Feiras livres, uma tradição que se renova
Redação DM
Publicado em 25 de agosto de 2022 às 13:52 | Atualizado há 4 anos
Embora a modernidade das grandes redes de supermercados chegue às cidades, oferecendo mais conforto entre os quais o estacionamento para o carro, as feiras livres têm seu espaço. Aliás, elas existem no Oriente Médio há 500 Antes de Cristo, a exemplo dos mercados populares. Nas feiras livres, o público encontra praticamente tudo, além de alimentos e artesanato.
Em função da sua importância no cenário econômico e social, o feirante ganhou um dia em sua homenagem. Em Goiânia, o Projeto de Lei 00223-2021 institui o dia 25 de agosto o dia municipal do feirante. A propositura, de autoria da vereadora Sabrina Garcez, foi aprovada pela Câmara Municipal.
Dados de 2020, indicam que em todo o Brasil existem 5.119 feiras livres em 1.176 municípios, a maioria delas (83%) com periodicidade semanal, além de 1.331 feiras agroecológicas ou com produção orgânica em 624 municípios. A quantidade de feiras livres e agroecológicas é o dado que mais chama a atenção no Mapa SAN.
O levantamento retrata a situação atual de estrutura e gestão do Sistema Nacional de Segurança Alimentar (Sisan) em 1.628 municípios, além de 23 Estados e do Distrito Federal. Em Goiânia, são 80 as feiras livres em múltiplos setores da cidade. Sobressai, entre elas, o Cepal, no Setor Sul.
Em Aparecida de Goiânia, Rafael Castro, secretário executivo da Secretaria de Planejamento e Regulação Urbana, informa a existência de 75 feiras livres, incluindo as especiais. O número de feirantes totaliza 3.326. Em termos proporcionais, mais do que esta Capital.
Feira livres
A reportagem circulou na última terça-feira pela feira do Ateneu Dom Bosco, Setor Oeste. As bancas vendem praticamente de tudo, mas causou alguma surpresa a venda de azeite de oliva procedente da Argentina.
Paulinho Japonês movimenta sua banca nos diferentes setores de Goiânia há uns 50 anos. Não se reclama da vida. “Em toda a minha vida fui feliz”, diz ao repórter. Vende basicamente verduras e solicitude ele demonstra sempre com um sorriso estampado no rosto. Uma senhora precisa de seu apoio para transportar uma cesta cheia, ele não mede esforços para atendê-la bem. Há uma queixa generalizada: a falta de banheiros químicos.
“Esse é um dado muito positivo, porque as feiras representam, ao mesmo tempo, uma boa opção de acesso a alimentos saudáveis para a população e uma boa fonte de renda para os produtores locais, contribuindo para o fortalecimento da agricultura familiar”, analisa Patrícia Gentil, coordenadora geral de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Na feira, o público mostra satisfação. Os produtos ofertados estão à mostra e os feirantes ressaltam a qualidade. E destacam que “vem direto do produtor”. Normalmente, os alimentos como verduras e frutas são colhidos e distribuídos em poucas horas. Os pastéis, por exemplo, são feitos na hora, e de diferentes sabores: carne, queijo, presunto, aves e até pizza. Mas, lá também vende-se panelas, coadores, pratos, cachaça, café em grão ou moído, feijão, arroz, ovos, pães, pamonhas, frutas tropicais, toda sorte de verduras. A senhora que vende peixe, solta a voz: – filé de tilápia!
É a sua maneira de chamar a atenção para um produto. É incrível, funciona. É assim o feirante que faz praticamente de tudo para que seus produtos sejam aceitos e não tenha que voltar para casa.