a professora de literatura, Sabryna Thaís, que explica sobre a importância do poeta à sociedade: “Há um verso do poema Autopsicografia, de Fernando Pessoa, no qual diz que “o poeta é um fingidor”. Mas fingidor em qual sentido? Certamente não como alguém que só fala do que não vê ou do que não sente, mas que, pelo contrário, consegue transformar as coisas e sentimentos em palavras de tal forma que nós que o lemos somos levados a imaginá-las e a senti-los porque também fazem parte de quem somos.

O poeta representa, então, essa ferramenta indispensável à sociedade, pois é por meio dele que conseguimos perceber nossa própria realidade”, comenta. 

A professora também traz uma crítica à pouca valorização dos poetas e da poesia no Brasil: “Como a maioria das coisas e pessoas que realmente fazem a diferença em uma determinada sociedade, os poetas são jogados ao ostracismo” e acrescenta: “Engana-se quem pensa que a poesia não nos ajuda em coisas práticas – como uma aprovação (no que se refere à academia) – mas essa não é e nunca será a sua função primária.

Acredito que a visão utilitarista de tudo e todos acaba por levar os poetas e suas poesias a um lugar muito menos digno do que aquele em que deveriam estar no Brasil atual; o que é extremamente triste”, alega. 

Para a educadora, a escola pode ser um meio muito eficiente de mudar esta realidade, mas afirma colocar fé no esforço familiar para esta mudança. Segundo ela, “é muito mais efetivo ler poesia para e com seus filhos, netos ou sobrinhos do que esperar grandes ou pequenos projetos de leitura dentro das escolas. Se esse movimento acontecer e se expandir, ao chegarem nas escolas os alunos serão outros e só assim, talvez, a escola poderá agir com mais eficácia neste processo”, enfatiza.

Ao mencionar poetas brasileiros, Sabryna Thaís assegura: “Conheço alguns e sei que desconheço muitos outros. Indico tudo do poeta e filósofo alagoano, naturalizado pernambucano, o querido Ângelo Monteiro. Há também um poeta baiano, que recomendo a todos que o procurem. Chama-se João Filho e tem muita coisa boa e bonita. A poesia é atemporal, assim como o poeta. As rimas podem mudar ou até deixarem de ser usadas, mas o poeta é uma vocação”, declara a professora.

De forma poética, a educadora instiga reflexão: “Qual foi a importância de Machado de Assis ou de William Blake para o mundo? O que eles fizeram para merecer que até hoje se fale deles e que os estudemos? Não há monumentos esplendorosos construídos por eles nos quais poderíamos nos gabar de termos conhecido. Não há conta bancária com enormes valores pelo simples fato de alguém ter folheado as páginas de seus livros. Mas ainda assim foram, são e sempre serão significantes para nós. Suas obras vão além das obras, elas se reinventam a cada nova leitura e em nossos corações. A Carolina de Machado será para sempre símbolo de um grande amor. Raskólnikov sempre nos lembrará que na alma humana coexistem bem e mal e que cabe a nós administrar tais forças. Os poetas e escritores entraram no rol daqueles aos quais Camões – ele próprio um mestre da poesia – exaltou em seu Lusíadas quando disse que “por obras valorosas se vão da lei da Morte libertando”, pontua Sabryna.

5 INDICAÇÕES DE LIVROS POÉTICOS

Em celebração ao dia do poeta, a professora Sabryna Thaís também trouxe 5 indicações de literaturas poéticas brasileiras, que merecem ser lidas por quem aprecia o gênero literário:

1. Poesia completa, de Jorge de Lima 

2. Entre as Ondas, Ângelo Monteiro 

3. Reunião de poesia, Adélia Prado

4. Morte e Vida Severina, João Cabral de Melo Neto

5. Poesia Completa, Cecília Meireles

QUANDO SURGIU A POESIA?

A história da poesia precede a história da escrita, aparecendo nos primeiros registros da maioria das culturas letradas no mundo. Essa forma de expressão foi utilizada em obras antigas, dentre elas a Bíblia. De acordo com a Sociedade Bíblica Brasileira: “O livro mais lido e vendido em todo o mundo é a Bíblia Sagrada. Ela foi traduzida para quase 3 mil idiomas e ocupa o primeiro lugar do ranking há mais de 50 anos. Estima-se que mais de 3,9 bilhões de exemplares tenham sido vendido no mundo”. Dentre os múltiplos gêneros literários, a poesia também permeia a Bíblia, arte que é compreendida por muitos como herança divina.

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