Política

A mulher ao lado do prefeito

Redação DM

Publicado em 8 de março de 2022 às 05:08 | Atualizado há 4 anos


A primeira-dama Thelma Cruz é uma das cotadas a disputar as eleições para uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego). Tudo depende da Igreja Universal, que indica seus representantes a partir de um perfil específico e decidido internamente. Acostumada ao ambiente da igreja, Thelma tem tudo para ser esta representante.

Até aqui, a esposa do prefeito de Goiânia desempenha a contento o papel que assumiu em janeiro de 2021. É uma primeira-dama atuante, dialoga com vários segmentos da Prefeitura e se engaja na divulgação das atividades do prefeito Rogério Cruz.

As previsões não eram boas: nos bastidores, afirmavam (até mesmo aliados) que ela ou o prefeito meteriam os pés pelas mãos diante da repentina posse. As primeiras manifestações públicas, todavia, indicavam que ela seguiria para uma atuação mais voluntária, com os pés no chão. “O trabalho social, se não vier de dentro, futuramente será um fardo, será cansativo. E eu chego em casa com sentimento de querer fazer mais”, disse nos primeiros dias da gestão de Cruz.

Com o passar dos meses, surgiu a possibilidade da candidatura. O gestor esclarece que Thelma, caso dispute uma vaga na Alego, cumprirá uma missão do Republicanos – legenda criada pela Universal. “Ela vem com o apoio da igreja”, disse Cruz.

A Universal já teve dois representantes na Alego – ex-deputado Walter Inácio e o atual Jefferson Rodrigues, que não deverá disputar reeleição.
Nas disputas em Goiás, a entidade religiosa costuma carrear votos suficientes para eleger um vereador e outro deputado estadual, o que dispensa, de imediato, especulações de que a Prefeitura se engajaria na disputa – além de desnecessário, causaria indisposição com demais candidatos queridos pelo prefeito.

Soma-se, evidente, ao trabalho da igreja a simpatia de Thelma, que é [elogiam os mais próximos] amigável, leve e de fácil convivência. A sociabilidade é o forte da pré-candidata, que não se cansa de entrar nos debates, inclusive, progressistas, como a defesa das mulheres, empoderamento das empreendedoras negras e inserção de questões holísticas e ambientais na agenda pública, como o projeto de hortas comunitárias.

Exatamente nesta semana, em que o país celebra o Dia das Mulheres, ao lado do prefeito Cruz, ela programou desfiles inclusivos, palestras e feiras.
Primeiras-damas costumam adotar duas espécies de postura: discretas ou proativas. As primeiras deixam pouca lembrança no imaginário público. As mais atuantes, por sua vez, são forças efusivas nas gestões, criativas e produtivas, o caso de Dona Iris Araújo, que chegou a ser candidata a vice-presidente da República, e Gracinha Caiado, hoje a espinha dorsal da política social do governador Ronaldo Caiado.

Thelma sugere políticas públicas e o prefeito analisa. Já emplacou muitas ideias, como o espaço terapêutico para o servidor público, que oferece acupuntura, ynsa, reiki e moxaterapia.

O tema é imediatamente relacionado à terapeuta Thelma Cruz, que se entusiasma ao falar de sua profissão. “O objetivo é investir na prevenção e promoção da saúde do servidor”, diz a primeira-dama.

Barraca
No início do mês, Thelma montou barraca na Feira de Talentos – Edição Mulher. Antes vendeu galinhada solidária, arrecadou brinquedos e expôs artesanato. “É preciso incentivar o trabalho das mulheres, garantir poder de competitividade”, diz a esposa de Rogério Cruz, que tem dado novas cores para a gestão e contribuído, indiscutivelmente, para a cidade debater temas antes negligenciados. A primeira-dama não é a mulher que está por atrás do prefeito. Pelas fotos, percebe-se, está exatamente ao lado.



Pré-candidata é baiana, mas goianiense no “título”

Thelma Cruz nasceu em Ilheus (BA). Veio para Goiânia há 12 anos, após cumprir missões da Igreja Universal na África.

Cumpriu 16 anos de ações em Angola e Moçambique – e ali aprendeu na prática a se envolver com os problemas básicos dos mais vulneráveis. Costuma relatar com emoção o tempo que viveu nestes países. Os relatos de fome e perseguição às mulheres causam silêncio em quem acompanha suas narrativas.

Um dos projetos da primeira-dama diz respeito exatamente ao que mais aprendeu na África: alimentar com rapidez quem tem fome. Ela mesma já colocou a mão na massa para o projeto “Pão Nosso”. “Saber que as famílias hoje se alimentarão do pão nosso é gratificante. Afinal, o pão não é meu, o pão não é seu, o pão é nosso”, disse Thelma Cruz nas redes sociais.

A baiana já é “goianiense” com a entrega, no ano passado, de um título de Cidadania. Outro tramita na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, com a “honraria” da goianidade.


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