Criar filhos é diferente de criar cachorros
Redação DM
Publicado em 21 de julho de 2022 às 15:07 | Atualizado há 4 anos
Um tema ou grave questão que não se vê nos debates políticos e no congresso é o relativo à constituição ou composição da família. Especificamente aqui se fala no controle da Natalidade e no planejamento familiar. A eclosão da pandemia da covid 19 bem que poderia dar ensejo e voz e a esses estudos, essa análise. Porque sempre foi uma terrível problemática social e humanitária, a questão do tamanho da prole. A existência de uma doença tão grave, mórbida e letal como essa infecção do novo coronavírus veio escancarar para todos nós, notadamente estudiosos e pesquisadores sociais, outras questões não totalmente sabida da sociedade: fome, desemprego, exclusão social, degradação da educação, subnutrição, pessoas sem abrigo, aumento de criminalidade etc.
Uma questão imponente e vultosa é a população de brasileiros. Mais de 200 milhões de pessoas. E políticos demagogos e populistas gostam dessas cifras, milhões. Inclusive quando se refere a números monetários em suas contas bancárias e caixa 3 ou paralelo. Outros números melancólicos e deploráveis são os daquelas pessoas marginalizadas, sem nenhuma esperança de um futuro melhor. Quando se fala em crianças então, a crise humanitária se torna muito mais pungente, mais dolorosa, para quem a lê, para quem a presencia. E elas vêm sendo exibidas cada vez, nesta pandemia da covid-19.
Que futuro esperam essas crianças de famílias que se quer possam oferecer uma alimentação digna e abrigo seguro aos seus filhos? São pais e mães ou muitas vezes só uma mãe que não tem emprego, nenhuma renda, com uma prole de 3 filhos, 5 filhos, 6 filhos pequenos. A possibilidade de ascensão social para essas crianças é praticamente nula. E esse contingente vem crescendo, mesmo com a pandemia em curso. Para viver nos limites da miséria elas contam com ajuda de voluntários e auxílio emergencial ou donativos (justos e merecidos) dos governos. Quando se fala em conquistar votos, políticos se tornam mais generosos.
O cenário e as estatísticas mostradas pela imprensa soam como um crime contra a infância. Tanto por parte de todos os governos como por participação da mulher ou do homem (pai) que geram esses filhos sem o mínimo de planejamento e sem controle do número de filhos. Fica a sensação e interpretação que esses pais criam filhos como se criassem cachorros, gatos, porquinhos.
Porque em nome e reforço da dignidade e dos atributos, e da inteligência que detém o ser humano. Todos nascemos com esse diferenciado e superior atributo, uma inteligência que nenhum outro animal porta. Maior do que a de qualquer outro bicho irracional. Nós humanos somos racionais; dotados de razão e senso crítico e pensamento realista. Então essa perguntinha ordinária e clara: eu, homem ou mulher, vou ter uma conjunção carnal com outra pessoa. Todavia, dessa relação, se não usar meios contraceptivos, poderá advir uma gestação. Será que eu, racional e inteligente, poderei dar a essa cria, a essa criança, uma criação e educação dignas. Será?
O controle de natalidade ou o planejamento familiar é também de responsabilidade das pessoas, daqueles que namoram, dos que vivem maritalmente com outra pessoa. O ser humano, já o demonstram tantos estudos e ensaios genéticos e sociais, é o produto do meio familiar, desse microcosmo social. Nós nos constituímos como pessoa resultante de dois fatores: a herança genética e a herança social multifatorial. São marcas inevitáveis e indeléveis.
Uma criança gerada em uma casa, onde os pais não reúnem instrução qualificada, um mínimo de cultura e escolaridade, traz (essa criança) as mesmas condições e probabilidades de seguir os passos e destinos dessa família. Sem formação ética, sem instrução e sem profissão; condições indispensáveis para alguma ascensão social e profissional. Ou seja, riscos de ter a mesma tragédia social, de abandono e marginalização dos pais. E isto é muito triste, em um país de tanta riqueza nas mãos de poucos e de tanta corrupção com os recursos que deveriam ser investidos em Educação de qualidade, em frentes de trabalho, em assistência à saúde e às crianças.