Política

PF faz operação contra empresários bolsonaristas por mensagens golpistas

Redação DM

Publicado em 24 de agosto de 2022 às 13:39 | Atualizado há 4 anos

A Polícia Federal (PF)
cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a oito empresários
bolsonaristas;  celulares foram
apreendidos e serão periciados pela instituição. Além das buscas, há
ordens para quebrar o sigilo bancário e telemático (de mensagem) dos
empresários, bloquear contas e suspender seus perfis nas redes sociais.

Os alvos são: Afrânio
Barreira Filho, do restaurante Coco Bambu; Ivan Wrobel, da W3 Engenharia; José
Isaac Peres, do grupo Multiplan; José Koury, dono do shopping Barra World; Luciano
Hang, da rede de lojas Havan; Luiz André Tissot, da Sierra Móveis; Marco
Aurélio Raymundo, da Mormaii; Meyer Joseph Nigri, da Tecnisa.

A operação foi aberta
por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal,
que acolheu representação da Polícia Federal. A Procuradoria-Geral da República
não foi ouvida antes de Alexandre decidir. A ordem foi expedida na última sexta-feira, 19, depois que o
portal Metrópoles revelou mensagens golpistas em um grupo de
WhatsApp dos empresários.

Os mandados foram
cumpridos em dez endereços residenciais e profissionais no Rio de Janeiro,
Ceará, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

As ordens foram dadas
no inquérito das milícias digitais, que mira a atuação de grupos organizados na
internet para espalhar desinformação e ataques antidemocráticos.

Entenda

A coluna do jornalista Guilherme Amado, no Metrópoles,
mostrou na semana passada que empresários apoiadores de longa data do
presidente Jair Bolsonaro (PL) conversaram abertamente sobre um golpe de Estado
caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja eleito.

As mensagens obtidas pela reportagem mostram que José Koury, dono do shopping
Barra World, disse preferir um “golpe do que a volta do PT”. “Um milhão de
vezes. E com certeza ninguém vai deixar de fazer negócios com o Brasil. Como
fazem com várias ditaduras pelo mundo”, publicou. Ele ainda escreveu que “golpe
é o ‘supremo’ agir fora da constituição”.

Ainda segundo a matéria, Luiz André Tissot, do Grupo Sierra, defendeu
que o golpe deveria “ter acontecido nos primeiros dias de governo”. A coluna
mostrou ainda que Meyer Nigri, fundador da Tecnisa, encaminhou um texto com
ataques ao STF. A mensagem, que não teria sido escrita por ele, dizia: “O STF
será o responsável por uma guerra civil no Brasil.”

“Traição à Pátria”

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, rechaçou ataques contra a democracia ao comentar a operação da Polícia Federal contra empresários bolsonaristas que defenderam golpe, em grupos de mensagens, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja eleito em outubro. “Qualquer pessoa, independente de ser empresário, conhecido ou não, que prega retrocesso democrático, atos institucionais, volta da ditadura, está redondamente equivocada. É um desserviço ao País. É uma traição à Pátria e isso, obviamente, tem que ser rechaçado e repudiado com toda veemência pelas instituições”, disse o senador ao chegar à Casa.

Segundo ele, “arroubos precisam ser repudiados”, mas não acredita que eles necessariamente gerem riscos à democracia. “A nossa democracia está tão assimilada pelas instituições e pela sociedade, que considero esses arroubos, que precisam ser repudiados, mas eles de fato, não fazem gerar um risco concreto à nossa democracia. São manifestações infelizes que devem ser rechaçadas”, disse Pacheco.

Bolsonaro

Pacheco foi questionado por jornalistas sobre a entrevista de Bolsonaro ao Jornal Nacional, da TV Globo. Em resposta a um pedido do apresentador William Bonner para que assumisse o compromisso de aceitar o resultado do pleito, o presidente disse que vai respeitar o resultado das eleições, “desde que sejam limpas e transparentes”. Pacheco afirmou que essa avaliação é “subjetiva” e manteve a defesa do processo eletrônico de votação. “Nós temos plena e absoluta segurança de que esse processo de votação vai dar o resultado correto. As eleições, pelo sistema eletrônico de votação, são eleições seguras, confiáveis, já testadas”

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