Política

Caiado oficializa candidatura ao Planalto e mira polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro

Léo Carvalho

Publicado em 26 de julho de 2026 às 14:53 | Atualizado há 27 minutos

Caiado teve a candidatura à Presidência oficializada pelo PSD durante convenção nacional realizada em São Paulo | Foto: Reprodução
Caiado teve a candidatura à Presidência oficializada pelo PSD durante convenção nacional realizada em São Paulo | Foto: Reprodução

O PSD oficializou neste domingo (26), em São Paulo, a candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República nas eleições de outubro. Durante a convenção nacional do partido, Caiado adotou um discurso voltado à consolidação de uma terceira via e fez críticas tanto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto ao senador Flávio Bolsonaro (PL), apontados pelas pesquisas como os principais nomes da disputa.

Antes do início do evento, ao lado do presidente nacional do PSD e candidato a vice-presidente, Gilberto Kassab, Caiado afirmou que os dois adversários alimentam um ambiente de confrontos para desviar a atenção dos problemas do país.

“O atual presidente quer de toda maneira provocar o presidente dos EUA. Do outro lado, as mesmas agressões acontecendo, insultando autoridades”, declarou.

O ex-governador classificou a eleição deste ano como “a mais importante da história do país” e afirmou que a população perdeu a confiança nas instituições diante do clima permanente de conflitos políticos.

Ao apresentar suas propostas, Caiado reforçou o compromisso de endurecer o combate à criminalidade. Disse que pretende retirar o Brasil “das mãos do narcotráfico” e criticou o PT, afirmando que o partido é complacente com o crime organizado. Também prometeu ampliar medidas de proteção às mulheres, incluindo o confisco de bens de agressores para destinar os recursos às vítimas.

Questionado sobre Flávio Bolsonaro, Caiado respondeu com críticas diretas. “Quem rouba com a mão direita, quem rouba com a mão esquerda, é ladrão”, afirmou. Em seguida, disse que o Brasil precisa de um presidente que “nunca se envolveu em rachadinha, mensalão, petrolão ou escândalo do Master”.

Ao ser perguntado sobre um eventual apoio em um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, Caiado evitou responder e afirmou que estará na fase decisiva da disputa.

A convenção reuniu importantes lideranças do PSD, entre elas os governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior, do Paraná, ambos cotados anteriormente para disputar a Presidência. Leite declarou que oferecerá um palanque sólido para Caiado em seu estado, enquanto Ratinho afirmou que o ex-governador goiano “vai colocar o Brasil no rumo certo”.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não participou do evento. Segundo interlocutores, sua ausência ocorreu em razão do apoio declarado à candidatura de Flávio Bolsonaro. Em seu lugar, compareceu o secretário de Governo paulista, Roberto Carneiro.

Também estiveram presentes a apresentadora Silvia Abravanel, candidata a deputada federal pelo PSD em São Paulo, a senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) e o ex-ministro Aldo Rebelo.

Durante o discurso aos filiados, Caiado voltou a defender que a eleição não deve ser decidida entre os candidatos com maior rejeição.

“A eleição não é de rejeitados. É eleição de quem traz resultado para a sociedade brasileira”, afirmou, utilizando sua gestão à frente do Governo de Goiás como principal credencial administrativa.

O presidenciável também afirmou que a população perdeu a confiança nos Três Poderes por falta de bons exemplos na Presidência da República e voltou a associar Lula e Flávio Bolsonaro à polarização política.

Na área econômica, criticou o programa Desenrola e responsabilizou o governo federal pelo elevado custo do crédito. Também acusou Lula de evitar o primeiro debate presidencial, previsto para 16 de agosto.

“Estou te esperando, Lula. Vem cá”, declarou.

Caiado ainda afirmou que Flávio Bolsonaro seria o adversário preferido do PT em um eventual segundo turno e elogiou Gilberto Kassab por ter lançado sua candidatura, dizendo que, sem essa decisão, a disputa ficaria restrita entre Lula e Flávio.

Ao comentar a política internacional, criticou os recentes embates entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além das declarações do presidente argentino, Javier Milei, durante a convenção do PL realizada no sábado (25).

Encerrando o discurso, voltou a defender uma política de segurança pública mais rígida e afirmou que pretende ampliar o modelo adotado em Goiás para todo o país.


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