O exemplo de Caiado a Bolsonaro: “Não se governa nos lugares fáceis”
Redação DM
Publicado em 4 de janeiro de 2022 às 13:45 | Atualizado há 5 anos
Num país em que o presidente vai para a praia enquanto parte de seus governados padece ante as chuvas do fim de ano, quem faz apenas sua obrigação tem algo a ensinar ao chefe maior da República. Foi assim nos últimos dias nos estados mais castigados pelas águas de dezembro. Na Bahia, por exemplo, o petista Rui Costa foi para o front.
Em Goiás, Ronaldo Caiado, aliado de Jair Bolsonaro, fez o mesmo ao participar da operação de socorro a famílias atingidas pelas chuvas na região da Chapada dos Veadeiros. “Faço política como faço medicina; não vou esconder uma situação delicada”, diz Caiado sobre ter abandonado o período festivo para atuar com órgãos de governo nas regiões mais castigadas de Goiás.
“Temos que estar junto da população, dando as mãos às pessoas que necessitam, sabendo como elas estão vivendo… É dessa maneira que a gente tem que governar. Não é no gabinete, nos lugares fáceis. Principalmente num momento como esse, de passagem do final do ano, nós temos que estar ali ao lado das pessoas que estão ilhadas, passando por dificuldade, trabalhando e dando condições de, o mais rápido possível, chegarem alimentos, medicamentos, e saber também os pontos que precisam ser mais bem atendidos”, segue Caiado.
Nordeste Goiano
Nos últimos dias, o governador Ronaldo Caiado (Democratas) usou o seu perfil nas redes sociais para expor a situação de áreas da região nordeste de Goiás, afetadas pelas fortes chuvas. O gestor do estado realiza visitas aos municípios desde a última quinta-feira, 30, com a prestação de apoio aos moradores.
“São mais de 20 dias chovendo, ao mesmo tempo que um volume de água muito grande vem se acumulando nos rios, provocando isolamento de várias comunidades próximas. Muita gente perdeu muita coisa”, relatou Caiado. “Mas jamais vamos deixar nosso povo desassistido. A mão do Estado está aqui, presente. Estamos levando alimentos, medicamentos, água mineral e apoio para que essas pessoas possam aguardar o momento que a água baixar, assim poderemos reconstruir as pontes e rodovias que foram destruídas”, acrescentou o governador.
“É dessa maneira que a gente tem que governar. Não é no gabinete, nos lugares fáceis. Principalmente num momento como esse, de passagem do final do ano”
No 1° dia do ano, Caiado e equipe estiveram na cidade de Teresina de Goiás. No local foi montada, de acordo com o governador, uma base para atendimento. “Estivemos em Teresina de Goiás, onde fizemos nossa base para atender as regiões que foram afetadas pelas chuvas, em Montes Belos e na Ponte sobre o Rio Paranã, na GO-118. Realmente estamos vivendo aqui uma situação jamais vista”, escreveu o gestor.
Em outra publicação, Caiado expõe a fiscalização da obra de reconstrução do trecho da GO-118 que sofreu erosão no último dia 24, em razão das fortes chuvas. “A pista está liberada para ambulâncias. Estamos dobrando os turnos de trabalho para que meia faixa seja liberada o quanto antes para demais veículos de passeio”, afirmou.
“Uma coisa é certa: nenhum goiano ficará desassistido. Estamos levando cestas básicas e produtos de higiene para região e o Estado dará todo o suporte necessário para nossa gente até a situação ser completamente resolvida”, reforçou o governador.
Distanciamento
Apesar de considerar, como sempre, que “política é a arte de dialogar”, o secretário estadual de Governo, Ernesto Roller, define que a já conhecida distância entre Ronaldo Caiado e Jair Bolsonaro tem se consolidado para que os dois tenham mesmo caminhos divergentes na eleição de 2022
A homologação do pedido goiano para renegociação das dívidas e adesão ao RRF ocorreu, em Brasília, no final do ano passado, mas, apesar disso, segundo Roller, não é possível esconder a realidade política entre Caiado e Bolsonaro. “Não adianta tapar o sol com a peneira ou tentar escamotear a verdade. Nós sabemos que a relação do governador com o presidente da República, já há algum tempo, é uma relação distante, sob o aspecto político”, afirmou Ernesto Roller à rádio à Sagres 730. “Existe um afastamento político, que não pode contaminar ações administrativas”, completou;